Sempre tive orgulho do nível de alguns prefeitos de Poços de Caldas. No início do século 20, a cidade teve como prefeito Francisco Escobar, que Ruy Barbosa chamava de “cabeça de Salomão, porque sabe tudo o que eu sei (o direito) e tudo o que não sei (a música)”.
Escobar era exímio pianista, convocado sempre para ir à recém construída Belo Horizonte para acompanhar, no piano, instrumentistas internacionais que aportavam por lá.
Depois, teve Assis Figueiredo, mais tarde responsável por receber as caravanas de Hollywood na Política de Boa Vizinhança inaugurada por Nelson Rockefeller.
Em anos mais recentes, teve Adnei Pereira de Moraes, ex-presidente do GGN e um dos primeiros soldados do SUS.
Mas, se alguns anos para cá, o despreparo e a ignorância dos prefeitos é humilhante.
O último feito foi do atual prefeito da cidade, Paulo Ney de Castro Júnior ao destruir um cocho que servia água para os cavalos, que existia desde o começo do século e foi tombado pelo patrimônio histórico. Foi alertado, interrompeu o desmonte, mas não houve maneira de reconstruí-lo.
Quis imitar o governador paulista Tarcísio de Freitas, pegou uma marreta e iniciou a destruição. Um analfabeto completo!
Tudo isso em função de uma campanha conduzida por pessoas sem a menor noção, para acabar com as charretes de Poços de Caldas, uma tradição centenária.

A alegação é que os animais eram maltratados. O papel da Prefeitura, óbvio, seria o de fiscalizar as charretes e exigir um tratamento condigno aos animais. Em vez disso, decidem pelo fim das charretes e comemoram, como se fosse um grande feito equino.
Tenho colegas de ginásio que se transformaram em grandes engenheiros, financiados pela charrete do pai.
Ao acabar com as charretes, o que acontece:
- A cidade perde uma atração turística histórica.
- Os charreteiros receberam uma indenização. Quando acabar, não terão mais uma fonte de renda.
- Os cavalos serão abandonados à sua sorte, já que não terão mais utilidade econômica.
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Rabuja
23 de março de 2026 9:30 amTiradentes segue o mesmo caminho, fim das charretes, mas lá apareceram uns veículos motorizados no estilo antigo fake cujo custo não tenho conhecimento para substituir as charretes. Um detalhe curioso sobre essa mentalidade de administração em Tiradentes é que o trânsito de veículos continua autorizado nas ruas estreitas de pedra da cidade, mesmo durante grandes eventos em que a cidade fica lotada de turistas. Pedestres precisam se espremer nas laterais das ruas onde as calçadas antigas são muito irregulares (onde existem) para que motoqueiros sempre apressados, SUVs enormes e demais veículos circulem livremente.
Lucas Nogueira
23 de março de 2026 7:19 pmAcho que cabe uma análise mais profunda e regional antes de qualquer julgamento impreciso.
Sou morador de Poços, nascido e criado na periferia e conheci algumas famílias que trabalhavam com as charretes.
Eu amo animais, mas não sou um desses defensores de “fofolândia” que defendem animais pelo quanto são fofinhos, eu os defendo pelo quanto merecem respeito com animais.
O que vejo é que vários dos charreteiros não se importavam nem um pouco com os animais, não tinham pastos e baias pra deixar os animais durante o descanso, então deixavam os mesmos soltos em áreas públicas, sem nenhuma proteção e muito dos animais viviam soltos nas ruas, causando acidentes e revirando lixo em busca de comida, como era o caso de animais que ficavam soltos toda madrugada na rua Haiti e proximidades ou os animais soltos no jardim vitória ou no parque Esperança, sempre às madrugadas. Além disso, o despreparo dos charreteiros no trânsito, eu já quase sofri vários acidentes por esses dois motivos e conheço quem sofreu de fato acidentes.
Quanto ao bebedouro, entendo a preocupação com um monte de pedras mal assentadas e que agora sem uso pode virar foco de mosquitos da dengue e acho que, melhor que criticar quem destruiu algo que não terá uso, seria trazer soluções para o uso e também acho que pra ser coerente ao criticar quem proibiu charretes, seria legal ter tentado primeiro resolver esses problemas que citei aí em cima e vários outros que ocasionaram tal proibição.
Anônimo
24 de março de 2026 7:33 amParabéns pela sua opinião.Concordo plenamente.Salve os animais de maus tratos!
Carlos
23 de março de 2026 9:58 amPo, mas onde o nobre prefeito vai beber água agora?
emerson57
23 de março de 2026 10:09 amPoços de Caldas, microcosmo do Brasil.
E do mundo bolçotrumpe e seu gado.
Tem um único lado que se aproveita: A “zoação”.
Não falta assunto para os cartunistas!
Fábio de Oliveira Ribeiro
23 de março de 2026 12:10 pmEsse idiota cometeu improbidade administrativa e produziu prova da autoria do ilícito, Nassif. Falta de juízo, ostentação da ignorância e ausência de aconselhamento jurídico adequado. Mais um nóia de direita à caminho do esgoto de onde não deveria ter saído.
Evandro Condé
23 de março de 2026 3:45 pmNassif, ignorância não é privilégio, é Dom.
Bernadette de Souzaa
23 de março de 2026 6:19 pmContinuar a explorar os animais e uma vergonha para quem apoia.Essa época já passou e o ser humano deve evoluir. Só porque é tradição é válido.Me poupe! Várias cidades já tirou e nem por isso vai ficar sem turismo.
Rogerio de Faria
23 de março de 2026 7:26 pmO espólio do bolso abismo é esse, o emburrecimento da sociedade brasileiro, onde os idiotas tem espaço na mídia. Claro que as igrejas evangélicas coloca um tempero a mais nessa idiotização.
PAULO CAMARGO
25 de março de 2026 6:44 amOs cavalos serão os últimos privilegiados com a gana “protetora” já conheço o caminhão que compra “carcaças” velhas de cavalos para serem usados como matéria prima na fabricação de ração para “PETs” , e sei de outros que terão a sorte de irem “trabalhar” nas rocas pertos, sem supervisão alguma, mas as charretes acabaram sumiram dos olhos “protetores”.
Antônio Eduardo Leal França
25 de março de 2026 9:00 amUma atitude absurda, protegendo os animais, ela sim terão vida melhor e viveram mais tempo. Existem legislações próprias pra proteger os animais. Que tbm amo muito.