Parem de falar besteiras, se preocupem com a pandemia, por Rogério Maestri

Muitos políticos, blogueiros de direita e de esquerda simplesmente não estão se dando conta que podemos chegar a uma situação de ruptura completa da estrutura social brasileira

Movimentação de idosos no posto da 612 Sul para Vacinação contra Influenza

Parem de falar besteiras comecem a deixar de fazer política de baixo nível e façam como Fernando Brito, se preocupem com a pandemia.

por Rogério Maestri

Vou começar com o básico, se seguirmos nesta tendência de ação coletiva, onde as fofocas entre o Mandetta e o Bolsonaro são mais importantes que a própria pandemia pois temos tudo para chegar a alguns MILHÕES de mortos.

Desde janeiro venho acompanhando a progressão do que era chamado somente coronavírus na China, tenho lido artigos de medicina e observado com cuidado as ações que estão sendo tomadas em todo o mundo, o único país europeu que não adotou a quarentena para sua população foi a Suécia, pois eles pensavam que seu moderno e bem equipado sistema de saúde daria conta da chamada imunidade de rebanho, ou seja, 66% da população ficando imunizada naturalmente pelo vírus conseguiriam deter sem ter que parar o país. Os suecos confiantes no seu governo e na sua petulância nórdica continuavam a ir aos cafés, fracassaram e estão voltando atrás. Tanto os ingleses como os holandeses adotaram a mesma política no início, até que calcularam o número de mortos que teriam, os ingleses chegaram a 250.000 mortos numa população de 55 milhões de habitantes. Quem sabe fazer regra de três pode facilmente chegar a conclusão que com a quarentena frouxa que estamos, teríamos 1.000.000 (um milhão) de mortos.

Como não temos um serviço de saúde como o inglês, e além de tudo a maior parte de nossa população que tem comorbidades do tipo problemas cardíacos e diabetes nem sabe que tem essas doenças, podemos facilmente pegando os dados de uma taxa de mortalidade de 3,4% estimada pela OMS que para no mínimo 50% dos brasileiros chegarmos a um LIMITE INFERIOR de 3.570.000 brasileiros nos próximos seis meses. Porém esse será o limite inferior, se com essa quantidade de mortos toda a infraestrutura hospitalar chegar ao completo desmonte, se com este cenário as cadeias de suprimentos forem rompidas (algo perfeitamente possível), no lugar desses 3,4% podemos atingir os valores que foram atingidos na Itália nos momentos mais críticos (nem colocarei o número).

Muitos políticos, blogueiros de direita e de esquerda simplesmente não estão se dando conta que podemos chegar a uma situação de ruptura completa da estrutura social brasileira e com isso os valores de mortes serão imagináveis por todos. Só vejo em toda a blogosfera brasileira tanto de direita como de esquerda ainda preocupações com o que acontecerá com as eleições de 2022 ou os mais afoitos com as eleições deste ano. Posso simplesmente sem medo de errar as eleições deste ano certamente não ocorrerá e com grande chance de acerto nem as de 2022.

Leia também:  Lula que não muda, não muda a maré, por Ricardo Cappelli

Ao percorrer a nossa imprensa em geral, grande ou alternativa, somente uma pessoa está se preocupando com os dados reais da pandemia, Fernando Brito, do Tijolaço, simplesmente porque jornalistas de direita estão preocupados como o cãezinhos da RCA Victor em ouvir A Voz do Dono e os de esquerda pensam ainda como estavam pensando há um mês.

Ninguém chegou a conclusão correta, estamos indo na direção que ainda nunca fomos, o colapso total da sociedade brasileira.

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4 comentários

  1. Muita gente vem apontando para um cenário de desintegraçao social e um consequente de Estado de Sitio, sobretudo porque percebem que é este o desejo das forças aa direita.

    Em relação aa esquerda partidária, eu jamais soube o que faziam nas tantas sedes por aí a não ser tomar café; nestes dias de quarentena, pergunto, como é que eles tomam um café virtual?

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    • Lucinei.
      Quanto ao estado de sítio e um fechamento total das comunicações e proibição de qualquer ato que eles achem “subversivos” esse cenário está dentro da minha previsão. Porém o que posso dizer que eles tentarão e farão isso, entretanto CERTAMENTE só durará por pouco tempo, pois não esqueça que a tropa tem filhos, irmãos, família em geral, que é impossível de colocar todos dentro de um esquema de proteção.
      Em resumo, declaram Estado de Sítio, prendem todos os potencialmente “perigosos”, mas o Brasil é muito grande e tem muita gente para fazer isso. O Estado de Sitio se durar mais do que poucos meses começará a se deteriorar de dentro para fora, ou seja, da tropa.
      A minha previsão que haverá uma deterioração das forças armadas por completo, quebrando a cadeia de comando, isso tudo sem influência externa. Após essa quebra ou recuam por completo ou simplesmente teremos o fim das Forças Armadas como conhecemos.

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      • Uma variável que não está sendo levada em conta é a atuação das milícias bolsonaristas. Ontem recebi um pequeno vídeo com dezenas de homens disparando armas e gritando frases de efeito. Esses não aceitarão facilmente que o atual ocupante da presidência seja pacificamente apeado do poder.

  2. Rogério, com muita dor no coração, sou obrigada a concordar com você.
    No dia seguinte à vitória eleitoral do bostonaro, no longínquo ano da desgraça de 2018, tive uma espécie de premonição barra pesada. Algo que ia além, muito além das perspectivas sombrias, digamos, “racionais”, que se podiam conceber a partir da eleição de um psicopata genocida, admirador confesso da tortura e do extermínio. O sentimento de horror, quase um pânico, me fez chorar durante horas, escondida dos meus entes queridos para não os alarmar. Até porque seria difícil para mim explicar para eles por que eu estava tão mal.
    Decidi vender todos os meus bens e mudar-me para Portugal, o que acabei fazendo nove meses depois. Moro em Setúbal desde agosto do ano passado. Por sorte, meus filhos e netos estão vivendo aqui comigo.
    Não fiz essa mudança sem muita dor e muita perda – financeira, profissional e afetiva. Adoro o Brasil. Passei aí o Ano Novo e os primeiros vinte dias de janeiro de 2020, quando o Covid ainda era notícia de algo ruim acontecendo na China. As saudades já doíam tão forte…
    Vi com horror a multiplicação dos sem teto nas ruas do Rio e de Salvador, mas tentei me confortar com a ideia de que bostonaro passaria e o Brasil sobreviveria a ele.
    Agora, a pandemia está chegando com tudo, potencializada pela estupidez de bostonaro e bolsominions. Meus piores pressentimentos estão tomando forma, meus piores pesadelos estão migrando para o mundo real.
    Não haverá mais Brasil como eu o conheci, quando um dia afinal eu puder visitar de novo o país que amo tanto.
    Daqui só consigo chorar e doar algum dinheiro para quem enxuga gelo da desgraça por aí.
    Aqui em Portugal, o governo da Geringonça tem feito um bom trabalho – o que estaria sendo feito por Haddad, tivesse ele sido eleito.
    Como é duro saber o tamanho da desgraça que se avizinha em meu país, e não poder fazer nada de significativo para detê-la…

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