Acadêmicos alertaram os EUA sobre a invasão dos Poderes: Bolsonaro “cria terreno fértil para desinformação e atos extremistas”

Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
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Documento foi entregue a membros do alto escalão do governo estadunidense, com objetivo que as autoridades internacionais pudessem se manter vigilantes sobre a democracia brasileira

Marcelo Camargo – Agência Brasil

Acadêmicos alertaram as autoridades dos Estados Unidos, ainda em abril de 2022, sobre uma “versão mais extrema de ataque ao Capitólio” no Brasil. O dossiê de 25 páginas foi entregue cerca de sete meses antes da fatídica invasão dos Poderes por bolsonaristas radicais, em Brasília, no último 8 de janeiro. 

Bolsonaro está criando condições para um ambiente eleitoral muito instável e, se perder, o mundo deve lembrar o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA e estar preparado para testemunhar uma versão provavelmente mais extrema disso no Brasil“, previram os acadêmicos à época. 

Como alertado no documento, as sedes dos Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), foram invadidas e depredadas por terroristas, que não aceitam a derrota nas urnas do líder extremista Jair Bolsonaro (PL) para o presidente eleito Lula (PT), em 8 de janeiro deste ano.

Também lembrado no documento, atos similares ocorrem nos EUA um ano antes, em meio a derrota do ex-presidente republicano e líder da direita Donald Trump para o democrata Joe Biden.

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O dossiê

Em abril de 2022, sem um embaixador americano no país e em meio a pré-campanha para as eleições presidenciais brasileiras- que ocorreram cinco meses depois – o documento foi entregue a membros do alto escalão do governo democrata Joe Biden e ao Congresso estadunidense, com objetivo de que esses atores internacionais pudessem se manter vigilantes em relação a defesa da democracia brasileira.

Com a aproximação das eleições presidenciais de outubro no Brasil, as preocupações com o respeito as normas democráticas, o futuro da Amazônia e a deterioração dos direitos humanos, entre outras questões — vêm crescendo no Brasil. A reeleição ou derrota de Bolsonaro afetará diretamente a vida dos brasileiros, mas também influenciam o futuro político de outros países da região“, alertaram.

Para chamar atenção do governo norte-americano, o dossiê apontou as semelhanças entre o comportamento e as retóricas de Bolsonaro e Trump. “Reminiscente da retórica de Trump em 2020, Bolsonaro já disse que pode não aceitar os resultados da eleição de 2022, criando um terreno fértil para desinformação e atos extremistas“, destacou o documento.

O documento foi elaborado por professores da Universidade de Miami, Universidade Brown, Universidade da Virginia, Universidade da Cidade de Nova York (CUNY), entre outras instituições internacionais, e compilado pelo Washington Brazil Office. Organizações brasileiras como o Greenpeace, a Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a Artigo 19, o Instituto Sou da Paz, entre outros, também colaboraram.

O documento ainda destacou o trabalho das entidades brasileiras na defesa da democracia. “Grupos da sociedade civil e movimentos sociais do país estão na linha de frente dessa luta, e os EUA e outros governos devem trabalhar para garantir que esses grupos sejam consultados e integrados no processo de elaboração de políticas em relação ao Brasil“.

Leia a íntegra do dossiê:

WBO-2022BRAZILREPORT

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

5 Comentários

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  1. Não foram só eles nesses alertas: era”morte anunciada”;(Gabriel Garcia) as forças de segurança do DF sabiam: a abim, o gsi… E porquê não agiram em prevenção? Porque era um conluios desses órgãos comandados por Bolsonaro e alguns chefes militares do distrito federal.

  2. Acho linda essa preocupação dos americanos do norte com a nossa “democracia”. São tão zelosos por nós quanto uma mãe ouvindo as crianças brincando no quintal. De verdadeiro, só o quintal. O zelo é interessado.

  3. Deixa ver se eu entendo bem: os golpistas gringos foram alertados por acadêmicos de universidades e ongs – na sua maioria gringas e promotoras da furadas pautas identitárias que sustentaram as manifestações de 2013, a Lava Jato e cumularam no golpe de 2016 – de que haveria de estar “vigilantes em relação a (sic) defesa da democracia brasileira”?!? Soa como um samba da raposa de galinheiro doida, a autora parece ser candidata para uma bolsa de estudos em algum desses think tanks.

  4. 2a tentativa de comentário crítico, num resumo desse artigo: quer dizer então que as autoridades em torno ao golpista Biden (vice-presidente de Obama na ocasião) foram alertadas por instituições que tiveram papel de destaque nas operações de guerra híbrida, como a “revolução colorida” em 2013 e a Lava Jato, contra uma possível prolongação do golpe?!? É comovente o zelo de todas essas raposas de galinheiro!

  5. Em círculo de amigos, logo após a invasão do Capitólio no EUA, comentávamos: se Bolsonaro perder a eleição de 2022, vai acontecer o mesmo aqui no Brasil. Dito e feito. Só esperaram a posse do Lula

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