A corrida presidencial mais acirrada desde a redemocratização chega ao domingo (25) com um cenário de indefinição. Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (24), véspera do segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão tecnicamente empatados. O candidato do PL marca 51% dos votos válidos, contra 49% do petista.
Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos, sendo o critério oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para determinar e divulgar o resultado do pleito. Na rodada anterior do instituto, publicada na quinta-feira (22), os adversários registravam 50% cada. No início do segundo turno, a vantagem do senador era de quatro pontos.
No cenário de votos totais, Flávio Bolsonaro tem 48% da preferência do eleitorado, enquanto Lula soma 47%. Aqueles que declaram voto em branco ou nulo representam 3%, e os indecisos somam 2%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O peso da abstenção
Com a disputa resolvida nos detalhes, as campanhas direcionam esforços para microgrupos e, sobretudo, para a redução da abstenção. No primeiro turno, 21,08% dos eleitores não compareceram às urnas.
O aumento das faltas foi mais expressivo entre os jovens de 21 a 24 anos, alcançando um quarto desse segmento. Como resposta a esse déficit, a campanha do PT intensificou a mobilização de estudantes nas ruas e o engajamento em redes sociais para tentar levar às urnas um público que historicamente tende a votar na sigla.
Embates no TSE e na TV
A reta final também foi marcada por disputas jurídicas e confrontos televisivos. Na sexta-feira, o TSE decidiu não suspender o canal de WhatsApp “Exército do Lula“, motor da estratégia digital petista, frustrando dúvidas levantadas na véspera pelo ministro Kassio Nunes Marques.
O tribunal também se manifestou sobre um desafio feito por Lula no debate da TV Bandeirantes, quando o petista cobrou a abertura de sigilos da família Bolsonaro em troca da liberação dos seus próprios dados. A corte eleitoral declarou que a decisão cabia exclusivamente aos candidatos, sem necessidade de interferência judicial, esvaziando o impacto prático do que foi considerado uma manobra política.
Na noite de sexta-feira, o último debate, transmitido pela TV Globo, apresentou tom mais contido em relação ao encontro anterior, embora tenha mantido a troca de ataques. O candidato do PL recorreu a termos pejorativos contra Lula e enfrentou dificuldades ao debater segurança pública, uma de suas principais bandeiras. O senador perdeu o controle do tema após a citação à mãe da menina Ana Clara, morta por um policial que teve Flávio como advogado de defesa.
A pesquisa Datafolha ouviu 4.050 eleitores em 124 municípios brasileiros entre sexta-feira (23) e sábado (24). O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado no TSE sob o número BR-09540/2026.
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