A divisão mudou, mas não acabou

Por Geraldo dos Santos Pedro

Ref. ao post O fim do lulismo e do fernandismo

Pensar no fim do Lulismo e do FHCismo nestes termos é como pensar no fim do debate entre esquerda e direita; entre o pensamento liberal – neoliberal – e o socialista; entre progressistas e conservadores.

Enfim, penso que seja um grande equívoco, já que, dificilmente, desde o ápice da ditadura nos anos sessenta – precisamente o momento em que foi decretado o AI-5 – houve momento mais polarizado do que este que vivemos.

As últimas eleições não me deixam mentir. A pauta da Bienal da Une reflete tão somente uma qualificação maior do debate político no âmbito da esquerda.

De fato, o discurso marxista, e depois dele, o discurso marxista gramsciliano, que encantaram gerações no passado, tiveram que se aprimorar incluindo aspectos pelos quais Marx e Gramsci não dão conta: negros, gays, religiões, etc. Aquilo a que alguns sites de direita chamam de esquerda gayzista, atéia, bolivariana, maconheira, lulista petralha, negra, comunista leninistra trotskista do fórum de São Paulo.

É possível dizer que diante de uma certa fragmentação dos discursos, consequência direta dessa melhor qualificação, não há um líder que represente essa esquerda hoje.

Isso é fato. Mas não se pode dizer, contudo, que essa liderança não possa mais surgir. Eu aposto as minhas fichas no Haddad.  

No âmbito conservador não se pode negar que Aécio Neves ocupa a posição de líder. Sim, ele incorpora toda a pauta neoliberal e reacionária, inclusive com grande lastro fascista. É um anão, frente a FHC. Não agrega em torno de sua figura débil de playboy, fanfarrão, mas incorpora todo o discurso da direita que apostou suas fichas contra essa esquerda, materializada em Dilma e na distribuição de rendas que tanto ódio gerou nesses segmentos conservadores.  

Leia também:  Blogueiros bolsonaristas investigados por atos antidemocráticos apoiam invasão do Capitólio

O Congresso de Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Jair Bolsonaro, reflete majoritariamente uma vitória temporária do conservadorismo – que não espelhou vitórias em candidaturas majoritárias, diga-se de passagem, – tem também em Jean Wyllys, um representante dessa esquerda gayzista, atéia, bolivariana, maconheira, lulista, petralha, negra, comunista, leninistra, trotskista, do fórum de São Paulo.

Temos que reconhecer.

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20 comentários

  1. Os canalhas também envelhecem

    Há cerca de 22 anos ouvi de um professor a frase que dá título a esse texto e jamais a esqueci.

    Não tenho nenhuma dúvida de que ele a ouvira em algum lugar e adotou.

    Somente algum tempo depois percebemos, eu e mais três colegas, que ele próprio foi um dos grandes canalhas com quem tivemos oportunidade de conviver mais de perto por algum tempo.

    Sem saber, ao dizer aquela frase, que até hoje nunca ouvi de outra boca, ele me ajudou a entender melhor gente como ele.

    Vejo na imprensa a seguinte declaração de Fernando Henrique Cardoso:

    “No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais. Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas”.

    Em uma matéria do Brasil 247, lê-se:

    “Bem ao seu estilo de não comprometer-se diretamente com seus próprios atos – até hoje FHC não admite que teve qualquer responsabilidade no apagão energético ocorrido em seu governo -, Fernando Henrique não admitiu, inicialmente, que o pedido do parecer tivesse sido uma iniciativa de um funcionário do Instituto FHC. Mas foi descoberto”.

    A matéria se reporta ao parecer do advogado tributarista Ives Gandra em que ele diz que “existem elementos jurídicos para o impeachment de Dilma Rousseff”.

    Quem poderia esperar um parecer jurídico de tamanha leviandade de um advogado renomado aos 80 anos?

    Importou-lhe saber que o seu parecer representa tão somente uma peça que se pretende incorporar ao planejamento do golpe do impeachment da presidenta que tomou posse há apenas 1 mês e sobre cuja integridade não paira nenhuma dúvida?

    Ele sabe que o seu parecer tem somente esse objetivo.

