Tudo que é puro no Brasil, destrói: a lição de Bolsonaro, por Francy Lisboa

A lógica de destruição do outro mostra, através de Bolsonaro, que a única forma do Brasil voltar a ter normalidade institucional é por meio de um governo em que TODOS GANHEM e não apenas um ou outro.

Tudo que é puro no Brasil, destrói: a lição de Bolsonaro, por Francy Lisboa

Os primeiros cinco meses de governo Bolsonaro mostram que a lição vem sendo timidamente aprendida por aqueles que depositaram ódio nas urnas ao invés de esperança. De todos os espantalhos criados, volta do comunismo, bolivarianismo, marxismo cultural, o que vem se percebendo é o cansaço do uso da carta coringa que invoca o PT para qualquer situação de embate.  Nem mesmo a tentativa de alinhar luslismo ao Bolsonarismo, tática comum de porta-vozes da mídia, está colando.

Tudo está muito recente e qualquer tentativa de se desvencilhar da tomada do poder pelo Bolsonaro é imediatamente lembrada como oportunismo pelo resgate de textos, gestos, e palavras ditas durante a última campanha eleitoral.

O didatismo da vitória, e consequente desastroso governo Bolsonaro, é reforçado pela caracterização cada vez mais clara da Lava-Jato como projeto de poder politico. Não há como negar que os fatos que vêm se desenrolando atestam muito mais as antes ridicularizadas teorias petistas de perseguição política. Talvez seja esse o único e maior incômodo de todos aqueles que, de forma clara ou sutil, da Direita e da Esquerda, contribuíram para a demonização da Política por meio da atribuição de todos os males brasileiros a um único partido

A demonização da atividade política, que hoje vemos não é o forte do presidente da República, foi a morte, ou o esvaziamento, daquilo que parece ser a única forma do Brasil voltar a ser respeitado como nação. A ideia que só existe salvação se for a da política está totalmente ligada à ideia de que existe um nós contra eles.

Leia também:  Frente Ampla, por Wilson Ramos Filho, Xixo

O famoso nós contra eles atribuído a Lula inúmeras vezes é, na verdade, fruto do discurso demonizador da política, que tem no Bolsonarismo seu ápice, e não da retórica do ex-presidente. Nesse sentido, a Esquerda tem sua parcela de culpa porque acha que a saída para o Brasil é que para as classes baixas emergirem é preciso destruição do chamado Mercado representado pelos bancos e mídias corporativas. Da mesma forma, a Direita acha que o caminho do desenvolvimento é a perda de direitos e destruição do pensamento socialista.

A lógica de destruição do outro mostra, através de Bolsonaro, que a única forma do Brasil voltar a ter normalidade institucional é por meio de um governo em que TODOS GANHEM e não apenas um ou outro. Os bancos podem lucrar bilhões, sim! Desde que as pessoas escalem socialmente (por meio de politicas públicas e privadas) e tenham a estabilidade financeira florescida de forma a criar expectativas positivas para as futuras gerações. Se alguém acha que isso é um absurdo, é um fanático esquerdista ou direitista.

Porém, há um ponto em que o angu cria caroço no Brasil. Como fazer para todos ganharem se para isso é preciso fazer política e escutar todos os lados, atitude interpretada como politicagem, corrupção, por nove entre dez brasileiros? É chegada a hora da morte do moralismo purificador porque esse é o motor da desordem brasileira, da lógica de destruição instrumentalizada, aquela utilizada toda vez que se quer destruir quem quer que seja.

Leia também:  Lados opostos, a mesma estratégia, por Ricardo Cappelli

Bolsonaro e sua eleição ensinam aos brasileiros de forma literal que a bandeira da luta contra corrupção deve sempre ser olhada com desconfiança porque tudo que é pura no Brasil, destrói.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora