21 de maio de 2026

Soberania não é exercício de futurologia inconsequente, por AASusin

Sem um compromisso sério, estaremos sempre construindo cenários que avançam fora do alcance da nossa sociedade
Reprodução

Comentário ao post: “Brasil e os Semicondutores: A Hora da Soberania Tecnológica, por Luís Nassif

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Soberania não é um exercício de futurologia inconsequente, por AASusin

O título do artigo é irresistível para um professor aposentado que há meio século está neste setor. Foram entretanto os comentários dos leitores, em especial o de Mogar Dreon Gomes Filho, que me motivaram a participar. A visão de longo prazo só se tornará realidade se provocar ações adequadas, entre elas a Educação Básica de qualidade e projetos nacionais exequíveis implementados sem interrupção. Os quadros de qualidade da Educação Básica mostram o Brasil entre os últimos países. Admitamos que o nosso Ensino Superior seja de qualidade. Sem um compromisso sério, estaremos sempre construindo cenários que avançam fora do alcance da nossa sociedade, como um exercício de futurologia inconsequente. Poderemos ter, pontualmente, trabalhos estado da arte para problemas que interessam a outros.

Houve um tempo em que o Brasil projetava a instalação de três foundries de ponta. Meio século após, o país não consegue operar uma fábrica do passado. Sejamos sinceros, um país do porte do Brasil não merece isso. É um atestado de que não se leva a sério o problema, mesmo que altos escalões afirmem o contrário. A quem interessa que o país não se desenvolva? Nesta linha estão as iniciativas que acontecem esporadicamente de cursos de especialização para a formação de projetistas de circuitos integrados, em vez de implantar o ensino de microeletrônica nos cursos regulares de formação superior. E até técnica.

Tive ocasião de interagir com diversos grupos do país nos projetos de pesquisa, inclusive com professores dos laboratórios de microeletrônica da USP e Unicamp e testemunhei seu empenho pelo desenvolvimento da área. Aqui no sul optamos pelo design, aproveitando a sinergia elétrica-informática, e conseguimos disseminar a formação em várias instituições. Na década de 80, quando alguns diziam “país que não fabrica circuito integrado, não tem que se preocupar em projetá-los”, projetamos um microprocessador RISC. O aluno foi depois para o Vale do Silício e lá ficou, como muitos de nossos alunos Brasil afora. O CEITEC mesmo foi, há algum tempo, ao lado da fábrica, uma grande design house.

Como mencionado em outros comentários, eu também espero que meus filhos e netos vejam dias melhores. A constante de tempo de uma sociedade é grande. Poderá ser um pouco menor se conseguirmos dar nossa contribuição, colocando energia na direção certa.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Comentários fechados.

Recomendados para você

Recomendados