    Não lhe incomodou sequer a possibilidade de chamuscar a sua credibilidade pela contestação do seu parecer por outros profissionais, como já o fizeram vários advogados, entre os quais Fabio de Sá e Silva, Percival Maricato  e Tarso Violin, que definiu como ‘mais uma mácula no currículo do advogado’, não apenas por ser frágil, mas por não ter respaldo jurídico?

    Justifica-o o valor pago, segundo a imprensa entre 100 e 150 mil reais, valor de cada parecer emitido por ele?

    Descobriu-se, para espanto de todos, que foi o advogado de Fernando Henrique Cardoso, José Oliveira Costa, quem pediu o parecer ao advogado tributarista Ives Gandra.

    O homem que, ao comprar votos de parlamentares, episódio denunciado pela imprensa à época, alterou a Constituição Brasileira para conseguir a reeleição.

    O homem que promoveu a maior venda do patrimônio do povo brasileiro no episódio que ficou conhecido como “A Privataria Tucana”, sobre o qual também é farta a documentação que comprova a ilicitude das negociações.

    O homem que quebrou o país 3 vezes e 3 vezes foi ao FMI de pires na mão.

    O homem sob cujo governo o país sofreu o maior apagão de energia da sua história, com enormes prejuízos para a nação…

    Deu para trabalhar de forma dissimulada e cínica contra a estabilidade democrática do país, a mesma pela qual imaginávamos que um dia ele lutou.

    Sabe-se de há muito da corrosão de FHC pela vaidade e inveja, mas agora o ex-professor, ex-sociólogo, ex-presidente, ex-tudo, extrapolou.

    Fernando Henrique Cardoso também envelheceu.

    • Pra mim ele continua sendo o

      Pra mim ele continua sendo o mais velho novo canalha!!!

      Ele envelheceu, mas as canalhices dele não! 

      E se junta a ele o Aócio Never, o Geraldo Chuchu, e o defunto Çerra.

      O que mais temos hoje são novos velhos canalhas!

      A direita esta viva, muito viva, mas podre como sempre.

      Vem dos paulistanos a onda coxinha. 

      Vão ficar sem água. Bebam urina da Billiingns.

    • Pra mim ele continua sendo o

      Pra mim ele continua sendo o mais velho novo canalha!!!

      Ele envelheceu, mas as canalhices dele não! 

      E se junta a ele o Aócio Never, o Geraldo Chuchu, e o defunto Çerra.

      O que mais temos hoje são novos velhos canalhas!

      A direita esta viva, muito viva, mas podre como sempre.

      Vem dos paulistanos a onda coxinha. 

      Vão ficar sem água. Bebam urina da Billiingns.

  2. Discordo. A polarização

    Discordo. A polarização durante a Ditadura não era só entre esquerda e direita, era também entre povo e donos do Estado e entre vítimas sonhadoras e verdugos brutais estatais. No presente momento a polarização é entre os traidores do futuro brasileiro e os defensores do regime constitucional e do patrimônio público. Os tucanos não retornaram ao passado, mas eles querem interromper o futuro e acabarão sendo esmagados sem piedade. O mais provável não é um golpe à paraguaia, mas a união do povo, seu partido e as Forças Armadas para triturar FHC e todos os traidores idiotas que ficarem ao lado dele. Tucanos extintos, enfim.

  3.  
    O FHC É UM VASO ORDINÁRIO.

     

    O FHC É UM VASO ORDINÁRIO. E, COMO É DO CONHECIMENTO GERAL VASO RUIM NÃO QUEBRA

    Fernando Herrique Cardoso sempre foi um dissimulado oportunista. Filho de militar, porém, de caráter extraordinariamente covarde. Nada mais, nada menos que isso. O que resta de sua biografia é artifício. Tudo foi urdido, e meticulosamente manipulado para dar a conformação desejada. O homem é um embuste, nunca foi nada disso que sempre aparentou.

    Aliás, é muito frequente, tucanos possuirem biografias forjadas com base em currículos um tanto cavilosos. Veja-se a biografia do José Serra. Como diria o Brizola, se tem couro de jacaré, patas e dentes de jacaré…não há como duvidar. Pois bem, neste caso, o Zé, só pode ser, na melhor das hipóteses uma iguana.

