Fernando Castilho
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.
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Tarcísio e Zema já querem ser mais Bolsonaro que o próprio, por Fernando Castilho

A campanha de 2024 para as prefeituras ainda não começou, mas parece que a de 2026 para a presidência já se apresenta.

Reprodução Redes Sociais

Tarcísio e Zema já querem ser mais Bolsonaro que o próprio

por Fernando Castilho

Com Jair Bolsonaro inelegível por 8 anos e em vias de ser preso preventivamente, investigado, processado e condenado de acordo com o Estado de Direito contra o qual ele tanto lutou, os discípulos do mito já se assanham para ocupar seu espaço na política.

Quem deu o primeiro passo nesse sentido foi Tarcísio de Freitas. Inicialmente imaginava-se que ele iria, com o enfraquecimento da extrema-direita justamente por ter perdido seu símbolo maior, se deslocar para o espectro menos incivilizado da direita, ocupando talvez o espaço deixado pelo PSDB de João Doria, mas ele demonstrou no episódio da chacina produzida pelos PMs do Guarujá, que encarna o discurso de ódio de seu antigo chefe. Resta saber se em 2026 disputará a presidência da República ou procurará se reeleger governador de São Paulo.

Tarcísio não é burro como o capitão. Por isso, vai nestes próximos 3 anos monitorar o governo Lula para medir sua própria força contra o presidente. Se Lula fracassar, ele entra na disputa. Se Lula for um sucesso, ele tentará em 2030, talvez contra seu Jair.

Já Romeu Zema acaba de dar o primeiro e ousadíssimo passo para ocupar o espaço deixado por Bolsonaro.

Ao defender uma frente Sul/Sudeste contra Norte/Nordeste, o governador de Minas Gerais (que não pode concorrer à reeleição em 2026) faz aquilo que o capitão fazia antes de iniciar sua campanha à presidência, ou seja, falar bobagens preconceituosas para atrair aqueles bolsonaristas que gostam de preconceitos e causar polêmica, pois isso é o que alimenta nossa mídia tradicional.

Zema assume um risco alto. Embora o bolsonarismo tenha poucos votos no Nordeste, desprezá-los pode não ser muito inteligente. Porém, é preciso lembrar que mesmo entre nordestinos há quem deteste seus conterrâneos, tanto no Nordeste quanto no Sudeste para onde muitos deles migraram.

A Constituição Federal em seu art. 1º diz que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. Porém, juristas, ao analisar a fala de Zema, não veem nenhum crime. Apesar disso, permanecem o preconceito e a xenofobia como motores dessa proposta, o que pode garantir algum tipo de reprovação pelo STF.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, se apressou a comungar da proposta de Zema, enxergando nela uma oportunidade para também se apresentar como possível herdeiro do espólio político de Bolsonaro, porém, com um viés mais envernizado.

Por enquanto somente Tarcísio, Zema e Leite estão colocando suas cabecinhas para fora. Logo mais, parlamentares como os filhos do capitão e extremistas de direita, integrantes da CPMI do 8 de janeiro e da CPI do MST, começarão a fazer discursos se dizendo mais bolsonaristas que o próprio Bolsonaro.

A campanha de 2024 para as prefeituras ainda não começou, mas parece que a de 2026 para a presidência já se apresenta.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

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Fernando Castilho

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

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