13 de junho de 2026

Motta convocou um matador para relatar a PL Antifacção, por Francisco Calmon

O relatório de Derrite, mesmo após o falso recuo sobre a Polícia Federal, permanece carregado de retrocessos inaceitáveis
Guilherme Derrite e Hugo Motta em foto de Marina Ramos, Agência Câmara

1- Hugo Motta convoca matador para relatar PL Anti-Facção, gerando polêmica sobre escolha questionável.

2- Guilherme Derrite, ex-PM com histórico controverso, é nomeado para relatar projeto de segurança, levantando críticas.

3- Relatório propõe submeter PF a governadores, gerando debate sobre descentralização e impactos na segurança nacional.

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Motta convocou um matador para relatar a PL Anti-Facção

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por Francisco Celso Calmon

Por vários meses consecutivos, a nação brasileira tem sido continuamente insultada pela atual composição do Congresso, com diversas demonstrações de aversão ao bem-estar social.

Na entrevista de Hugo Motta e Guilherme Derrite sobre a minuta do relatório, uma cena foi sinal de manipulação, um tipo de censura, onde as perguntas DOS JORNALISTAS direcionadas a eles não eram ouvidos, somente as respostas deles, então, os telespectadores não tenham como fazer uma reflexão analítica.

A pergunta para a qual não há resposta factível é porque Motta trouxe um deputado licenciado, com ficha borrada, para a relatoria de um projeto do governo, responder que não havia outro capacitado é achincalhar os demais deputados.

Hugo Motta teve sua imagem tecida a partir de uma herança política familiar. Essa herança, há mais de um século domina Patos, no sertão paraibano, e transformou a política local em negócio de compadres. Filho, neto e bisneto de prefeitos e deputados, Motta herdou não apenas o sobrenome, mas o sistema de poder que sustenta o clã.

O atual presidente da Câmara gosta de repetir que a sua força está na capacidade de diálogo. É o político que fala com todos, que se diz “de centro”, que encarna o discurso da conciliação em tempos polarizados. Mas esse verniz é apenas a camada mais superficial de um projeto de poder antigo e bem conhecido no Brasil. Usa de platitudes para engabelar crédulos.

Apadrinhado por Arthur Lira, o jagunço institucional de Alagoas, Motta se consolidou como peça de sustentação da engrenagem que mantém o Congresso sob domínio da direita e adversa do governo, mesmo quando finge equilíbrio.

Sua eleição à presidência da Câmara com apoio simultâneo do PT e do PL foi celebrada como símbolo de conciliação, mas traduziu o oposto.

Motta é a reafirmação de um bloco que sobrevive encenando neutralidade enquanto preserva o poder dos conservadores.

O autoproclamado “conciliador” é, na prática, um operador a serviço dos mesmos interesses que garantem ao centrão seu poder e à extrema-direita a sua ascensão

A decisão de Motta de nomear Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança do governo Tarcísio de Freitas, para relatar o Projeto de Lei Antifacção é a prova disso.

A escolha de um bolsonarista de farda, com discurso autoritário e passado de alta letalidade, não tem nada de neutra. É um gesto calculado, ideológico, que demarca território e reafirma um padrão conhecido. A Câmara dos Deputados segue sob o comando de quem prefere acenar à direita.

O secretário Guilherme Muraro Derrite nasceu em Sorocaba em 1984. Ingressou na Polícia Militar em 2003 e se formou como bacharel em Ciências Sociais e Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

Atuou como tenente nas Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (ROTA) de 2010 a 2013. A ROTA, mais que uma tropa, é uma instituição com cultura própria, marcada pela autopercepção de ser a “última trincheira” contra o caos

Derrite internalizou e amplificou essa cultura, transformando a alta letalidade em um valor profissional e, posteriormente, em capital político. O “excesso de mortes em serviço” teria sido justamente o motivo que levou Derrite a ser afastado de suas atividades na corporação. Ele confirmou ao conceder uma entrevista para um canal do YouTube em 2021, criando provas contra si mesmo, reafirmando suas tendências assassinas: “Porque eu matei muito ladrão. A real é essa, simples. Pa! Troquei tiro várias vezes, e uma atrás da outra. Acabou incomodando não sei quem, mas veio a ordem de cima para baixo, questão política: ‘Tira o Derrite da Rota’. E fui convidado a me retirar.”