    Como de resto, a biografia, na verdade, a folha corrida do playboizinho do Aécio da Cunha. O outro falsário, de tão adulterada é sua estória, no caso do construtor de aeroporto em terras da família com dinheiro público, até o nome do pai, político colaboracionista da ditadura, o cabra esconde o sobrenome. Vive montado, explorando o nome do avô sem o menor respeito nem cuidado, em não danificá-lo, com sua estripolias e patadas fascistoides.

    Orlando

     

  4. A divisão direita esquerda

    A divisão direita esquerda não acabou é claro. O cenário do confronto entre esquerda e direita é mais movimentado, complexo hoje do que foi no século XX, e não necessariamente isso é ruim. É bom, por exemplo, que esquerda não seja mais sinônimo de stalisnismo soviético(o que de fato nunca foi!). É bom que a esquerda (re)incorpore demandas liberais – direitos civis de gays, igualdade com as mulheres, combate ao racismo. Na verdade a luta contra o racismo e o feminismo nunca foram dissociadas do socialismo em sua origem, nunca foram separadas da luta de classes como lutas paralelas ou sem importância ou até mesmo contrárias a ela. Quem causou essa trajédia foi o maldito stalinismo. Novas pesquisas sobre Marx, por exemplo, mostram a defesa da emancipação feminina na sua obra, da luta dos povos oprimidos contra o imperialismo europeu, e a defesa da luta dos negros americanos é mais do que conhecida para quem é minimamente informado sobre o assunto. Não se trata de defender que o marxismo tenha o monopólio da esquerda, mas certamente essas pesquisas contribuem para formar alianças tão necessárias hoje para a esquerda.

    Mas esse cenário também acarreta perigos: a direita pode parecer ou se dizer esquerda, os dois podem formar alianças estranhas (vide o que o Syriza fez na Grécia se aliando a um partido ultraconservador e a congratulação de Marine Le Pain prontamente rechaçada pelo Syriza), a esquerda pode se mover para a direita (acho que não precisa de exemplos…..) e vice versa (muitos liberais americanos, por exemplo, passaram a ser críticos do capitalismo depois da crise de 2008 e eu acredito na sinceridade de muitos deles). Nesse cenário é preciso distinguir o que uma pessoa diz ser e o que ela realmente é, como Marx – já que ele foi citado – afirmou. Talvez seja preciso um pensamento que olhe para a conjuntura vendo suas contradições em movimento, ou seja, renovar a dialética.

    • Clap, clap, clap, clap, clap

      Muitas pessoas têm idéias completamente distorcidas e parciais sobre o que é ser de esquerda e se posicionam em funçao delas, manifestando total ignorância. Nao sou nenhuma marxóloga, nao pretendo conhecer o marxismo a fundo. Mas nao confundo leninismo com marxismo, nem ser de esquerda com defender o pseudo socialismo soviético. E sem dúvida o marxismo precisa (e já fez isso, em muitos autores) incorporar novos aspectos da realidade, que Marx nao poderia prever no tempo dele (e ele já previu muito). Nada menos marxista, que é um pensamento dialético, do que a defesa de um marxismo fechado para sempre no que Marx disse. 

      Meio sobre isso, há um vídeo excelente em que Chomsky discute os interesses mútuos — do governo soviético e da Direita européia e americana — de apresentar o regime russo como sendo socialista. 

      Link: https://www.youtube.com/watch?v=zDJee4stYN0

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=zDJee4stYN0%5D

       

