
O enigma Alckmin: por que não testá-lo sem Tarcísio em São Paulo?
por Elias Tavares
Quando olhamos a última pesquisa do Paraná Pesquisas sobre o governo de São Paulo, um dado me chama muito a atenção: Geraldo Alckmin. Depois de tantos anos sem ocupar o Palácio dos Bandeirantes, ele deixou o governo em 2018, o vice-presidente ainda aparece com expressivos 23% das intenções de voto. É um número impressionante, que mostra como a figura de Alckmin segue viva no imaginário paulista.
Agora, há algo curioso nesse levantamento que precisa ser dito: por que os institutos de pesquisa não colocam Geraldo Alckmin em cenários sem a presença de Tarcísio de Freitas? Esse é um detalhe que muda toda a leitura. Hoje, Tarcísio domina os cenários com folga, mas é também cada vez mais apontado como presidenciável para 2026. Ou seja, existe uma chance real de que ele nem esteja no jogo em São Paulo.
Se isso acontecer, a disputa se abre. E aí, é natural perguntar: o que aconteceria com um nome como Alckmin, testado sozinho contra outros candidatos? Estaríamos diante de uma possibilidade inédita de a centro-esquerda ainda que por um nome historicamente ligado ao centro-direita se consolidar em São Paulo. Não seria exagero afirmar que Geraldo Alckmin, como candidato, poderia não apenas reconfigurar a disputa estadual, mas também turbinar a campanha de reeleição do presidente Lula.
Minha crítica aqui é simples: pesquisas que não testam esse cenário deixam de oferecer clareza ao eleitor e ao próprio sistema político. Ignorar a possibilidade de Tarcísio sair para a disputa nacional é, no mínimo, reduzir o alcance da análise. Afinal, São Paulo pode, pela primeira vez em décadas, ver uma candidatura competitiva apoiada por um arranjo de forças que vai da esquerda à centro-direita. E nesse tabuleiro, Alckmin é uma peça que não pode ser subestimada.
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DeSolla
28 de agosto de 2025 10:56 amé simples, a mídia hegemônica quer Alckmin como seu candidato de direita cheirosinho à sucessão presidencial em 2026