O governo brasileiro reagiu com cautela e otimismo pragmático ao anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar a tarifa global de importação de 10% para 15%. A medida, comunicada neste sábado (21), ocorre após a Suprema Corte norte-americana derrubar o “tarifaço” imposto no ano passado, levou a Casa Branca a acionar instrumentos jurídicos do Ato do Comércio de 1974 para viabilizar o novo aumento.
Em Brasília e em agendas internacionais, a cúpula do Executivo busca minimizar impactos imediatos, focando na manutenção da competitividade e na preparação para a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, prevista para março.
O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou neste domingo (22) que o setor produtivo nacional não deve perder espaço no mercado americano, uma vez que a alíquota é aplicada de forma isonômica a todos os países.
Alckmin ressaltou que produtos estratégicos para a balança comercial brasileira, como combustíveis, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves, tiveram as tarifas zeradas, o que classificou como um ponto positivo.
Para o ministro, há uma “avenida de negociação” aberta para tratar de barreiras não tarifárias durante o encontro entre Lula e Trump, destacando ainda a expectativa de aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia pelo Congresso Nacional também em março.
Posicionamento
Diretamente de Nova Délhi, na Índia, o presidente Lula declarou-se “aliviado” por não ter apressado as negociações tarifárias com os Estados Unidos em meio à instabilidade institucional entre a Casa Branca e o Judiciário americano.
O chefe de Estado avaliou que a decisão de aguardar foi correta, evitando que o Brasil selasse acordos que poderiam ser invalidados ou superados pelas novas alíquotas de 15%.
Segundo membros da comitiva presidencial, a estratégia brasileira agora é concentrar o diálogo diretamente entre os dois chefes de Estado, contornando resistências identificadas na diplomacia e no Tesouro norte-americano, setores que, na visão de Brasília, demonstram pouca disposição para o entendimento bilateral.
Em um recado direto a Donald Trump, Lula enfatizou que o Brasil rejeita o alinhamento automático e a lógica de uma “nova Guerra Fria”, defendendo relações equânimes e tratamento igualitário entre as nações.
O presidente brasileiro aproveitou a ocasião para reiterar suas críticas à dependência global do dólar, sugerindo o uso de moedas locais em transações comerciais, como as realizadas com a Índia.
Apesar do tom crítico, o governo brasileiro monitora os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que indicam que a decisão da Suprema Corte dos EUA pode impactar até US$ 21,6 bilhões em vendas externas brasileiras, reforçando a urgência da agenda diplomática na Casa Branca no próximo mês.
*Com informações da CNN e g1.
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