Provas reais, por Janio de Freitas

Quando Bolsonaro deu ordem de que ele investigasse todos os partidos, esta ordem seguiu-se ao recebimento de cópia, entregue por Moro, da investigação sobre os ‘laranjas’ do PSL.

Foto: Lula Marques/AgPT

Jornal GGN – Para confrontar revelações do The Intercept, Sergio Moro recorre à terceira linha defensiva em menos de um mês, alerta Janio de Freitas em sua coluna na Folha. Alegando desimportância e normalidade das mensagens reveladas confirmando sua conduta desregrada.

Quando diz não reconhecer a autenticidade das frases, em dubiedade necessária, logo depois apela para a evasão político-sentimento do é ‘vítima de revanchismo’. Mas de quem, pergunta o articulista.

Responde Janio que é daqueles que difundem a mensagem. “Da Folha, do jornal O Globo e da TV Globo, do Estado de S. Paulo, da Veja, dos que por quase cinco anos o trataram como o herói perfeito, intocável e eleitoral?”, questiona o articulista.

Mas não há razão para revanche nessa relação de gratidões mútuas, diz ele. Se não fosse pela imprensa a Lava Jato, seus métodos e suas consequências não seriam como foram. E afirma que as revelações do The Intercept são publicadas de maneira que nega o revanchismo. Parecem mais com mera obrigação, o que ainda protege Moro das proporções de fato merecidas pelo escândalo de sua ação.

Mas se as conversas não surpreendem àqueles que tiveram liberdade crítica na observação a Moro e companheiros, surpreende que ele prossiga na transgressão às normas judiciais, a que dizia estar dedicado. Quando Bolsonaro deu ordem de que ele investigasse todos os partidos, esta ordem seguiu-se ao recebimento de cópia, entregue por Moro, da investigação sobre os ‘laranjas’ do PSL.

Mais uma transgressão de Moro. A investigação estava em segredo de Justiça. E ele, no mesmo modo de investigação subterrânea, teve a mesma conduta de infidelidade judicial.

Suas reações às indagações dos deputados na Câmara foram duas: ou não respondeu, ou disse que sua relação com a Polícia Federal é apenas a de lhe proporcionar condições de trabalho. Para Janio é sinal de que não tinha resposta.

Mas não é assim que a coisa funciona. Além de acompanhar as atividades da PF, o que Moro fez foi entregar a Bolsonaro um relato sigiloso de que tinha conhecimento, assim como das investigações da PF para a Justiça Eleitoral.

“Sergio Moro pode seguir na escalada de escapismos. Mas não detêm impulsos transgressores nem restauram sua imagem fantasiosa. Resta-lhe satisfazer-se com os serviços que prestou e tentar, com eles, a retribuição de uma vaga no Supremo”, concluiu Janio.

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