Sua transição para a política foi o próximo passo que virou lógica da extrema-direita quando precisa fortalecer seu domínio em cada fresta da democracia.

Derrite levou para a mesa do parlamento a lógica da “guerra”, do extermínio, que praticava nas ruas.

Cada um dos sete inquéritos por homicídio e as 16 mortes associadas, longe de serem um segredo vergonhoso, foram meticulosamente convertidos em sua marca registrada.

Derrite é a personificação de uma política da morte, que se tornou uma plataforma eleitoral bolsonarista, e, seguindo essa lógica, elaborou o relatório do PL Antifacções, o intuito dele e do Motta era botar mais fogo na polarização. Quase conseguiram, eles saíram chamuscados.

Sob o pretexto de combater o crime organizado, o texto original do seu relatório propunha submeter a Polícia Federal ao controle dos governadores, transferindo o comando da segurança para figuras como Tarcísio de Freitas e retirando do governo federal um instrumento essencial de investigação. A medida não foi puramente técnica, mas uma tentativa de concentrar poder e blindar governos estaduais do escrutínio público de suas matanças.

A segurança pública é nacional.

O crime organizado é formado de interfacções do crime, como os Amigos dos Amigos; Comando Vermelho; Terceiro Comando; Primeiro Comando da Capital; Primeiro Comando Mineiro; Paz, Liberdade e Direito; Comando Norte/Nordeste. São nomes de facções criminosas espalhadas de Norte a Sul do país. E deve haver outras.

A Operação Carbono, por exemplo, ao investigar “relações promíscuas”, teria “assanhado” o comando da extrema direita, provocando uma reação direta ao trabalho da Polícia Federal.

“A Operação Carbono Oculto tem sido apresentada por autoridades fiscais e policiais como a maior ação integrada contra o crime organizado no setor de combustíveis […] o desdobramento “Carbono Oculto 86” interditou 49–50 postos no Piauí, Maranhão e Tocantins, mapeando uso de empresas de fachada, fintechs e fundos, com R$ 5 bilhões em movimentações atípicas e apreensão de bens e uma aeronave.”

“O sucesso da operação provocou uma rápida reação da ultradireita. Primeiro, com as chacinas da Penha e do Morro do Alemão, uma ação articulada entre o governo do Rio, polícia e Ministério Público Estadual, seguido de um apoio imediato de quatro governadores de direita – Ronaldo Caiado, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Jorginho Mello.” (GGN).

Derrite também buscou enquadrar facções criminosas como organizações terroristas, reforçando a retórica de guerra que transforma qualquer operação em campo de batalha e legitima o uso desmedido da força e facilita ingerência de Trump.

A LEI Nº 13.260 de nossa constituição define o terrorismo (Art. 2º) como a prática de certos atos por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito (de raça, cor, etnia e religião), com a finalidade de provocar terror social ou generalizado.

Logo, o terrorismo, nessa lógica insconstitucional de Derrite, é a palavra que autoriza o Estado a agir sem limites, ignorando por completo o fato de que facções criminosas são categorizadas como tais porque visam o lucro, que é o caso das facções ques estão no alvo da extrema-direita. Não há cenário lógico para afirmar que elas priorizam o terror generalizado acima do benefício financeiro. Por isso mesmo tem ligações com a “faria lima”.

Motta está se posicionando como o grande articulador da direita pós-Bolsonaro. Ao dar a Derrite (e, por tabela, a Tarcísio) a relatoria do projeto de segurança do governo, ele faz um investimento de alto retorno, porém, até o momento o tiro saiu pela culatra.

A insistência em debilitar financeiramente a Polícia Federal e as demais forças de segurança da União com o desvio de recursos para fundos estaduais, em vez de focar em descapitalizar o crime organizado só reforça seu desejo de enfraquecer a estrutura federal para fortalecer os feudos estaduais, e mais: a descentralização e as divisões por estado é a estrutura atual que fracassou.

