O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou em nota, nesta terça-feira (20), os ataques sofridos pelos palestinos em territórios da Cisjordânia invadidos por assentamentos israelenses.
Nesta terça, Zakaria Mohammed Al-Zaoul, de 20 anos, um jovem palestino, foi morto pelas forças de ocupação israelenses na cidade ocupada de Beit Lahm com vários tiros na cabeça.
Se trata da sétima morte de palestinos em meio a uma escalada de violência depois que o Exército Sionista matou seis árabes e deixou outros 100 feridos em Yenin, entre domingo e ontem.
Estão internados em estado grave 22 pessoas, e o número de mortos pode aumentar. A maioria é de jovens palestinos que protestavam contra a ocupação militarizada do território de seu povo e a intenção dos israelenses de aumentá-la.
O grupo de resistência Brigadas Al-Quds respondeu às tropas do Exército israelense, que contavam com helicópteros. Sete soldados israelenses ficaram feridos surpreendidos pela emboscada.
As estimativas da ONU indicam que cerca de 700 mil colonos vivem em 164 assentamentos e 116 postos avançados na Cisjordânia ocupada. Os mais recentes planos do governo de Israel envolvem a expansão dos assentamentos.
Deter e reverter
O secretário-geral da ONU instou o governo de Israel a “deter e reverter” as últimas decisões a respeito dos assentamentos. Guterres se refere à natureza destes últimos eventos violentos para conter a revolta dos palestinos.
Israel pretende modificar os procedimentos de planejamento dos assentamentos, instalados em áreas pertencentes à Palestina. “Os assentamentos são uma violação flagrante do direito internacional”, disse Guterres.
Segundo fontes de saúde árabes, cerca de 130 palestinos morreram este ano como resultado da violência sionista, incluindo 22 menores.
Atualmente, quase 6 milhões de palestinos vivem dentro e fora de 58 campos de refugiados em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria, nestes últimos países em condições muito precárias, dada a tensa situação nacional.
Entrave para a paz
Para o secretário-geral da ONU, os assentamentos são entraves para uma solução de dois estados com paz duradoura. “A expansão dos assentamentos é um importante impulsor das tensões e da violência e aprofunda as necessidades humanitárias”.
Guterres se mostrou alarmado com o avanço previsto para a próxima semana de mais de 4 mil casas nos assentamentos por parte das autoridades de planejamento israelenses.
O governo israelense anunciou ainda novas licitações para construir 4.500 unidades de assentamentos em assentamentos existentes na Cisjordânia. Diante dos planos, os palestinos que vivem nos territórios ocupados reagiram.
Refugiados
Em face do Dia Mundial das Pessoas Refugiadas, a ONU denunciou nesta terça, em informe ao Conselho de Direitos Humanos, que os palestinos representam a quinta parte da população em situação de deslocamento no mundo.
É também o grupo populacional que mais tempo permanece nesse estado. O pior: essa situação de deslocamento dos palestinos ocorre em boa medida no próprio território ocupado militarmente e com assentamentos por Israel.
A diretora-executiva na Espanha da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA), Raquel Martí, mostrou que 93% das pessoas refugiadas da Palestina vivem abaixo da linha da pobreza.
“Depois de 75 anos, não podemos deixar que esses 6 milhões de pessoas caiam no esquecimento. É hora de a comunidade internacional agir para reverter essa situação”, declara Martí.
Em 1948, após a guerra árabe-israelense que levou à criação do Estado de Israel, mais de 700.000 palestinos foram expulsos de suas casas no que é conhecido como “Nakba” ou catástrofe, em árabe, que se multiplicou, dando origem a uma das crises de refugiados mais antigas do mundo.
Demolições
Por sua vez, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) reporta que pelo menos 9.537 edifícios palestinos foram demolidos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental pelas autoridades israelenses.
Sendo assim, desde 2009 até este ano, as demolições de casas causaram o deslocamento forçado de cerca de 13.795 pessoas.
Violações contra a sociedade civil
A presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados, Navi Pillay, denunciou que Israel comete a maior parte das violações do direito internacional registradas nos territórios palestinos ocupados.
As violações ocorrem especialmente contra a sociedade civil, sobretudo contra os direitos de liberdade de associação, expressão e reunião pacífica, bem como uma série de direitos econômicos, sociais e culturais.
Pillay enfatizou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em seu informe, que “a maioria das violações são cometidas pelas autoridades israelenses como parte do objetivo do governo israelense de consolidar sua ocupação permanente à custa dos direitos do povo palestino”.
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