Terrorismo evangélico
por Ricardo Mezavila
No Brasil não há uma guerra santa estilo Jihad, travada contra os inimigos da religião muçulmana, muito longe disso. A guerra santa brasileira é motivada por um grupo de falsos religiosos covardes e corruptos que se denominam pastores, que servem ao dinheiro acima de tudo e de todos, inclusive acima de Deus.
Há algumas décadas, os casos mais graves do dualismo entre lados opostos, o bem e o mal, eram as violações da liberdade religiosa com invasões a terreiros de umbanda e candomblé. O modus operandi não variou muito, mas os perseguidos passaram a ser, além de outras tradições religiosas, os partidos de esquerda, militantes, apoiadores e seus símbolos.
Para os extremistas evangélicos, eliminar petista é uma missão suprema, divina e dogmática. A esquerda é vista como anticristã, o demônio comunista que veio para destruir os conceitos conservadores da família, gerar incongruência de gênero capaz de transformar seus filhos em uma ‘aberração’.
O discurso conservador enfatiza a ordem moral e a continuidade dos costumes, que na verdade é a preservação do poder do patriarcado sexista fundamentado em sinistras e convenientes interpretações da bíblia.
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A guerra santa é um recurso extremista que as grandes religiões monoteístas têm usado ao longo da história para proteger o que consideram ameaça aos seus dogmas e a seus lugares sagrados. O lugar sagrado dos ‘nossos’ extremistas é a bancada evangélica no Congresso Nacional.
O que acontece dentro de uma igreja neopentecostal, Assembleias, Universais e afins, são atividades de demonização de partidos de esquerda como PT, PSOL e PC do B, declarados ímpios. Em época de eleição os cultos viram palanque político que influenciam o voto em candidatos da direita e extrema direita fascista.
O terrorismo evangélico se fundiu ao bolsonarismo com motivações e propósitos cristãos impregnados de ódio para suas ações políticas. Uma dessas ações aconteceu em Foz do Iguaçu, quando um bolsonarista aos gritos de “Aqui é Bolsonaro”, matou um petista. Esse ato de terrorismo é comum aos extremistas do Estado Islâmico que matam aos gritos de “Alá é grande”.
Ricardo Mezavila, cientista político
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