  5. No campo da esquerda é

    No campo da esquerda é sumamente impossível que surjam conversinhas atraentes sobre o fim da dualidade entre esquerda e direita, entre progressistas e conservadores. Isso é papo da direita, pois é justamente ela que irá lucrar com o pretenso fim desses campos opostos. É sabido que a esquerda possui, como valor importante, a Ética. E não digam que o mensalão e a lava-jato colocam em xeque os valores históricos da esquerda .Deve ser observado que a direita, assim como uma alcateia de hienas, age em grupo, por intermédio de seus altos representantes. FHC, Aécio, Aloísio Nunes, Cunha, Bolsonaro, Alckmin, Feliciano, etc., trazem a marca da truculência, do desejo latente de destruir a esquerda, seja por meio da violência e da censura (ditadura), seja por intermédio de golpe institucional ( impedimento de Dilma). Como esquecer ACM Neto e Artur Virgílio que, da tribuna da Câmara, ameaçaram dar uma surra (física) no então presidente Lula.  Essas artimanhas montadas pela direita (mensalão, lava-jato), que têm como única finalidade a destruição da esquerda, indica uma diferença gritante entre os dois campos opostos. Enquanto a direita tem ganas de matar, de trucidar e exterminar a esquerda, esta traz o objetivo de alcançar um mundo mais justo, voltado para o bem estar social, atendendo aos seus valores históricos mais caros. E sobressai a pergunta: Por que a direita é homicida e age com extrema desonestidade? Por que almeja destruir a Petrobras, uma das maiores empresas petroleiras do mundo, através da privatização?

    Alguém já soube de alguma empresa privada que tenha distribuído seus lucros em prol da educação e da saúde de 205 milhões de pessoas, ou seja, de um país todo? A direita odeia o pré-sal. Como? como? como? Como admitir que os incomensuráveis lucros de uma empresa venham a reverter para o povo? Principalmente para o povo pobre dos grotões? Ouçam o que Dilma falou, ouçam bem: Meu governo será voltado para a Educação! Isso desata uma série de pensamentos promissores e, ao mesmo tempo, preocupantes. Ela vai ser massacrada pela direita e pela mídia golpista. A globo vai deitar e rolar, a lava-jato nunca vai sair do noticiário, assim como o mensalão jamais sairá. FHC, que não legou sequer uma única universidade ao povo, vai dar pulos de dois metros de altura de tanta raiva e inconformismo.

    Pois então, para a direita, toda empresa tem de ser privada, favorecer uma família, um grupo de acionistas, uma classe, uma casta, um bando, uma alcateia de hienas. Empresa estatal extremamente lucrativa que deseja partilhar seus lucros com o povo foge do combinado e das arcaicas estruturas do capitalismo selvagem. Vão continuar falando sobre a corrupção na Petrobras, não no sentido moralizador, até porque, uma empresa com milhares de funcionários está sujeita a esse tipo de vicissitudes, mas com o intuito de vê-la desabar no chão e chegar ao ponto de satisfazer-lhes a terrível intenção, a da privatização desse enorme pote de ouro, para que caia nas mãos ferozes de uns poucos.

  6.  
    Esquerda e direita é uma

     

    Esquerda e direita é uma definição viciada, pois, cada país obtém sua particularidade!

    A corrupção é de quem?

     esquerda?  direita?

    O Brasil não precisa do lula e nem do fhc, pois a administração de ambos afundou o Brasil em corrupção! 

    A sociedade não avança, ao contrário: cai no golpe da mídia, pois, fica preso com este sistema político e, em ultima análise ambos trabalharam para ela!

    A questão do Brasil é mais legal, pois desde FHC o país precisa passar a limpo a estória da corrupção destes últimos governos!

    A questão econômica é mais profunda, isto é: a importação precisa ser revista.

    A regra é simples: conta externa é:

    Primeira rodada:

    exportação > importação

    D. Pedro disse: Independência ou morte!

    Para nossa época é: exportar, exportar e exportar.

    A Petrobras realizará este papel com o pré-sal!

     

    segunda rodada:

    importação=exportação

    Turistas, se o país exportar e, saldo = segunda rodada , curtir nordeste e Floripa, caso contrario: tarifaço!

    O governo pode desinibir outros agentes causadores de importação

    Terceira rodada: ao contrario dos itens acima:

    Joaquim Levy

     

    Segue desenho para entender nosso sistema político atual!

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=gQT2kp3AqAQ%5D

  7. enquanto houver essas

    enquanto houver essas dualidades  justiça e injustiça,

    pobres passando fome e

    poucos ricos financeirizando a vida de todo mundo,

    haverá essa dualidade esquerda x direita.

    avanço, inclusão  social é esquerda.

    retrocesso, exclusão social, é direita.

