Bolsonaro não foi aos protestos, mas acirrou a crise política nas redes sociais

Presidente compartilhou vídeo com manifestante defendendo CPI da Lava Toga e, durante culto evangélico, voltou a associar parlamentares à velha política

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil

Jornal GGN – A postura do presidente Jair Bolsonaro em relação às manifestações organizadas por simpatizantes neste domingo, 26 de maio, deve aumentar a crise entre seu governo e o Congresso. É isso que mostra reportagem da Folha de S.Paulo trazendo a opinião de parlamentares e do núcleo moderado do governo.

Apesar de ter desistido de ir aos atos de ontem, sob a justificativa de não querer associar a imagem do governo às passeatas, Bolsonaro fez várias publicações pelo Twitter, mais acirrado do que contendo a crise com o Legislativo.

Entre os vídeos compartilhados por Bolsonaro, em um deles um manifestante defendia a CPI da Lava Toga, ou seja a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar os ministros de cortes superiores. Mais tarde, ele usou as redes sociais para criticar o posicionamento do manifestante.

“Há alguns dias atrás, fui claro ao dizer que quem estivesse pedindo o fechamento do Congresso ou STF hoje estaria na manifestação errada”, escreveu ressaltando também na mensagem que esse tipo de pauta não foi predominante nas manifestações de ontem.

“Sua grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos”, acrescentou.

Mesmo assim, segundo a Folha, o gesto do presidente por ter compartilhado o vídeo foi considerado equivocado pelo núcleo mais moderado do Palácio do Planalto e ainda irritou congressistas, alguns deles alvos de críticas nas ruas, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), peça central na tramitação dos pacotes do governo, como reforma da Previdência.

Pela manhã de ontem, Bolsonaro participou de um culto evangélico no Rio de Janeiro onde disse ser o único eleito na história do país que “está cumprindo o que prometeu durante a campanha”.

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“É uma manifestação […] com respeito às leis e instituições. Mas com um firme propósito de dar um recado àqueles que teimam com velhas práticas não deixar que o povo se liberte”, disse.

Ao chegar em Brasília, de volta para o Palácio da Alvorada, ele confirmou o que pensa para jornalistas pedindo para que a imprensa “pergunte para o povo” se sua declaração foi errada.

À noite, durante entrevista à TV Record, o presidente disse ainda que a palavra centrão – como passou a ser chamado o grupo que reúne cerca de 200 parlamentares de partidos como PP, DEM, PRB, MDB e Solidariedade – acabou se tornando um “palavrão” e que boa parte dos deputados e senadores que estão nesse bloco não quer ser rotulada de “clientelista”, assim os próprios parlamentares devem se desvincular dessa imagem.

“Nas palavras de um assessor presidencial, se um dos objetivos das manifestações era pressionar por uma aprovação célere do regime de mudança das aposentadorias, o efeito prático pode ser o oposto: o atraso como uma forma de retaliação”, escrevem os jornalistas Camilla Mattoso, Gustavo Uribe e Ranier Bragon que assinam a matéria na Folha.

A reportagem afirma também que Maia e aliados do centrão fizeram reuniões na tarde de domingo avaliando que as redes sociais de contas bolsonaristas fizeram parecer que as manifestações pró-governo foram bem maiores do que a realidade.

Sem citar fontes, o presidente da Câmara destacou que os protestos do dia 15, contra o governo, foram três vezes maiores, por outro lado, as manifestações de ontem, pró-governo, tiveram oito vezes mais compartilhamentos nas redes sociais, sugerindo que robôs estão sendo utilizados para inflar o apoio de Bolsonaro.

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“Eu achei pequeno e o Rodrigo [Maia] também achou pequeno [o protesto]. Não muda nada. Vamos continuar votando pelo Brasil, desconhecendo que o governo existe”, disse Paulinho da Força (SD-SP), um dos líderes do centrão.

Senadores também criticaram as manifestações de Bolsonaro nas redes sociais. “O que ele [o presidente] está fazendo é chamando para o confronto. Isso só acirra os ânimos. É um governo que não tem projeto e não tem proposta”, afirmou o senador Otto Alencar (BA), líder do PSD, a segunda maior bancada.

“Ele ainda participa de um culto e fala que quem foi pra rua é contra a velha política. A manutenção do ministro do Turismo não é a velha política? Por que ainda não demitiu o ministro do Turismo?”, acrescentou.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, também exaltado durante as manifestações de ontem, se manifestou via rede social dizendo que os atos não apresentaram “pautas autoritárias”.

“Povo manifestando-se em apoio ao Pr Bolsonaro, Nova Previdência e ao Pacote anticrime. Sem pautas autoritárias. Povo na rua é democracia. Com povo e Congresso, avançaremos. Gratidão”, escreveu. Para ler a matéria da Folha na íntegra, clique aqui.

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