SitRep BolsoNazi – SET/2017, por Arkx

Gerado pelo cruzamento da crise econômica com a crise de representação e eleito como candidato anti-sistema, Bolsonaro já não tem como disfarçar com fake news a verdade de ser nada menos do que ainda muito mais do mesmo.

SitRep BolsoNazi – SET/2017, por Arkx

06/09//2019

um ano depois da facada sem sangue:

– como o conservador, liberal e mineiro Pedro Aleixo já alertara quando da assinatura do AI-5, na fatídica sexta-feira 13/12/1968: a questão é quando o “guarda da esquina” age como se portasse em suas mãos a presidência;

– só que ela agora de fato está em suas mãos: Bolsonaro é enfim o “guarda da esquina” no topo da hierarquia;

– quando fracassaram eleitoralmente todas as máscaras de civilização de uma sempre bárbara lumpenburguesia brasileira, colocando ao chão Alckmin, Dória, Amoedo e Luciano Huck, os Porões da Ditadura receberam passe livre para se alojarem em pleno Palácio do Planalto;

o Capitão do Mato assumiu como encarregado da gestão da Casa Grande, num grotesco, macabro e revelador sintoma da falência política da classe dominante brasileira.

o governo BolsoNazi não é um governo de si, por si e para si:

– o mesmo grande empresariado antes patrocinador da OBAN (Operação Bandeirantes) foi também o financiador de sua campanha eleitoral, como investimento ter um retorno altamente rentabilizado na forma de expropriação da renda e do patrimônio públicos;

– sempre foram muitos em nossa História os “Cidadão Boilesen”, uma síntese emblemática do estrangeiro naturalizado brasileiro, para otimizar um projeto extrativista espoliador somente viabilizado pela tortura sistemática do Brasil, tanto do povo quanto da natureza;

– a completar seu nono mês de gestação, da aliança diabólica entre a Tirania Financeira Global e a Teocracia Neo-Pentecostal já são muitos os ovos paridos por suas abomináveis serpentes: Capitalismo e Fascismo não vivem um sem o outro, assim como o Capital se alimenta da mais-valia e o Fascismo da violência.

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continência se bate à patente superior:

– o clã Bolsonaro muito bem se sabe como uma última cartada eleitoral do setor dominante brasileiro, o qual decididamente não morre de amores pelo Capitão-Presidente e seus Três Primeiros-Filhos;

– subservientes, carreiristas, bajuladores, fisiológicos e incompetentes, precisam estar sob o guarda-chuva de algum poderoso chefão;

– e agora, quando se pegam na condição de serem eles o “poderoso chefão”?

– não é apenas a coerência política o motivo de Bolsonaro se atirar nos braços dos EUA de Trump e bater continência à bandeira norte-americana, trata-se de necessidade de sobrevivência imposta pela lógica hierárquica da Famiglia: obedecer e servir com lealdade para merecer como recompensa a proteção;

– encarregado da gestão da Casa Grande, o Capitão do Mato dispensa os intermediários locais e faz seus negócios diretamente com a matriz: mais vale uma embaixada em Washington.

acabou o amor, o Brasil virou um inferno:

– gerado pelo cruzamento da crise econômica com a crise de representação e eleito como candidato anti-sistema, Bolsonaro já não tem como disfarçar com fake news a verdade de ser nada menos do que ainda muito mais do mesmo;

– seu capital eleitoral inflacionado pelo anti-petismo velozmente encolheu à circunscrição limitada de sua real base social;

– sem nenhuma medida concreta acerca de pouca renda e muito endividamento, as duas mais urgentes demandas de uma população asfixiada pelo austericído ultraliberal ainda se aprofundando, o Brasil afunda nos círculos profundos do inferno;

– para atender os interesses de alguns poucos a quem serve, as expectativas de todos os demais eleitores de Bolsonaro com rapidez vão sendo sacrificadas, resultando em frustração, desespero, raiva e revolta.

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há uma insurreição que vem?

– como sempre é o espectro desta pergunta rondando o pior dos pesadelos da lumpenburguesia brasileira, por isto ela soube avaliar corretamente Junho de 2013, ao contrário de sua contra-parte, a Ex-querda;

– por isto mesmo, desde Junho de 2013 temos em marcha uma uma contra-revolução, justamente para disciplinar a energia da revolta antes dela se configurar numa onda revolucionária;

– não é outro o motivo da obsessão do regime BolsoNazi quanto ao controle das “camadas sociais perigosas”: os sem emprego, sem teto e sem terra, a juventude e os artistas, os negros e as mulheres, os moradores das periferias e os povos da floresta, os LGBT e os “loucos”, todos os desviantes, todos aqueles que não cabem no modelo a eles designado, todos aqueles que se tornaram supérfluos, excedentes e descartáveis;

– todos aqueles cujo desejo por um outro modo de viver os tornam o pior dos inimigos internos,  alvos prioritários da Doutrina de Segurança Interna para que a Lei e a Ordem estejam garantidas ao grande Capital;

– para a contra-insurreição não basta matar a revolução no nascedouro, é preciso permanentemente abortá-la: o que está em disputa não é o presente, e sim o futuro.

a estética é a ética do futuro:

– é sempre na arte e na cultura o aflorar dos primeiros sinais de mudanças profundas, ainda não materializadas nas relações sociais mas já ganhando corpo nos corações e mentes da população;

– está aberta a temporada de caça. nós somos a caça. e a temporada só encerra quando estivermos todos mortos. não tempos opção, a não ser lutar por nossas vidas;

– o fascismo precisa ser decapitado e suas lideranças devem ser enterradas… vivas;

– não será nenhuma liderança messiânica quem nos guiará através do vale das sombras da morte, tampouco faremos esta travessia movidos pela paz e o amor;

– ao lema sinistro da necropolítica, “Viva la Muerte!”, nosotros devemos bradar: “Muera la Muerte! Gracias a la Vida!”.

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1 comentário

  1. – no caso de Israel a lógica seguida é a mesma de com Brother Sam, através da aliança com o povo eleito receber as benções de quem manda, o Senhor dos Exércitos: o Todo-Poderoso Ele próprio.

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