  8. [   Isso é fato. Mas não se

    [   Isso é fato. Mas não se pode dizer, contudo, que essa liderança não possa mais surgir. Eu aposto as minhas fichas no Haddad.   [[  Tucanês disfarçado, mata  Lula fingindo ser petista.  O mundo todo reconhece em Lula não apenas o maior lider do Basil,  como um dos maiores do universo . 

  9. Filme maravilhoso sobre ideais, decepçoes, reali//, juventude

    Depois da Chuva. Acho que ainda nao entrou em cartaz regular, aqui no Rio só estava passando hoje e passará no dia 15 de fevereiro, pelo menos segundo a Ingresso.com. No cinema, além de mim, havia mais 6 pessoas. Excelente. Sobre jovens, sonhos, realidade, decepçoes. Pano de fundo o cenário brasileiro na época das Diretas Já e da eleiçao de Tancredo. Vale a pena ver, vale mesmo. Parece que foi feito de encomenda para a discussao deste tópico. 

    Ai, e que jovens anarquistas tao poéticos! Ai que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, rs, rs. Que os anos nao trazem mais… 

  10. em menos d 24 horas.
    Esperava postagem sobre referencia do tema “o fim do lulismo e fernandismo” num espaço dentre uma semana….mas já chegou em menos de 24 hrs…parabéns equipe GGN…
    Saudações Luiz Nassif…

  11. Um pequeno erro…

    FHC tbem eh de esquerda… Sarney cononel de direita…
    Por isso tenho saudades da DitaDura… pena que ela foi branda… deveriam ter feito como no Chile, bandidos como Dirceu e outros estariam em uma cova rasa hoje!!!

  12. Uma observação e minha opinião sobre pontos a serem melhorados

     

    Geraldo dos Santos Pedro,

    A divisão talvez ainda perdure por centenas de anos. Deve-se entender bem os critérios em que ela se estrutura para que a divisão seja bem utilizada. E no mínimo ela nos serve para qualquer tipologia política. É uma divisão que às vezes muda o critério que a fundamenta. Assim, Norberto Bobbio fez esta distinção utilizando o critério de justiça e liberdade. Quem sacrificava a liberdade pela justiça é de esquerda e o oposto seria de direita. Eu faço a classificação pelo critério da justiça e eficiência, tendo em vista que principalmente no que diz respeito a economia, os dois princípios o da justiça e o da eficiência estão sempre em oposição. Então, para mim quem privilegia a justiça em detrimento da eficiência é de esquerda e o contrário é da direita.

    Há crítica a ambos os critérios sob o argumento que há muitos na esquerda que são a favor de mais liberdade do que gente da direita, assim como há muitos da esquerda que são a favor de mais eficiência do que pessoas de direita. Deve-se considerar que não se trata de escolher um ou outro extremo, mas de priorizar mais um critério do que o outro. E há ainda a questão do longo prazo em que se pode alegar que a justiça agora vai beneficiar a eficiência no futuro ou o contrário. Uma sociedade mais justa em decorrência de melhor distribuição de renda vai ser no longo prazo mais eficiente. Só que no curto prazo para tornar a economia mais eficiente você tem que praticar injustiça. Uma empresa será mais eficiente se, trabalhando em uma situação de folga na produção em escala, ela demitir os dez empregados menos eficientes. Agora mais eficiente ela pode gerar mais lucros fazer investimentos e contratar mais empregados.

    Enfim, esta divisão permanece e em cada cultura ela tem vieses diferentes. O critério de Noberto Bobbio tem muita relação com a cultura italiana onde floresceu um Partido Comunista Italiano representativo na sociedade e adotando diretrizes comunistas centralizadoras de controle e direção e que era um partido de esquerda e que mantinha a estrutura rígida e pregava um comportamento mais firme com restrições a atitudes que na visão de uma direita intelectualizada seriam permitidas.

    Agora o seu texto tem algumas passagens que considero equivocadas.

    O primeiro parágrafo é para corrigir um título e um post mal ajambrado do Luis Nassif. No post “O fim do lulismo e do fernandismo” de quarta-feira, 04/02/2015 às 06:48, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria dele, ele cria a figura do fernandismo que é algo que não existe. O Fernando Henrique Cardoso é um homem múltiplo, em que cada um deles pode vir até ser menor do que ele inteiro, mas ele inteiro não deixa nenhum legado. Como sociólogo ficou conhecido como o príncipe da sociologia brasileira, mas dificilmente ele é referenciado seja como príncipe seja como sociólogo.

