10 de julho de 2026

“A transparência do novo”

link original: http://klaxonsbc.com/2014/08/28/a-transparencia-do-novo/

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Acredito que passou da hora (se já não é tarde para tal) de acabar com a hipocrisia e assumirmos que nos últimos anos ajudamos a reduzir a política a um debate moralista com poucos espaços para avanços. A mídia fomentou, os vários atores políticos engendraram e o Governo entrou na onda com conivência.

Marina Silva é  um dos resultados disso. Ela mistura em seu discurso vários ingredientes que apontam para o retrocesso. Ortodoxia economica, Estado inexistente e uma proposta de  democracia direta que pode agradar a quem não lê nunca as letras miúdas das bulas, mas que não resiste a um olhar mais detido.

Marina não é neoliberal?  Claro que não, ela é ultraliberal. O tal Estado Mobilizador, balbuciado pela ex senadora acreana ontem no debate, nada mais é do que a sobra do quiabo que o tal tripé da econômia (controle da inflação, superávit primário e câmbio flutuante) aufere ao Estado. É o aprofundamento da ortodoxia.

No que se refere às ações sociais, o intrigante discurso propõe não o Estado mínimo, mas o Estado ausente e o que é pior, com os representantes eleitos reféns de uma equipe econômica que concentra todos os poderes, André Lara Resende não foi chamado à toa, o capital não vacila.

E a tal democracia direta que ela apresenta como proposta? Pelo o que se consegue retirar do que tem de vago, é o encurtamento do caminho entre o poder central e o opinionismo da população, sem as instâncias constituídas, com a mitigação dos poderes constituídos do dia pra noite e sem reforma política estruturante. Isso me soa a personalismo e autoritarismo travestido.

A tônica moralista e os conceitos explicados ligeiramente, sem aprofundamento, são características da despolitização. É o mesmo que juntar as palavras de ordem de junho de 2013, descontextualizadas, embrulhadas num pacote pomposo e discursadas com cinismo. O novo.

O que está claro no discurso de Marina Silva, até o momento,  é sua opção pela ortodoxia econômica – sempre houve indícios , desde o PT, o grande aliado dela é Tiao Viana, o que existe mais a direita dentro do partido – a grande “novidade” é que ela resolveu aprofundar a ortodoxia, se adaptou aos novos tempos, e se juntou a gente graúda nesse campo

Dentro desse quadro, será que o PT finalmente optará por um discurso mais à esquerda, que apresente uma distinção, ou vamos perder operando num espaço onde nunca fomos aceitos e despolitizando mais a política?

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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2 Comentários
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  1. Juliano Santos

    30 de agosto de 2014 2:23 pm

    Sensacional, cara. No mosca.

    Sensacional, cara. No mosca. Eu tenho discutido isso. Não estou interessado em desqualificação pessoal. Nem a história do jatinho está me interessando. Se bem que é ótimo para desmascar a “o novo que vai inaugurar uma nova era de ética na política”. 

    Mas eu não foco nisso, nem no fato dela ser evangélica. Sim porque sua política econômica vai ser um  retrocesso para a era do consenso de Washington. Da “lição de casa”, da auteridade. Arrocho e desemprego, e concentração de renda, enfim. O Brasil precisa de mais governos com presença de Estado. Só um Estado atuante, e com democracia claro, para alcançar uma justiça social digna do nome. 

    1. Ana Dias

      30 de agosto de 2014 2:36 pm

      Perfeito, Juliano. Eu também

      Perfeito, Juliano. Eu também penso como você.

      mas veja pelo lado bom. Finalmente vamos virar a Europa. Tá certo que é a Europa pós-crise de 2008, acabando com o bem-estar social e com a tal austeridade pra garantir o leitinho dos financistas (e pra nós sobra arrocho e desemprego). Tipo assim Portugal e Espanha. ah, mas isso é detalhe, né?

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