O relatório de Derrite, mesmo após o falso recuo sobre a Polícia Federal, permanece carregado de retrocessos inaceitáveis, conforme denunciou o Ministério da Justiça hoje.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, fez críticas pontuais sobre a nova versão do texto de Derrite. “o texto promove uma fragmentação orçamentária em relação aos fundos que compromete a eficiência no enfrentamento às organizações criminosas de atuação interestadual”.

“O substitutivo também desmonta a política de descapitalização das facções ao eliminar as medidas cautelares especiais previstas no projeto original, substituindo-as por instrumentos já existentes e criando a ficção de uma ‘ação civil autônoma’, que só acrescenta morosidade, insegurança jurídica e pulverização dos procedimentos de recuperação de bens”, crítica, ainda, Lindbergh. (Fonte: CCN.)

Derrite não recuou, foi empurrado, e Motta levou gol, ficou escancarado que não é um presidente imparcial na Câmara, é um militante da extrema-direita. Se não prepararmos esculacho a ele nas ruas, ainda vai aprontar outras à medida que as eleições fiquem mais próximas.

Quem tem medo do trabalho da Polícia Federal?

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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  1. Lucas

    21 de novembro de 2025 11:12 am

    Interessante como o artigo consegue destrinchar com precisão as ligações entre oportunismo político, manipulação institucional e o avanço de uma direita radical que opera dentro das próprias engrenagens do Estado. A análise do Calmon é especialmente eficaz ao escancarar as verdadeiras intenções de Hugo Motta, revelando como o atual presidente da Câmara sustenta um discurso de conciliação enquanto articula, de fato, para fortalecer o bloco conservador. A escolha de Guilherme Derrite não é casual, é sintoma de um projeto político em curso. Ótima análise!

  2. João Luiz Garrucino

    21 de novembro de 2025 11:12 am

    Relido e corrigido. A verdade senti estes dias é que máfias derrubaram Dilma, do crime organizado, do colarinho branco, máfias da classe média se achando ricas, e máfias das igrejas virando paritido e querendo tomar o poder invadindo a vida pública e o Estado, esfarelando democracia, república, Estado de Direito e Laico…
    
    Temer era chefe ou fazia parte dos esquemas de corrupção desde a ditadura militar tanto no Porto de Santos como na Petrobras e outros, e articulou golpe com maçonaria, militares, igrejas, parte do mercado, como parte da guerra híbrida americana como sempre desde a lava rato da máfia do Moro em Curitiba, e afundaram nação ou Brasil para extrema direita neoliberal para anarcocapitalismo no faroeste, lei do mais forte ou feudalismo e idade média, fascismo, nazismo e idade média…
    
    Pode-se´perceber agora sobretudo após Tarcizo mandar o pau mandado Derrite na Cãmara para aliviar crime organizando anulando ou cortando verbas ou querendo acabar com PF que ainda atuava mais contra o crime organizado do que as policiais estaduais infiltradas pelo crime organizado e do colarinho branco e pelas máfias das igrejas virando partido fascista…
    
    Não tem como negar mais que máfias é que derrubaram Dilma afundando nação para as trevas medievais e selvageria e barbarie do salve-se quem puder e quem pode mais chora menos como Rio das Pedras e boa parte do Rio já sem Estado e sem leis a caminho do Haiti…
    
    Golpe na verdade não foi apenas contra Dilma mas contra instituições da república, democracia, Estado de Direito e Laico, ou já foi golpe de Estado e estamos em ditadura e piorando cada vez mais e quem domina são máfias diversas….
    
    Devido a falta de consciência política e democrática de boa parte da população alienada dos gados religiosos mas até a ridícula classe média ainda até hoje puxa saco das elites, patrões ou ricos se achando parte das elites embora maioria trabalhadores também…
    
    Acabou democracia no Brasil…Dilma e Lula foram eleitos pela maioria dos cidadãos conscientes da democracia e maioria dos trabalhadores na sociedade mas não aceitam governos mais democráticos e populares e sabotam, minam, e podem até derrubar governos usando a clásula do golpe na constituição causando a enorme crise institucional e enquanto sociedade não pressionar para a sua derrubada nação vai afundando cada vez mais no fascismo medieval das igrejas…
    
    Embora sem votos para ganharem velho coronelismo de sempre ou elites e clásse média subvertem democracia e querem sobrepor suas vontades às maiorias dos cidadãos eleitores pisoteados como gado sem respeito algum o que vem desde a escravidão e o fim dela jogando todos nas ruas, favelas, periferias e morros….
    