    Como político ele teve a grandeza de se associar com Antonio Carlos Magalhães e com Marco Maciel (Sendo que este forneceu dois dos três mais importantes auxiliares de Fernando Henrique Cardoso. São parentes de Marco Maciel, Everardo Maciel, secretário da Receita Federal durante todo o governo de Fernando Henrique Cardoso e o engavetador mor do Brasil, o Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro. O terceiro é o G. Henrique de Barroso F. que até onde eu sei não seria parente de nenhum dos políticos anteriores). E associou-se com Antonio Carlos Magalhães de tal modo que o político baiano foi perdendo poder ao longo da jornada.

    De certo modo Fernando Henrique Cardoso fica na história como um político que soube articular o Plano Real e conduzir o Brasil sob a tutela do Plano Real com uma base política muito bem calibrada. Avalio que a articulação política de Fernando Henrique Cardoso ficou facilitada porque a sociedade brasileira é de direita (A sociedade humana é de direita pelo meu critério da eficiência e justiça porque, na sua maioria, entre a possibilidade de se ter mais inflação com mais emprego e, portanto, com mais justiça e menos eficiência e a possibilidade de se ter menos inflação e mais desemprego, a sociedade prefere a alternativa de mais desemprego) e nesse sentido o Plano Real é um plano de direita, isto é, é um plano que privilegia a eficiência naquilo que ela encontra mais respaldo na população e que é o combate a inflação. Como o nosso parlamento é majoritariamente de direita a atuação de Fernando Henrique Cardoso como político foi mais fácil de ser feita do que aquela política que o PT tenta comandar com um viés bem mais de esquerda. Bem mais de esquerda porque Fernando Henrique Cardoso era e é de esquerda, apenas com um problema de um cosmopolitanismo aculturado que o leva a seguir qualquer novidade do exterior.

    Então fernandismo é um termo que não existirá no dicionário. A não ser que se tomem os slogans de campanha do PSDB como slogans criados por Fernando Henrique Cardoso. As idéias que o PSDB levou em frente desde a criação do partido tais como: “O partido fora criado para combater o fisiologismo”, “o PSDB foi criado para trazer a ética para a política”, “Governo bom o povo põe, governo ruim o povo tira” e “a inflação é o mais injusto dos tributos”, talvez não tenham sido criação de Fernando Henrique Cardoso, mas Fernando Henrique Cardoso era um dos que sabiam que todos esses slogans são falsos. Fisiologismo como sinônimo de crime não pode ser combatido por partido, mas, sim, pelo Ministério Público. Fisiologismo como sinônimo de acordos, conchavos, barganhas, toma-lá-dá-cá, é dando que se recebe, é mecanismo essencial à democracia representativa que só é democracia se houver fisiologismo. A atividade política é uma atividade de representação e o representante não pode agir com ética, por exemplo, renunciando ao interesse do representado, Ele tem que agir, segundo a lei, com firmeza, vigor e espírito de luta.

    “Governo bom o povo põe, governo ruim o povo tira” é slogan sem nenhuma comprovação científica e há bons motivos para se acredita que se dê o contrário. É só ver o caso do de Geraldo Alckmin que a despeito de eu o considerar um governante razoável e experiente, Luis Nassif considerou-o, antes da segunda reeleição dele, “o mais despreparado governador da história do Estado”. Alias, nas palavras de Luis Nassif junto ao post “O novo cenário político, com a ascensão de Marina” de quarta-feira, 27/08/2014 às 11:18, aqui no blog dele e de autoria dele:

    “Seja qual for o resultado final das eleições, o PSDB desaparece definitivamente como força hegemônica da oposição. Paga, agora, a mediocrização a que se entregou desde 2006, quando indiciou Geraldo Alckmin como candidato a presidente; e, principalmente, em 2010, com a inacreditável campanha de José Serra. Morreu ao se afastar da academia, abrir mão de qualquer nova ideia ou conceito em nome de um oportunismo míope, e deixar-se conduzir por economistas de mercado, grupos de mídia e pela extrema-direita.

