Nariz de cera do judiciário
por Francisco Celso Calmon
O passado pode ficar impune desde que que a sentença seja a promessa de que no futuro não ficará mais. Parece aquela reprimenda dos pais que diziam “por esta passa, mas na próxima…!!!”. É a nova jurisprudência do TSE.
E é uma promessa sem garantia e no bojo de uma condenação por perda de mandato do deputado que praticou crimes em menor monta mas de mesma natureza que a chapa Bolsonaro/Mourão.
Ninguém mais dúvida, nem a própria chapa, de que as mensagens massivas para favorecê-la eram compostas de notícias falsas, injúrias, calunias e difamação contra os adversários, especialmente ao PT e seu candidato.
Fato notório e público dispensa provas, ou não é notório e público esses fatos?
A mídia já há algum tempo tem informado amplamente sobre essas informações factuais. As pesquisas já mostraram que muitos eleitores do Bolsonaro acreditaram até na mamadeira da piroca, e que mais recentemente parcelas desencantaram com o Bolsonaro por causa de saber que não eram verdades, portanto, foram influenciados pelas mensagens massivas de fake news.
Tem gato nessa tuba.
A história registra, em regra, promessas não cumpridas, salvo quando do interesse das elites do poder dominante, entretanto e por outro lado, registra em abundância a impunidade.
Por isso mesmo, escondem na historiografia oficial as verdades dos fatos da história social e política do país. Pois se trata de um passado vergonhoso, seja na economia, na política, na justiça e até nas intervenções externas como na guerra com o Paraguai ou na presença intervencionista e calamitosa no Haiti.
O Brasil não é um país que se pode ter orgulho senão pela natureza e pela cultura literária e artística.
Não haverá tapete, por maior que seja, capaz de esconder as sujeiras excretadas e regurgitadas pelas elites brasileiras.
O acordo Temer/Bolsonaro/Alexandre de Morais foi com STF e tudo mais, para parecer uma pacificação, porém, no fundo foi para manter a mesma dominação excludente das forças democráticas de esquerda e cabresto no prevaricador genocida do planalto.
Infelizmente não temos forças, fora das narrativas, para uma briga antagônica com essas elites da casa-grande, porquanto tudo caminha para um acordo para garantir as eleições de 2022, contudo, temos que preparar as condições favoráveis para em 2026 fazer um enfretamento político-ideológico sem risco de golpe em caso de uma vitória da esquerda vocacionada para as transformações estruturais do sistema.
O cinismo dos tribunais superiores do Judiciário já não tem qualquer limite de compostura, perderam a vergonha, se acham acima de todos e capazes de produzir sofismas rudimentares e engabelar a “crédula” mídia corporativa, haja vista a participação recente e decisiva no golpe de 2016, na lava jato, e particularmente no encarceramento do ex-presidente Lula. Todo o caminho percorrido para impedir a sua participação nas eleições, após o objetivo alcançado, foi desfeito e trilharam o caminho inverso absolvendo-o. Tudo é válido para as togas pretas e os verdes-oliva.
Qual credibilidade pode ter um judiciário politizado e ideologizado, que durante dois anos condenou Lula e outros quadros do PT, para posteriormente absolvê-los?
Temem o passado, porque o passado os condena, apontam para o futuro porque não têm compromisso em construí-lo diferente do que sempre fizeram em contínuos verões.
Por isso, o ministro Fux pediu vista há 11 anos do pedido de reexame da lei da anistia feito pela Corte Interamericana, por isso, nem a PGR e nem o STF fizeram os seus deveres frente ao relatório da Comissão Nacional da Verdade. Por isso, as Forças Armadas acalentam aversão ao papel da CNV e aos resultados. Por tudo, também, a geração 68 mantém ódio e nojo à ditadura militar.
São incapazes de negar a necessidade de uma justiça de transição, mas a temem como o diabo da cruz. E sem a aplicação da justiça de transição, encarando o seu preterido, tirando lições e deveres de criminalizações e reparos onde couberem, o país jamais será passado a limpo, a impunidade continuará a fazer parte do DNA da história do Brasil.
E este e outros precedentes da corte jurídica continuarão a assombrar o presente e comprometer o futuro da nação brasileira.
Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça
Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN
PC Gama
30 de outubro de 2021 9:36 amExcelente análise. Creio que nosso modelo de elite hipócrita, inclusive o que se plasma na corte eleitoral, sequer tem o pudor de envergonhar. Mas a tecla tem que ser martelada para despertar o espírito crítico de parte da população espoliada, mas ainda anestesiada pela lavagem cerebral da mídia corporativa.
ze sergio
31 de outubro de 2021 11:53 am‘…O cinismo dos tribunais superiores do Judiciário já não tem qualquer limite de compostura, perderam a vergonha, se acham acima de todos e capazes de produzir sofismas rudimentares e engabelar a “crédula” mídia corporativa,..” 40 anos de farsante Redemocracia. Tribunais e Judiciário parceiros e comparsas das mesmas Elites que desembarcam na Anistia de 1979 e reagrupam no Parasitismo do Poder Estatal. o resultado de corrupta, criminosa e farsante Redemocracia, sob uma abjeta Constituição Cidadã. Ou também seria este Brasil culpa dos outros? Das Caravelas que erraram o caminho?!! Leonel Brizola e Tancredo Neves, Sindicalismo Pelego, Parasitismo Estatal, Quadrilhas dentro do Ensino Público recontando o Revisionismo Histórico implantado por MEC, USP, Federais,…Cabeça que tornou-se em rabo na Aventura Caudilhista Esquerdopata Fascista do Golpe de 1930. Toda Estrutura continua aí para manter o “Terceiro Mundo” projetado e preservado pelo Nepotismo do Fascista. Seria Tancredo Neves, Ministro da Justiça do Canalha apenas coincidência desta aberração citada no texto, rotulada como Poder Judiciário Brasileiro? Michel Temer e Renan Calheiros, fazendo parte desta cumplicidade e desta História, seriam “acidentes” ou projeções? Como será que chegamos até aqui? OAB, primogênita das Políticas e Estruturas Fascistas de 1930 e 91 anos de Cumplicidades, poderia Nos responder? Pobre país rico. Como chegamos até aqui? Mas de muito fácil explicação.