    E trabalhadores brancos vindo da Europa como mão de obra em lugar dos escravos viram como elites, coronéis, patrões, ricos, etc., jogaram os antigos escravos no olho da rua sem qualquer programa de integração deles sequer no mercado de trabalho…E coronéis estavam revoltados devido pressão dos ingleses para acabar escravidão o que fizeram apenas por decreto para “inglês ver” mas sem reconhecerem as barbaridades e efeitos da escravidão em boa parte da população joga nos guetos das favelas, periferias e morros como animais ou bichos…
    
    Classe média não respeitam setores populares até hoje e se acham parte dos ricos ou elites ou patrões como ouvi do filosofo da USP Paulo Guirardelli citando trabalho de pesquisa de acadêmica.
    
    Sem boa parte ou maioria da sociedade acordar Brasil afunda cada vez mais para o esgoto das trevas medievais e fascistas e quem cresce é o partidão do capetão evangélico como novos bolcheviques em máfia também grave tanto quanto o crime organizado e do colarinho branco e agem juntas como podemos dectar nos Estados onde até policiais são fascistas e certamente envolvidos pelos crime organizado e do colarinho branco e as máfias das igrejas como bandidos e mercenários e saqueadores dos cofres públicos da nação…
    
    Tem concerto diante da falta de noção política de boa parte do povo, inclusive da classe média e dos gados religiosos fascistas?.
    
    Afora agora as plataformas das redes sociais e celulares e aplicativos dos bilionários acima das nações e democracias?
    
    Como barões, nobres ou novos reis? A escravidão moderna ocorre pela internet transformando as massas como gado não apenas das religiões medievais e trevosas e fascistas, mas também os zumbis alienados dos aplicativos e internet e redes sociais dos bilionários ou dos ricos e patrões continuando o puxa saquismo da classe média até hoje…
    
    Trevas medievais invadidam e tomam conta da nação e nem existe luz no final do túnel por enquanto se sociedade ainda não acordou e sequer setores organizados dela, e sequer esquerdas, democratas, áreas acadêmicas, intelectuais, escritores, artistas, ativistas, militantes, etc., e não denunciaram ainda as igrejas virando partidos e invadindo a vida pública e o Estado subvertendo a ordem legal gerando a maior crise institucional de todas elas, agravada também pelas máfias do crime organizado e do colarinho branco…
    
    Jà vivemos uma ditadura fascista e medieval arrastando Brasil para o esgoto ou fundo do poço escuro da anti civilização, anti democracia, anti republica e pior ainda anti Estado de Direito e Laico…
    
    Brasil vai virando Haiti e regiões do México e Colombia ou Rio das Pedras e boa parte do Rio já sem Estado e sem leis com bandidagem em geral dominando não apenas do crime organizado e do colarinho branco mas sobretudo das igrejas até lavando dinheiro…
    
    Quem esperava isto após lutar pela democracia desde a ditadura militar? Brasileiros conseguiram se superar…Os zumbis alienados como gados ou macuinaímas espalhando sombras e trevas em boa parte do Brasil ou quase todo ele…

  3. Lucas

    21 de novembro de 2025 11:13 am

    Interessante como o artigo consegue destrinchar com precisão as ligações entre oportunismo político, manipulação institucional e o avanço de uma direita radical que opera dentro das próprias engrenagens do Estado. A análise do Calmon é especialmente eficaz ao escancarar as verdadeiras intenções de Hugo Motta, revelando como o atual presidente da Câmara sustenta um discurso de conciliação enquanto articula, de fato, para fortalecer o bloco conservador. A escolha de Guilherme Derrite não é casual; é sintoma de um projeto político em curso. Ótima análise!

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