    O partido perderá a presidência, o bandeira de maior partido de oposição, o governo de Minas e restará – se não acontecer nenhuma novidade – o controle de São Paulo por aquele que, provavelmente, é o mais despreparado governador da história do Estado”.

    O post “O novo cenário político, com a ascensão de Marina” pode ser visto no seguinte endereço:

    http://jornalggn.com.br/noticia/o-novo-cenario-politico-com-a-ascensao-de-marina

    Referir-se a um governante como despreparado, como incompetente, como ruim, é crítica de partidário, mas não tem substância nenhuma a não ser servir de mote para campanhas políticas onde tudo que não for proibido pela lei é permitido. Enfim, trata de slogan que pode ser dito por qualquer criança ou por qualquer prosélito de qualquer partido que não se preocupa em argumentar com fundamentação objetiva porque são acusações que não podem ser refutadas com fundamentação, como também não há como se refutar com argumentos lógicos que o governante é preparado, é competente, é bom. Você pode fundamentar de acordo com a sua ideologia. Você pode dizer que trata-se de um bom governante porque para sua ideologia um governante bom é aquele que faz isso e aquilo e seu bom governante faz exatamente isso e aquilo. Só que a sua ideologia pode ser errada.

    Também é falso dizer que a inflação é o mais injusto dos impostos. Pergunte a qualquer ser humano que dependa do salário para a sua sobrevivência se ele prefere uma inflação de 50 ao ano ou ficar desempregado se salário desemprego durante um ano.

    Tudo isso o Fernando Henrique Cardoso sabe que é falso. Se você chamar essas construções intelectuais e sabidas pelos intelectuais como falsas e que são utilizadas apenas porque preenchem a falta de carisma dos intelectuais como fernandismo. Por falta de carisma dos intelectuais entenda a incapacidade de convencer o cidadão no improviso do discurso.

    Há ainda dois outros momentos equivocados em meu juízo do seu texto. Um diz respeito à passagem em que você diz

    “No âmbito conservador não se pode negar que Aécio Neves ocupa a posição de líder. Sim, ele incorpora toda a pauta neoliberal e reacionária, inclusive com grande lastro fascista”.

    Não creio que Aécio Neves seja um reacionário. E a única pauta que eu considero com lastro fascista que a campanha de Aécio Neves incorporou foi o de reduzir a maioridade penal. Penso que ele e o PSDB acompanharam essa tese, não por ter o partido lastro no fascismo, mas porque sabem que ela ganha votos e dificilmente será aprovada como emenda à nossa Constituição no Congresso Nacional e caso seja aprovada não deve ser referendada pelo STF.

    Enfim, Aécio Neves pode ser visto como conservador e elitista, mas não como reacionário.

    E creio que você subestima muito Aécio Neves e superestima muito o Fernando Henrique Cardoso quando diz que Aécio Neves:

    “É um anão, frente a FHC”.

    Como intelectual, apesar de existirem muitos sociólogos que não dão algum valor a Fernando Henrique Cardoso, sem dúvida que Aécio Neves é um anão diante de Fernando Henrique Cardoso. Como um político eu não penso que haja essa diferença. É bem verdade que, como um estudioso dos ensinamentos de Marx, Fernando Henrique Cardoso tem um entendimento mais completo do papel do Estado em um mundo capitalista. Trata-se de um conhecimento que é mais útil a um assessor, algo que Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves não são. O que eles dois tem de semelhante é a forma de governar que tanto Aécio Neves como Fernando Henrique Cardoso desempenham segundo o modelo que Luis Nassif tem preferência. Os dois delegam. Chamam pessoas que eles consideram capazes e que as relações deles favoreceram conhecer e os põem no comando de um órgão sem precisar de nenhum controle salvo quando têm ideologia bem antagônica, caso em que eles põem um secretário com capacidade executiva para poder acompanhar a ação do órgão. É claro que Aécio Neves se desliga mais da gerência do que o Fernando Henrique Cardoso. Aqui em Minas Gerais, quem governava era o Danilo de Castro com a ajuda de um ou outro político de maior influência e prestígio no estado e contando ainda como uma espécie de Consultor jurídico, principalmente no que diz respeito à Administração Pública, com a ajuda em tempo integral de A. Augusto Junho A.

