Bolsonaro, indústria de armas e a extrema-direita

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Conexões da família de políticos com lobby armamentista norte-americano mostram que setor financia extrema-direita brasileira

Foto: Jay Rembert via Unsplash

A gestão de Jair Bolsonaro abriu campo para a atuação da indústria internacional de armas no Brasil, seja com relação ao grau de facilitação na venda de armas e munição como até mesmo na política.

Um primeiro ponto destacado pelo Washington Brazil Office, instituição focada em estudar ações que fortaleçam a defesa da democracia, foi a aproximação da família Bolsonaro com a indústria armamentista norte-americana.

Embora a mídia convencional tenha deixado clara a ligação dos Bolsonaro com a extrema-direita internacional, pouco se fala do financiamento da indústria internacional de armas em favor da agenda de extrema-direita no Brasil.

Segundo o Washington Brazil Office, a família Bolsonaro começou a manter contato com funcionários de clubes de tiro norte-americano no final de 2015, o que facilitou a aproximação dos políticos com a NRA e, mais tarde, no estreitamento das ligações com Steve Bannon e a família de Donald Trump.

Essa aproximação permitiu aos Bolsonaro ter acesso a estratégias de marketing, networking e lobby pró-armas da National Rifle Association (NRA) tanto que, em junho de 2020, Eduardo Bolsonaro passou a capitanear um grupo chamado Pró-Armas.

Em seu site oficial, o grupo ProArmas afirma que busca não só abordar a questão da legislação de controle de armas, mas quer aborsar “questões sociológicas e filosóficas que estão por trás das políticas de desarmamento, bem como, o que sustenta o seu direito de ter acesso às armas de fogo”.

Em dois anos, 50 mil integrantes

Em dois anos de existência, o grupo Pró-Armas já conta com 50 mil membros inscritos e atua na maioria das regiões do país. Seu trabalho tem sido feito junto a políticos para mudar a legislação de controle de armas, além de promover e divulgar clubes de tiros.

Essa associação apoiou a candidatura de diversos políticos pró-armas ligados ao PL, partido de Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Ao todo, 38 políticos armamentistas foram eleitos, como o ex-vice-presidente general Hamilton Mourão, para o Senado.

Outro armamentista eleito foi o diretor da ProArmas, Marcos Zborowski Pollon. Segundo o site do grupo, Pollon é advogado, professor de direito desde 2003, especialista em legislação de controle de armas, “pró Deus, pró Vida e pró Armas, foi fundador da ADPMS – Academia de Direito Processual do Mato Grosso do Sul e do Instituto Conservador fundado em 2015 no estado do Mato Grosso do Sul”.

O Pró-Armas também tem o apoio de indústrias como a norte-americana Glock, o que comprova a ligação da indústria internacional de armas com a extrema-direita no Brasil, representada pela família Bolsonaro e por seus aliados.

Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

2 Comentários

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  1. Um exemplo da farra de armas é o crescimento assustador dos assaltos a mão armada e dos tiroteios quase diários, por todo o país.
    Basta vermos o vídeo do tiroteio em restaurante de Campo Grand no Rio de Janeiro. A fartura e5 tanta quanto os frequentadores.

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