O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (21) a extensão por tempo indeterminado do cessar-fogo nas operações militares contra o Irã. A decisão, comunicada por meio da rede social Truth Social, ocorre poucas horas antes do vencimento da trégua anterior, mas não alivia a pressão sobre o regime persa: o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico do comércio global de petróleo, permanece ativo.
Segundo o republicano, a medida atende a pedidos diplomáticos do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e do chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que atuam como mediadores. Trump justificou a prorrogação apontando uma suposta instabilidade interna em Teerã que impediria o avanço de um acordo definitivo.
“Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado — o que não é inesperado — e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao país até que seus líderes e representantes consigam apresentar uma proposta unificada. Diante disso, determinei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e capazes, e, portanto, estenderei o cessar-fogo até que tal proposta seja apresentada e as negociações sejam concluídas, de uma forma ou de outra”, escreveu o presidente.
Impasse diplomático e ceticismo iraniano
Apesar do aceno à diplomacia, o clima de desconfiança persiste. Em Teerã, Mahdi Mohammadi, assessor da cúpula do Parlamento iraniano, minimizou a relevância do anúncio e sugeriu segundas intenções por parte de Washington. Para o assessor, a prorrogação da trégua é uma “manobra para ganhar tempo para um ataque surpresa“.
O impasse resultou no cancelamento da viagem do vice-presidente, J.D. Vance, a Islamabad, prevista para esta terça. Vance lideraria uma delegação para a segunda rodada de negociações presenciais, após um primeiro encontro em 12 de abril terminar sem consenso sobre o programa nuclear e as sanções econômicas. A Casa Branca informou que a missão foi adiada sem nova data definida.
Pressão interna e popularidade em queda
A gestão da crise no Oriente Médio ocorre em um momento de fragilidade política para Trump. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta semana aponta que a aprovação do presidente estagnou em 36%, o nível mais baixo desde sua posse em janeiro de 2025.
O desgaste é atribuído principalmente à alta nos preços dos combustíveis, reflexo direto do conflito iniciado em fevereiro, e a questionamentos sobre a estabilidade do presidente.
O levantamento indica que apenas 26% dos americanos consideram o republicano, de 79 anos, uma figura equilibrada, visão compartilhada por apenas metade de sua própria base partidária.
Atualmente, o apoio à intervenção militar contra o Irã divide o país, com 36% de aprovação entre os eleitores.
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