10 de junho de 2026

Eleição em São Paulo vira lamaçal, por Marco Piva

Ao entrar na corrida sem tempo algum de rádio e TV, Pablo Marçal lançou mão daquilo que lhe rendeu dinheiro: enganar otários.
Reprodução Instagram

Eleição em São Paulo vira lamaçal

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por Marco Piva

O surgimento das redes sociais criou um novo tipo de comportamento na sociedade. Como diria Norberto Bobbio, é a chance para uma legião de idiotas se manifestar e vomitar todos os seus traumas e preconceitos sem o mínimo compromisso com a responsabilidade. Daí a necessidade, mais do que urgente, de haver uma regulamentação para esse verdadeiro ataque cibernético que semeia ódio e atrai o que é de pior do ser humano. Países europeus já se movimentam para dar um basta a esse modo de promoção da barbárie. O presidente Lula, em discurso de abertura da Assembleia Anual da ONU, chamou a atenção para essa necessidade, obtendo o apoio inclusive de Bill Gates.

O resultado da incivilidade digital mostra toda as suas garras na atual campanha eleitoral para a prefeitura de São Paulo. Ao entrar na corrida sem tempo algum de rádio e TV, o candidato Pablo Marçal lançou mão daquilo que lhe rendeu dinheiro na vida profissional: enganar otários.

Mas, não poderia fazer isso sem usar estrategicamente o sentimento que vigora em boa parte da população: se apresentar como um combatente do sistema que está aí. E a qual sistema ele se refere exatamente? A uma indignação difusa de que tudo que vem da política está manchado de sujeira. A isso ele agrega uma verborragia ilimitada de insultos e agressões contra tudo e contra todos. Não é à toa que boa parte do eleitorado que admira Jair Bolsonaro vê em Marçal o “Mito 2.0”, um robocop avançado da mediocridade.

A cadeirada de José Luiz Datena em Pablo Marçal foi consequência natural de uma trama pensada, assim como o soco de um assessor do “M” no marqueteiro de Ricardo Nunes. A ideia é essa mesma: aproveita-se o sentimento de indignação contra o sistema político – validado pelos próprios eleitores, registre-se – para expor de forma grosseira e torpe uma suposta alternativa para “arrumar a casa”.

Ora, uma eleição exige dois bons ingredientes: candidato e programa. Se haverá cumprimento ou não das promessas do vencedor, é outra história que, aliás, contribui para aumentar a desconfiança na política. Porém, o que Pablo Marçal apresenta é apenas um amontoado de frases construídas para saciar o apetite do mais baixo senso comum.

Diante disso, os demais candidatos demoraram a perceber como enfrentar a voz dissonante da disputa. E que ninguém se engane. O objetivo era “chacraniano”, ou seja, “eu não vim para explicar, eu vim para confundir”.

Ao fazer isso e deixar os demais candidatos atônitos, Marçal surfou na onda do sucesso, aproveitando, inclusive, para vender mais de seus produtos. O problema é que não ficou somente nisso. Ao baixar o nível do debate de forma intencional, acabou levando a eleição para o ringue e até mesmo para a esfera criminal produzindo a sensação de que “todos os candidatos são iguais”.

Agora, na eleição, caberá ao cidadão saber distinguir entre a farsa e a verdade. De qualquer maneira, o estrago está feito.

Marco Piva é jornalista, apresentador do programa Brasil Latino (Rádio USP) e editor-chefe do canal de Youtube China Global News (@chinaglobalnews).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Wellington Marques

    25 de setembro de 2024 11:28 pm

    Caro amigo piva ,você tem razão no seu comentário, isso é uma vergonha, sou pernambucano, e se votasse em São Paulo jamais iria votar nesses candidatos, isso não é democracia, é uma vergonha pública, o supremo do tribunal eleitoral já deveria se pronúncia sobre essa palhaçada que está acontecendo com os candidatos a prefeitura da maior cidade do BRASIL, e p.terminar ,cuidado para os militares não interferir nessa eleição de 2024,repito que vergonha amigo.g.abraco amigo.

  2. Wellington Marques

    26 de setembro de 2024 9:12 am

    Não deveria,isso não é papel de jornalista e sim do supremo tribunal eleitoral.

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