Para evitar racha interno no partido, o MDB decidiu liberar os filiados a escolher se apoiarão Lula ou Bolsonaro na disputa presidencial. Mas Simone Tebet, a atual liderança da sigla e que levou o MDB ao reconhecimento nacional com elogiada performance nos debates, já havia se decidido: apoiará Lula para presidente.
Tebet só esperava o aceno do seu partido, o MDB. Mas a ex-candidata à Presidência que chegou a terceiro lugar, com 6,34% dos votos, e ultrapassando Ciro Gomes (PDT), já havia optado por Lula. A escolha não foi diante dos acontecimentos dos últimos dias. Condiz com sua crítica ao governo de Jair Bolsonaro, durante a trajetória como senadora, por considerá-lo antidemocrático.
A confirmação do apoio de Tebet partiu, em primeira mão, de uma internauta do Twitter, que encontrou a senadora na rua e disse a ela, em três minutos de rápida interação, que apoiaria Lula, depois de algumas concessões.
Os jornais desta terça (04) associaram a internauta a “fontes”. “Na GloboNews, o pessoal fala ‘segundo fontes’, né? Agora a fonte fui eu mesma, 100% ao acaso”, confirmou nas redes, em tom de humor.
Mas independentemente da confirmação de Tebet, que já era previsível e esperada, faltava o gesto do MDB se embarcaria no apoio, como partido, ou não. E diante de contradições internas, o MDB decidiu liberar seus filiados.
MDB mudando apoio desde 1998
A indefinição do partido está atrelada ao seu próprio histórico. Após perder para Fernando Henrique Cardoso em 1994, com Orestes Quércia ficando em 3º lugar, o ex-PMDB decidiu apoiar o então vitorioso daquele ano para a eleição seguinte, de 1998, sendo parte da coligação tucana.
Repetiu a mesma receita com Lula, após ganhar duas eleições seguidas, colocando Michel Temer para ser vice nos mandatos de Dilma Rousseff. Naquele mesmo período de apoio à candidatura de Dilma, Orestes Quércia, um dos principais representantes do PMDB, atuava junto a lideranças tucanas – José Serra, Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes – para apoiar o PSDB em São Paulo, em 2010.
Com as tratativas de Eduardo Cunha, também MDB e ex-presidente da Câmara dos Deputados, ele e Michel Temer personificaram a ruptura e traição do partido ao PT, com a derrubada de Dilma em 2015 e 2016. Mas resistiram na sigla nomes que mantiveram o apoio ao partido e à Lula, como governanças regionais e Renan Calheiros, no Senado.
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Até hoje, o MDB prefere não se comprometer com definições e até polêmicas de figuras como o governador Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, que foi reeleito, mas que é fiel apoiador de Jair Bolsonaro.
Por outro lado, a maior presença de lideranças do MDB ainda se dá junto ao PT. No Nordeste, na maioria dos estados a chapa do MDB é com o PT, como Rio Grande do Norte, Bahia, Piauí, Ceará e Sergipe.
Assim, o partido não irá fazer um grande evento de apoio a Lula, como esperado pelo candidato e pela própria Simone Tebet. Caberá à ex-presidenciável esse papel de ressoar a transferência de parcela dos 6,34% a Lula no segundo turno.
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