6 de junho de 2026

O silêncio que dói: por que a imprensa precisa falar sobre Felca, por Elias Tavares

Quando a imprensa não cumpre seu papel de expor e investigar, enfraquece a luta contra crimes que afetam os mais vulneráveis.
Felca - Reprodução

O silêncio que dói: por que a imprensa precisa falar sobre Felca

por Elias Tavares

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Na semana passada, o influenciador Felca publicou um dos vídeos mais assistidos no Brasil, denunciando a exploração de crianças e adolescentes em conteúdos impróprios. A repercussão foi imediata: perfis foram derrubados, autoridades se manifestaram e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou que pretende pautar projetos relacionados à proteção da infância.

Apesar da gravidade do tema e do alcance do vídeo, parte significativa da grande imprensa ignorou o assunto. O caso mais emblemático foi o Fantástico, tradicional revista eletrônica da TV brasileira, que não dedicou sequer um minuto de sua programação ao episódio. E aqui faço um registro pessoal: assisto ao Fantástico justamente por acreditar que ele sintetiza os principais acontecimentos da semana. Quando um programa com esse alcance deixa de abordar um tema tão urgente, a sensação é de que algo está profundamente errado.

O silêncio não se restringe à Globo. Outros veículos também deixaram passar a oportunidade de aprofundar o debate e oferecer contexto para que a sociedade entenda o tamanho do problema. Não estamos falando de uma pauta de direita ou esquerda. Estamos falando de humanidade, de garantir um ambiente seguro para crianças e adolescentes, longe de qualquer forma de exploração.

Quando a imprensa não cumpre seu papel de expor e investigar, enfraquece a luta contra crimes que afetam os mais vulneráveis. Não basta registrar a denúncia: é preciso sustentar o tema no debate público, fiscalizar as respostas do poder público e cobrar mudanças estruturais.

A omissão, neste caso, é cúmplice. E a proteção da infância que é dever da família, da sociedade e do Estado — também depende de uma imprensa vigilante, que não se intimide nem se omita diante do que realmente importa.

Elias Tavares é cientista político, com pós-graduação em marketing eleitoral e formação em gestão de partidos políticos. Atua na análise do sistema político brasileiro, com ênfase em comunicação eleitoral, estrutura partidária e estratégias de campanha. Tem se dedicado à produção de conteúdo analítico sobre os desafios institucionais do país, o funcionamento do Congresso Nacional e o comportamento do eleitorado. Sua abordagem une rigor técnico, linguagem acessível e compromisso com o debate público qualificado.

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Elias Tavares

Elias Tavares é cientista político, com pós-graduação em marketing eleitoral e formação em gestão de partidos políticos. Atua na análise do sistema político brasileiro, com ênfase em comunicação eleitoral, estrutura partidária e estratégias de campanha. Tem se dedicado à produção de conteúdo analítico sobre os desafios institucionais do país, o funcionamento do Congresso Nacional e o comportamento do eleitorado. Sua abordagem une rigor técnico, linguagem acessível e compromisso com o debate público qualificado.

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  1. Gaspar

    11 de agosto de 2025 4:22 pm

    A linguagem não é tudo, mas é fundamental como dizer as coisas. O tema requer um profundo estudo no que tange a percepção sobre os outros e quais são as variáveis que apontam para este desvio de conduta. Tem um texto que não saberia dizer a referência. Mas, que “abundância de bens ( grifo meu ou falta), a falta de cuidado com os necessitados e a ociosidade ” contribuem para desencadear uma série de outros males!

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