Ausência em debates ajudou Bolsonaro em 2018: o que esperar das eleições 2022?

Em 2018, Bolsonaro ganhou as eleições participando de só 2 debates. Ausência poderia prejudicar Lula se o petista participasse

Lula com a mão no bigode e olhar de atenção, na foto ao lado Jair Bolsonaro de frente para a câmera falando ao microfone
Lula e Jair Bolsonaro: a polarização que marca a disputa eleitoral de 2022

Jair Bolsonaro e Lula participarão dos debates das eleições 2022? Ainda não há decisões finais, mas o atual presidente não quer participar dos debates e admitiu que só deve estar presente em um eventual segundo turno. Já Lula analisa as opções. O histórico mostra que a ausência de Bolsonaro na ferramenta eleitoral o favorece.

Em entrevistas a diversos veículos nesta semana, o mandatário usou a justificativa de que seria alvo de “pancadas” dos demais candidatos e que, por isso, não “teria tempo” de responder às perguntas. Bolsonaro defendeu, também, que as perguntas deveriam ser “pré-acertadas”.

Sem admitir que o motivo seria o de facilitar a sua participação, garantindo a confiança de que ele saberia responder às perguntas, afirmou que receber as perguntas com antecedência impediria “baixar o nível” do debate.

“No primeiro turno, a gente pensa, porque se eu for, os 10 candidatos vão querer dar pancada em mim e eu não vou ter tempo para responder. Eu acho que o debate deveria ser perguntas pré-acertadas antes para não baixar o nível”, afirmou em entrevista ao apresentador Ratinho, nesta terça (31).

Bolsonaro, contudo, garantiu que participaria no segundo turno. Mas essa decisão também poderia mudar. Isso porque, para além das críticas de outros candidatos e de se a postura seria condizente com o jogo do sufrágio, a decisão é estratégica.

Interrompendo a prática tradicional, em 2018, Jair Bolsonaro ganhou as eleições participando de somente 2 debates eleitorais, nenhum deles no segundo turno.

À época, justificou a sua ausência pelo atentado com facada que sofreu em ato em Juiz de Fora, Minas Gerais, em setembro de 2018, omitindo-se dos 5 debates eleitorais seguintes, de setembro a outubro.

Mas ainda no final de agosto de 2018, antes de sofrer o atentado, a equipe de campanha de Jair Bolsonaro constatou que os debates prejudicavam a sua imagem e o então candidato à Presidência decidiu que deixaria de participar das sabatinas com adversários nas emissoras de TV e rádio.

Ainda, imediatamente após o resultado do 1º turno, quando já havia recebido autorização médica para voltar a participar ativamente de agenda de campanha, Bolsonaro marcou presença em diversos atos e palanques. Mas negou qualquer debate televisionado, provocando o que foi a primeira disputa à Presidência de 2º turno da história sem a realização de debate.

Tanto a facada em si, quanto a sua ausência nos debates eleitorais foram apontados por cientistas políticos como cenários que favoreceram o candidato a vencer as eleições daquele ano.

O ex-presidente, por sua vez, indica ser favorável à participação das sabatinas eleitorais, mas sua equipe de campanha analisa a viabilidade de um outro formato e tampouco vê sentido da participação do favorito se Bolsonaro não participar.

Esse outro formato seria o de pool, ou seja, transmitido por diversas emissoras de rádio e televisão. Assim, ocorreriam menos debates, mas maiores e sem a repetição de temas já tratados em anteriores.

Também, na visão da equipe de Lula, constatando que a ausência de Jair Bolsonaro nos debates de 2018 o favoreceram, não haveria sentido a participação sem o seu maior oponente. Sem o atual presidente, os candidatos adversários centrariam as críticas contra Lula e não contra Bolsonaro.

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1 Comentário

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Marcos

- 2022-06-02 16:20:16

Bolsonaro tem dificuldade de articular uma fala com mais de 140 caracteres. Até na leitura de um discurso mais extenso a gente percebe alguma dificuldade. Por isso o medo de debates.

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