Só faltou dar vivas ao rentismo.
por Francisco Celso Calmon
“O sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro como ganha no nosso governo. Os empresários nunca ganharam tanto dinheiro como ganham no nosso governo”, declarou Lula nesta segunda feira passada, dia 9 de fevereiro.
Esta declaração do Presidente, com certo ufanismo e satisfação, é de arrepiar os cabelos da esquerda socialista.
Deveria se envergonhar e não exaltar o mesmo de sempre dos seus governos: falam muito em justiça social e fazem pouco.
As alíquotas do IR são vergonhosamente complacentes com os ricos, o salário-mínimo é ridículo, é inconstitucional, pois não cobre as despesas básicas elencadas pela Constituição.
Contudo, é a estampa dos governos Lula, migalhas para os despossuídos e um tantão para os endinheirados.
Em relação e em proporção aos demais países, o rico não paga quase nada e os pobres muito, até em relação ao país mais capitalista, os EUA.
No sistema capitalista o dinheiro não dá nas árvores, é produto do capital e do trabalho; não há mágica, a equação é simples: se o capital fica com muito é porque o trabalho fica com pouco.
Declarações como estas que o presidente fez e amiúde faz semelhantes é uma péssima pedagogia, porque vai passando para o povão como natural e até algo para comemorar em vez de enlutar, indignar e provocar ações no sentido de combater tanta injustiça. Em lugar disso, vai enaltecendo a sua capacidade de gestor do capitalismo.
Só falta os lulistas pelegos começarem a torcer para o seu Banco preferencial ser o primeiro do ranking dos lucros financeiros.
O capital financeiro é estéril, não produz riquezas, só suga e encarece a linha de produção e as dívidas do governo.
O ganho foi muito mesmo, Presidente, graças aos seu pupilo, Galípolo, com o terceiro maior juros reais do mundo, atrás da Turquia e da Rússia.
E Galípolo não está satisfeito com a autonomia, quer a independência do BC, ou seja: um Quinto Poder independente da soberania popular.
“É muito importante cuidar do Banco Central”, afirmou Hadad, ao argumentar que a autarquia pode tanto contribuir para o desenvolvimento quanto causar prejuízos relevantes aos governos e ao país, a depender de sua atuação.
E um afirmação que sublinha o risco de um BC independente do governo.
Felizmente para o governo e infelizmente para os trabalhadores, os sindicatos em sua maioria são dominados pela elite pelega e burocrática da classe.
É lamentável que a minha geração de combate à ditadura e da redemocratização, lembre com tanta saudade o governo de João Goulart. Porque o Jango mobilizava as massas, enquanto o atual mobiliza somente os de auditório.
Demos a nossa juventude e a nossa vida pra isso? Não caminha nem para a social-democracia e nem para o socialismo.
Caminha para onde?
Para as avenidas do capitalismo sob o chão das fábricas, reforçando e reafirmando a alienação do trabalho sobre o produto que gera.
O que devemos fazer para o Lula 4 ser um governo efetivamente de mudanças estruturais em favor do povo trabalhador?
Mesmo que, e oxalá consigamos, melhorar o Congresso, sem mobilização da sociedade continuaremos a claudicar.
Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.
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Gaspar Alencar
12 de fevereiro de 2026 4:59 pmO filme, O Capital de Costa-Gravas, a cena final, reflete o texto de Calmon!
Milton
15 de fevereiro de 2026 8:30 amNão se espere de Lula nada mais do que o feijão com arroz básico para a manutenção do permanente estado de abuso do andar de baixo. Festejaram a alíquota de 2% aos bilionários mas esqueceram que o trabalho é taxado em até 27,,5 %. Cinismo puro a ser despejado sobre a massa salarial. É a festa dos sinhozinhos e a chibata sobre o trabalhador. Lula faz um governo desbalanceado a favor de uma minoria intocável. Lula não tem audácia alguma e apenas trafega pelo centro como sempre foi. Por isso é aceito pela classe dominante. O povaréu é manobrado pelos “noticiários” televisivos que garantem a normalização do abuso .