Bolsonaro falsificou informações sobre casa de meninas venezuelanas

Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
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Professora da comunidade de São Sebastião relatou ao GGN a verdadeira situação da casa de acolhimento citada por Bolsonaro

Jair Bolsonaro com cara de desespero
Foto: Agência Brasil

A professora Pilar Acosta, da comunidade de São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal, que recebeu uma visita de Jair Bolsonaro (PL) em 2021, desmentiu as declarações do mandatário sobre a situação de uma casa de acolhimento em que ele teria encontrado um grupo de adolescentes vindas da Venezuela “arrumadas para ganhar a vida”, em clara insinuação de prostituição infantil. 

“Há uma casa de acolhimento para pessoas em situação de rua e para imigrantes na cidade, que fica perto do Terminal de ônibus. Ninguém pode entrar lá sem identificação, muitos assistentes sociais e conselheiros tutelares fazem atendimento lá. Não há nenhuma denúncia de prostituição de meninas naquele local, sendo um espaço extremamente sério”, conta a professora ao Jornal GGN

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Em entrevista ao podcast Paparazzo Rubro-Negro, na sexta-feira (14), Bolsonaro declarou, sem qualquer constrangimento, que “pintou um clima” com “menininhas de 14 e 15 anos” quando ele passeava de moto pela comunidade no ano passado, durante a pandemia de Covid-19.

“Parei a moto em uma esquina, tirei o capacete, e olhei umas menininhas… Três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. ‘Posso entrar na sua casa?’ Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, sábado de manhã, se arrumando, todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos, se arrumando no sábado para quê? Ganhar a vida”, afirmou Bolsonaro. 

Bolsonaro usou o caso para reforçar sua retórica de que o Brasil pode “se tornar uma Venezuela” caso o ex-presidente Lula (PT) vença a eleição. 

De acordo com uma transmissão ao vivo vinculada ao seu perfil do Facebook, ele visitou a residência no Bairro Morro da Cruz, acompanhado de uma comitiva. Na gravação, ele aparece conversando com mulheres que moram no local que vieram da Venezuela para o Brasil “em busca de uma vida melhor”.

São Sebastião é uma cidade com muito fluxo migratório por ser a mais próxima do plano piloto (centro da cidade). Depois, as pessoas vão para outras cidades como Ceilândia e Taguatinga. Assim, temos, efetivamente, muitos imigrantes também venezuelanos na cidade de São Sebastião, e que estão quase que totalmente desassistidos pela falta de políticas de assistência do Ibaneis [governador reeleito do Distrito Federal]”, explica Pilar. 

“Por outro lado, há iniciativas como a casa de acolhimento e o projeto de ensino de português do Brasil como língua adicional e de acolhimento pelo Instituto Federal de Brasília. Por fim, a comunidade de São Sebastião se sentiu desrespeitada pelas falas do Bolsonaro”, afirma a professora

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

5 Comentários

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  1. Bozo mente e desmente com a maior cara de pau. Como pode haver tantos brasileiros e brasileiras que ainda acreditam no que diz um dia e diz que não disse no dia seguinte?

  2. Talvez o Bolsonaro pensou nas adolescentes venezuelanas da mesma forma que o Artur Duval (Mamãe Falei) pensou nas Mulheres Ucranianas: “São fáceis, porque são pobres”.

  3. Tentativa de responder à Irene Telles. Creio que a escolha feita pelos eleitores do mito é por questão de coerência. Em grande parte, são pessoas que comungam dos mesmos princípios. Os arroubos e absurdos que deveriam suscitar indignação, provoca efeito contrário. Elas consubstanciam fraqueza com franqueza. Há também uma minoria dentre estas que sãos as ingênuas, pois foram duramente atingidas pelo processo de mais de 30 anos de trabalho da mídia brasileira contra a esquerda, precisamente o PT. O antipestismo pós candidato aécio, plantado por ele e regrado pela mídia, o surgimento da lava jato em conluio midiático gerou, ou, cristalizou a incapacidade de refletir minimamente, de modo que preguiçosamente ante a qualquer questionamento, a resposta é uma pergunta, qual seja: e o PT, hein? Eu estava aqui a debater com uma desta figuras bozzonaristas e ela me devolveu a seguinte questão: E porquê não estão felizes com tantos anos no poder(…)? Uma senhora do alto de seus 50/60 anos acha que qualquer indivíduo que não seja bozzonarista é um integrante dos governo Lula enriquecido com o famoso bordão Lula ladrão. A incipiência destas pessoas no âmbito político beira a infantilidade ou a demência, por isso mesmo a correlação entre elas e a noção de mito de uma figura boçal como esta que hoje ocupa a presidência da república. Não interessa o quanto é baixo e asqueroso o que se produz bolsonaro, pois para estas pessoas a época do PT era muito pior. E nós estamos falando de pelo menos 35% da sociedade. É muita gente desmiolada e sem condição de perceber o que foi os governos Lula em relação ao que está aí. Uma incongruência realística inadmissível.

  4. ‘Pintou um clima’: campanha de Bolsonaro se irrita com Centrão
    PP de Ciro Nogueira tentou justificar fala do presidente sobre meninas e complicou situação.

    Quanto mais os Passadores de Pano da Famílicia passam o pano, mais eles jogam bosta no ventilador do Bolsonaro. A passação de pano tá sendo contraproducente

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