    Do jeito muito semelhante procedeu Fernando Henrique Cardoso. Veja, por exemplo, as declarações de Fernando Henrique Cardoso que estão no epicentro de todo o escândalo dos grampos se ali havia alguma ordem de Fernando Henrique Cardoso. Imagine se houve alguma interferência de Fernando Henrique Cardoso na condução do Ministério da Fazenda nos oito anos do ministro Pedro Malan. Ou se houve alguma interferência no poder que G. Henrique de Barroso F. desfrutou na condução do câmbio nos quatro anos de governo de Fernando Henrique Cardoso. Aliás, diga-se, de passagem, que G. Henrique de Barroso F. também não sofreu interferência na condução do câmbio no primeiro ano do Plano real no governo de Itamar Franco nem quando o Ministro da Fazenda era o Ruben Ricúpero nem quando era o Ciro Gomes.

    O que diferencia o Fernando Henrique Cardoso em relação a Aécio Neves é que Aécio Neves depois que deixou de ser gago não precisa da bengala das frases feitas utilizadas pelos políticos intelectuais do PSDB. Aécio Neves usa o carisma que ele tem que o permite dizer de improviso o que quiser, pois com o carisma ele convence sem precisar de bordões intelectuais e ainda por cima falsos. De todo modo, há que reconhecer que Aécio Neves deve a Fernando Henrique Cardoso a eleição dele a presidente da Câmara dos Deputados no período de 2001 a 2002.

    Quanto ao Lulismo, esse sim existe. É claro com as qualidades e defeitos que ele carrega. Dois exemplos de defeitos. O reforço da crença na inflação baixa como sendo uma medida boa para os pobres. Para reforçar essa idéia, Lula não precisava de bordões de intelectuais. Em discurso de improviso em frente às Casas Bahia, ele gritou: “A inflação essa desgraça”. Frase equivocada, mas que não pode ser qualificada como falsa nem criação de intelectual. Não é falsa porque a inflação é uma desgraça. Eu considero a frase equivocada porque ela não mostra o quanto a inflação é importante para corrigir distorções que são acentuadas em países de dimensões continentais e em desenvolvimento como o Brasil.

    Outro exemplo de defeito foi o expresso na frase de que havia no Congresso 300 picaretas. Para a esquerda aquele Congresso, o da eleição do Plano Cruzado, talvez tenha sido o mais moderno, o mais avançado. Dizer que havia 300 picaretas no Congresso Nacional significava realmente que Lula ainda não tinha entendido o funcionamento da democracia representativa.

    Aliás, aqui cabe até apontar uma diferença entre Lula e a presidenta Dilma Rousseff. Lula disse a frase e infelizmente nunca a desmentiu, sendo que eu espero que com a vivência dele como presidente da República ele saiba que a frase dele é falsa. Dilma Rousseff nunca disse essa frase, mas provavelmente ela acredita até hoje nessa frase, sendo esse o grande defeito dela. Agora, acho que Lula talvez tenha indicado a presidenta Dilma Rousseff imaginando que por ela acreditar nessa frase ela pudesse enfrentar de modo não político, mas apenas com a carranca autoritária dela a pressão política que Lula avaliou como estando além do alcance dele e ele tenha, não por habilidade, mas por fraqueza, contemporizado. A fraqueza a que me refiro é a baixa representatividade no Congresso Nacional de uma ideologia próxima do PT.

    De certo modo a indicação da presidenta Dilma Rousseff deixa um espaço para entender que Lula ainda acreditasse na idéia de que havia 300 picaretas no Congresso Nacional. Para mim essa frase é sinônimo de atraso, de retrocesso, de reacionarismo e indica laivos de fascismo, embora não propriamente do fascismo intelectual italiano, mas do que eu chamo de fascismo das pequenas causas em que uma das pequenas causas é a pressão pelo redução da maioridade penal e outra é a desvalorização da atividade política e o menosprezo ao político.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 05/02/2014

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