21 de maio de 2026

Reparação política ao governo Dilma, por Francisco Celso Calmon

Seis anos de ilegitimidade democrática. Período em que o Brasil andou que nem caranguejo.
A ex presidente do Brasil, Dilma Rousseff (c) concede entrevista coletiva após ser afastada em definitivo do cargo pelo processo de impeachment, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), nesta quarta-feira (31). Mateus Bonomi/Futura Press

Reparação política ao governo Dilma

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por Francisco Celso Calmon

Jango teve o seu mandato simbolicamente devolvido quase 50 anos depois. E quanto ao da Dilma, quando haverá a redenção?

Dilma deveria ter participação ativa na composição do governo Lula, e, como escrevi em 07 de novembro neste espaço, é quem deve passar a faixa presidencial, como a legítima governante até o seu fraudulento impeachment.

Seu governo foi interrompido por um golpe, com STF e tudo mais, em maio de 2016. E daí o processo golpista seguiu sem interrupção, com a lava jato, Temer e sua ponte para o futuro (teto de gastos, reformas contra os interesses dos trabalhadores), prisão de Lula, derrota de Haddad numa eleição repleta de irregularidades (fakenews e intimidações), vitória do Bolsonaro e do seu projeto de neoliberalismo extremado, antipatriótico, antipovo, de natureza ideológica nazifascista.

Seis anos de ilegitimidade democrática. Período em que o Brasil andou que nem caranguejo.

Doenças, mortes, fome, miséria, desemprego recorde, pobreza estremada, concentração de renda aumentada, sequestro do Estado pelo capital financeiro, fomento do ódio gerando violências e assassinatos – um genocídio híbrido.

O Estado democrático de direito esquartejado, com um governo genocida e entreguista, instituições amedrontadas e acovardadas, corrupção institucionalizada nas forças armadas e no Congresso, e o Brasil como pária internacional.  

Bolsonaro, além de ter sido o hedonista da vagabundagem, foi também o rei da canalhice, com uma corte de cafajestes, e cometeu diversos crimes de improbidade administrativa e outros delitos dolosos, com mais de uma centena de pedidos de impeachment, conseguiu sobrevir através da criação do orçamento secreto promiscuindo a independência entre os poderes.

Para isso, contou com o jagunço das Alagoas, que age como uma serpente e nutre uma ambição golpista de parlamentarismo.

Lula já passou fome, já foi preso, já foi mordido pelas cobras que indicou para o Judiciário, e mesmo assim se arrisca novamente, cercado de inimigos da democracia.

Sim, por que quem participou do golpe ao governo Dilma é inimigo da democracia.

A vitória apertada de Lula em 2022 será o início da redenção da Dilma e de seu governo?

Os tutores da nação – mercado, forças armadas e tudo o mais – permitiram a eleição do Lula, desde que com Alkmin, governar, desde que à direita, desmilitarização do governo, desde que indiquem os comandantes, soberania, desde que em parcimônia com os EUA?

A eleição da Dilma simbolizou a vitória da nossa resistência à ditadura militar, a constituição da Comissão Nacional da Verdade no seu governo significou o inicio da implementação da Justiça de transição.   

Tornou-se alvo dos militares e de seus parceiros golpistas.

Era uma questão de tempo o golpe. Mais uma vez não foi preparada a resistência.

Quando ela se deu conta dos erros, trocou o ministro da fazenda, e também que era necessário resistir, nomeou Eugênio Aragão para o Ministério da Justiça, contudo, a sociedade civil já estava dividida e caiu no conto das pedaladas fiscais, tão idiotas e falsas como o teto de gastos.

Pedaladas fiscais, teto de gastos, orçamento secreto, lawfare, e demais armas híbridas de golpes, se não forem desmontadas e criarmos diques de resistência, continuarão a impedir a consolidação de uma democracia de bem-estar-social.

Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br.

Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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  1. André calmon

    5 de dezembro de 2022 7:18 pm

    Muito bom o artigo. Concordo com a idéia.

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