Da Carta Maior
Por Jon Queally, para o CommonDreams
Sinais de que o primeiro ministro britânico, David Cameron, está prestes a “dar tudo pelo gás de xisto” coincidem com as atitudes de algumas das maiores companhias de combustível fóssil do mundo, que veem oportunidades lucrativas se o Reino Unido superar a oposição local ao início de uma indústria de fracking.
Os recentes comentários de Cameron sobre a controversa técnica de drilling (perfuração contínua do solo) são acompanhados pelo pronunciamento de um novo plano que os opositores do fracking”(fraturamento das rochas para se obter o gás de xisto) chamam de “propina”. Tal plano iria fazer com que os conselhos governamentais locais recebessem grandes incentivos financeiros se os mesmos ajudassem a aprovar projetos de drilling.
Visualizando o discurso de Cameron, o Guardian relata:
O primeiro ministro vai dar um novo passo para fortalecer o apoio ao fracking mesmo com as preocupações sobre o uso de agentes químicos e água em alta pressão para fraturar as pedras abaixo do solo que liberam o gás de xisto. Novos pontos de uso do fracking foram abertos no País de Gales, em Cumbria e nas partes centrais do país.
Cameron, que planeja visitar um local de fracking, vai anunciar que o governo irá dobrar de 50 a 100% o montante que os conselhos na Inglaterra podem manter em lucros aumentados pelos locais onde há gás de xisto. A oferta, proposta ano passado pelo Instituto de Diretores, poderia valer até £1.7 milhões por ano para uma localidade normal.
O primeiro ministro também tentará dar atenção aos interesses das comunidades locais preocupadas, dizendo que a indústria vai averiguar uma distribuição de fundos de £5m-£10m para um local de “fracking” – um montante fixo de £100.000 quando um poço em teste inundar, mais 1% de rendimento. Pagamentos diretos em dinheiro poderão ser feitos para os moradores das localidades próximas ao “fracking.”
Cameron irá dizer: “A peça-chave do nosso plano econômico de longo-prazo que visa assegurar o futuro da Grã-Bretanha é proteger os negócios com melhor infraestrutura.
É por isso que todos vamos dar tudo pelo gás de xisto. Vai significar mais empregos e oportunidades para as pessoas e segurança econômica para o nosso país.”
Mas Jane Thomas, ativista sênior da Friends of the Earth, reprovou essa nova aproximação. “O pronunciamento de hoje dizendo que os conselhos podem ficar com todo o rendimento das taxas de negociação que receberem das companhias de fracking, marca uma nova derrota nas tentativas do governo de conseguir a proteção do fracking com o povo local.”, disse Thomas.
Ela argumenta que incentivar os governos locais com lucros do fracking é um terrível precedente a estabelecer: “Esses lucros para a comunidade levantam preocupações sobre o conflito de interesses se esses conselhos que irão se beneficiar do dinheiro são também os que irão determinar o planejamento das aplicações das companhias de fracking.”
Durante 2013, ativistas antifracking em diversas comunidades cercaram os locais de teste do drilling de gás com protestos, a fim de prevenir que as companhias de gás estabelecessem uma base de operações no Reino Unido. Diferente dos Estados Unidos, onde o ‘boom’ do fracking desencadeou uma grande quantidade de poluição com os gases do efeito estufa e contaminação hídrica, a indústria do fracking no Reino Unido ainda é pequena.
Mas como os relatórios do The Guardian acrescentam, grandes nomes da indústria como a francesa Total e a norte-americana Chevron estão na fila para atacar os depósitos intocados de gás de xisto do Reino Unido.
Como o ativista climático do Greenpeace, Lawrence Carter, disse ao Guardian: “A Total, uma companhia francesa que não pode fraturar em seu próprio país porque o governo francês parou de permitir a exploração da sua área rural, virou seus olhos para o campo do Reino Unido, onde o governo parece feliz em permitir a industrialização da nossa terra verde. O governo britânico parece indiferente aos riscos que o fracking impõe ao ambiente e às comunidades locais e continuam querendo vender dois terços da Grã-Bretanha para o drilling sem um mandato público.”
Deixe um comentário