A vitória de virada da Arábia Saudita sobre a Argentina por 2 x 1 foi histórica. Os sauditas nunca haviam vencido em uma estreia de Copa do Mundo. A imprensa esportiva já trata o placar como o maior resultado do futebol do país do Oriente Médio. No entanto, outra cena chamou a atenção em termos de geopolítica.
O emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, foi flagrado comemorando a vitória com uma bandeira da Arábia Saudita.
Ocorre que, nos últimos anos, a relação diplomática do Catar com a Arábia Saudita, e o resto do Golfo Pérsico, estava estremecida.
Em 2016, seis países da região impuseram sanções econômicas ao país-sede desta Copa. Junto da Arábia Saudita, Egito, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Líbia, Iêmen e Maldivas participaram do bloqueio comercial.
À época, o reino de bin Hamad foi acusado pelos vizinhos de apoio a grupos terroristas. Principalmente Abu Dhabi, que não aprovava a posição de Doha em relação ao Hamas e à Irmandade Muçulmana, por exemplo.
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O rompimento duraria três anos e meio. A relação do Catar com o resto do Golfo Pérsico só voltaria a acontecer no começo de 2021. Naquele momento, a movimentação foi resultado de articulações do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O americano buscava agregar alianças no Oriente Médio em torno de Israel, na tentativa de isolar politicamente o Irã, com que Trump teve richas em torno do enriquecimento de urânio da teocracia islâmica. Tradicionalmente, a Arábia Saudita é a maior aliada dos estadunidenses na região.
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