10 de junho de 2026

O dia da desonra, por Francisco Celso Calmon

Nove de janeiro, dia seguinte ao dia da desonra, foi o dia da união das forças democráticas contra o golpismo fascista bolsonarista
Reprodução vídeo

O dia da desonra

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por Francisco Celso Calmon

Oito de janeiro de 2023, foi o dia em que um simulacro de golpe, anunciado com antecedência, em redes sociais e mídia, não foi contido na origem, por leniência e cumplicidade do Exército brasileiro e do governo do DF.

E por vacilo do governo federal, notadamente do Ministro da Defesa e do Ministro da Justiça e Segurança.

O que poderia ter sido desarmado com o simples impedimento dos ônibus chegarem à praça dos três poderes e inquirição dos ocupantes de seus propósitos, acabou por permitir os piores atos de selvageria e vandalismo nas sedes dos três poderes da República.

A escatologia da barbárie bolsonarista deixou suas digitais com as fezes e urinas de seus arruaceiros terroristas, para vergonha nacional e internacional de nossa sociedade.

O dia da união.

Nove de janeiro, dia seguinte ao dia da desonra, foi o dia da união das forças democráticas contra o golpismo fascista da corja putrefata do bolsonarismo.  

Medidas que deveriam ter sido tomadas, começaram finalmente a serem executadas.

À frente desse enfretamento e no timing necessário, se destacou mais uma vez o ministro Alexandre de Moraes, que no vácuo do poder e com a segurança pública em risco, virou na prática o xerife brasileiro.

Apelidado de Xandão, enaltecido por muitos e muitos, lembrou-me quando o judiciário, subvertido e comandado pelo ex-juiz Sergio Mouro, era saudado como justiceiro do Brasil.

O chefe do Estado, do governo e comandante-em-chefe das Forças Armadas do país é o presidente da República do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva.

Dois terços da população não desejam anistia aos arruaceiros bolsonaristas-golpistas, e muito menos aos seus chefes, que planejaram e ordenaram o vandalismo ocorrido no dia oito.

A linha de comando desses insurgentes ao Estado Democrático de Direito continua a planejar e operar atos de subversão à ordem democrática.

Como nos filmes de terror e dramas criminais, o final é a descoberta de que o mordomo foi o culpado.

Não devemos permitir esse enredo, esse The End nessa tragédia.   

Forças Armadas, particularmente o Exército, e empresários do mercado estão envolvidos.

As condições objetivas e subjetivas estão dadas para o Brasil se livrar dos entulhos do passado. 

A história recente, lava jato, golpe de 2016, prisão por 580 dias do Lula, governos espúrios de Temer e o do Bolsonaro, nos remete ao golpe de 64 e a ditadura militar de 21 anos, com sequestros, prisões ilegais, torturas, estupros, assassinatos, corrupções, butim, planos e atos de terrorismo, AINDA impunes.

A impunidade é parideira de novos golpes. 

8 de janeiro não deve ser esquecido. E os 21 anos da ditadura devem ser lembrados sempre.

Sem anistia aos golpistas, pela justiça de transição.

Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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