O gabinete de segurança e assuntos políticos de Israel aprovou, nesta sexta-feira (8), o plano do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para ocupar toda a Faixa de Gaza. A operação terá início pela Cidade de Gaza, capital do território palestino, onde vivem cerca de 1 milhão de pessoas. A proposta, aprovada após quase dez horas de deliberação, inclui a retirada da população local.

Segundo comunicado oficial, “a maioria absoluta dos ministros do gabinete acreditava que o plano alternativo apresentado não alcançaria a derrota do Hamas nem o retorno dos reféns”. Ainda conforme o plano, Israel pretende estabelecer um “perímetro de segurança” e não anexar Gaza formalmente.
A aprovação, no entanto, acentuou divisões políticas dentro de Israel, provocou protestos em massa e gerou uma avalanche de críticas da comunidade internacional. O líder da oposição israelense, Yair Lapid, classificou o plano como “completamente contrário à posição das Forças Armadas e do establishment de defesa, sem levar em consideração o esgotamento e a exaustão das tropas de combate”.
Cinco pilares para o “dia seguinte”
O plano do gabinete israelense estabelece cinco princípios como base para o fim da guerra:
- Desarmamento do Hamas
- Retorno de todos os reféns sequestrados — vivos ou mortos
- Desmilitarização da Faixa de Gaza
- Controle de segurança israelense sobre Gaza
- Estabelecimento de um governo civil alternativo que não seja nem o Hamas nem a Autoridade Palestina
ONU e potências globais alertam para risco de catástrofe
As reações ao plano foram imediatas. O chefe de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Volker Turk, alertou: “Com base em todas as evidências até o momento, essa nova escalada resultará em deslocamentos forçados mais massivos, mais mortes, mais sofrimento insuportável, destruição sem sentido e crimes atrozes”. Para ele, a guerra precisa terminar agora, com libertação imediata de reféns e detidos arbitrários, e o acesso irrestrito da ajuda humanitária à população palestina.
De Londres a Pequim, passando por Genebra, Bruxelas, Moscou, Amã, Madri e Camberra, as críticas ao plano foram duras e, em muitos casos, unânimes. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, instou Israel a “reconsiderar imediatamente”, defendendo uma solução de dois Estados. O Egito, que atua como um dos mediadores do conflito, reforçou sua “rejeição categórica” ao deslocamento de palestinos.
Risco aos reféns e acusações de crime de guerra
O grupo Hamas afirmou que a decisão de Israel de ocupar a Cidade de Gaza configura um “crime de guerra”. Em comunicado divulgado na quinta-feira, acusou Netanyahu de estar disposto a “sacrificar” os reféns remanescentes em troca de ganhos políticos pessoais. O político palestino Mustafa Barghouti também denunciou o plano como “limpeza étnica”.
Desde o início da guerra, mais de 61 mil palestinos morreram em Gaza, segundo fontes locais. O conflito eclodiu após o ataque do Hamas em solo israelense, que resultou na morte de 1.200 israelenses e no sequestro de cerca de 250 pessoas.

JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
9 de agosto de 2025 7:33 amO Netanyhoror ainda vai conseguir que destruam Israel.