Deputados reconhecem diálogo com ministros de Lula, mas apoio cai, mostra Quaest

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
[email protected]

A pesquisa mostrou, ainda, que 43% não enxerga um interlocutor do governo. Orientação de Lula foi dissipar diálogo entre todos os ministros

Foto: Divulgação/PR

O governo Lula vem enfrentando dificuldades de manter apoio no Congresso Nacional. Entre as conclusões da nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta (22), enquanto a estratégia de dissipar o diálogo dos parlamentares junto a todos os ministros vem surtindo efeitos e, apesar de os deputados reconhecerem o desempenho do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a avaliação do governo Lula junto aos deputados caiu.

Essa última conclusão é a primeiro do relatório: aumentou a avaliação negativa do governo Lula entre os deputados federais, de 33% no ano passado para 42% este ano, e caiu a avaliação positiva de 35% para 32%.

É a mesma consideração sobre se o Brasil está indo na direção certa (hoje minoria, 38%) e errada (a maioria, 52%).

A mudança se deve, segundo análise de Felipe Nunes, diretor da Quaest, ao setor ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira, que se classificam como “independentes” e representam 26% do plenário da Casa.

O resultado da orientação de Lula

Por outro lado, a pesquisa divulgada hoje também é resultado de uma estratégia adotada pelo governo Lula, de envolver não somente o ministro de relações institucionais, Alexandre Padilha, mas toda a equipe ministerial do governo, em diálogos com os parlamentares.

A pesquisa mostra que a grande maioria dos deputados reconhece ter sido recebido por ministros, e mais de uma vez. A maioria dos governistas foram recebidos mais de 6 vezes, a maioria dos independentes mais de 4 vezes e a metade da oposição foi recebida, pelo menos, 1 vez.

Ainda, na avaliação dos deputados, uma parcela significativa confirma que seus pedidos foram atendidos: 65% dos governistas, 44% dos independentes e 18% da oposição.

Falta de interlocutor claro x Reconhecimento de Padilha

Entretanto, essa orientação do presidente Lula de envolver todos os Ministérios em diálogos com o Congresso também acarretou em efeitos negativos: a maioria não enxerga um interlocutor claro do governo federal para dialogar.

Para 43% dos deputados, o governo “não tem um interlocutor”. Quando os nomes são citados, a maioria reconhece que é Padilha quem exerce esse papel. As outras porcentagens ficaram divididas entre demais ministros e outras figuras de governo.

Apesar de a pesquisa não apontar essa conclusão, para Felipe Nunes, “a consequência objetiva dessa falta de interlocução é que diminuiu o percentual de deputados que acreditam que o governo vai ter sucesso em sua agenda legislativa”.

Impacto do Congresso nas eleições municipais 2024

O pesquisador lembra, ainda, da importância dos parlamentares na aprovação tanto de agenda de governo, quanto das eleições municipais deste ano, nos quais 80% dos deputados afirmam que pretendem “se envolver muito” no pleito.

O levantamento foi feito entre os dias 29 de abril e 20 de maio, junto a 183 deputados, o que são 36% de toda a Casa legislativa. Apresenta uma margem de erro de 4,2 pontos percentuais.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Me parece uma amostra muito enviezada, para se fazer uma pesquisa, que eu diria o instituto Quaest já poderia ter previsto o resultado. Dia após dia a QUaest faz pesquisas e supostamente não estamos sequer em período eleitoral. Me parece que estas são formas de influenciar, eleição do presidente da Câmara assim como as outras vão em busca do candidato ‘moderado’.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador