A América Latina entra na reta final de 2025 com eleições em países estratégicos como Bolívia, Argentina e Chile em meio ao avanço da extrema-direita e a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, gerando inclusive dúvidas sobre a estabilidade democrática regional.
As análises foram apresentadas no programa Observatório de Geopolítica – América Latina, da TV GGN, que destacou como a combinação de fragilidades estruturais — desigualdade, pobreza e populismo — torna a região mais vulnerável a retrocessos democráticos.
O programa contou com a participação dos seguintes acadêmicos:
- Regiane Bressan: professora associada na UNIFESP, curso de Relações Internacionais. Profa do Prógrama de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP e PUC-SP). Especialista em América Latina e Integração Regional. Doutora e Mestre pelo PROLAM/USP. Pesquisadora pelo Observatório de Regionalismo. @regianenbressan
- Flávia Loss: coordenadora da Pós-Graduação em Relações Internacionais na FESPSP e professora do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Doutora em Relações Internacionais (IRI-USP) e pós-doc no Instituto de Estudos Avançados da USP.
- Ronaldo Tadeu de Souza: Doutor e Pesquisador de Pós-Doutorado no Departamento de Ciência Política da USP (Linha de Pesquisa Teoria Política) e no Grupo de Pesquisa Soberania Popular em Perspectiva Histórica (CNPq-USP). Pesquisador no Núcleo de Teoria e Pensamento Política do Cedec-Centro de Estudos de Cultura Contemporânea e editor do Boletim Lua Nova/Cedec.
Argentina: queda de Milei e dependência de Trump
Na Argentina, o presidente Javier Milei enfrenta eleições legislativas em 26 de outubro em meio a um enfraquecimento de sua base de apoio. Pesquisas recentes indicam queda de quase dez pontos em sua popularidade, a primeira vez em que o político aparece em baixa desde sua eleição.
Diante desse cenário, Milei busca apoio político e financeiro junto aos Estados Unidos. Trump já se moveu para intermediar negociações com o FMI e acenou com a liberação de recursos ao país, em uma tentativa de sustentar o governo argentino. Analistas destacam, porém, que ainda há incerteza sobre a concretização desse respaldo.
Bolívia: segundo turno pode redefinir o mapa político
Na Bolívia, o primeiro turno ocorreu em 17 de agosto e o segundo está marcado para 19 de outubro. Embora não haja um candidato abertamente de extrema direita, os dois principais nomes em disputa são de direita e já incorporam discursos radicais, sinalizando a possibilidade de uma guinada futura no país.
Chile: eleições presidenciais em novembro
O Chile realizará eleições gerais em 16 de novembro, com previsão de segundo turno presidencial em 14 de dezembro. A disputa acontece sob forte influência do avanço conservador regional, que tende a impactar diretamente os rumos da política chilena nos próximos anos.
Equador e a expansão do autoritarismo
Outro ponto de alerta é o Equador, onde o presidente Daniel Noboa propôs um referendo para ampliar poderes do Executivo e permitir a instalação de bases militares estrangeiras, sob o argumento de combater o narcotráfico. A medida, que beneficia diretamente os interesses dos EUA, é vista como mais um passo de fragilização institucional na região.
CPAC e a articulação da extrema direita
Um dos fatores que marca a ascensão da extrema-direita na América do Sul é o CPAC, congresso internacional conservador que passou a ter edições frequentes na região.
O evento já foi realizado no Brasil e no México, ajudando a consolidar redes entre lideranças da extrema-direita como Javier Milei e o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, além de atrair políticos europeus alinhados com essa visão.
Democracia em risco
Segundo os especialistas ouvidos pelo Observatório de Geopolítica – América Latina, governos populistas de diferentes espectros ideológicos tendem a adotar práticas autoritárias, aproveitando-se das fragilidades socioeconômicas e institucionais da região.
Com Argentina e Brasil já marcados pela ascensão da extrema direita, e países como Bolívia, Chile e Equador em disputa por seus rumos, o ano eleitoral de 2025 pode representar um ponto de inflexão para a democracia latino-americana — sob a forte influência de Donald Trump e da geopolítica global.
Veja mais a respeito na íntegra do programa Observatório de Geopolítica – América Latina, transmitido na TV GGN.
Carlos
4 de outubro de 2025 3:47 pmOs grandes fracassos da extrema-direita são transformados em “tropeços” pela mídia, que é capaz de se tornar cúmplice de genocidios, como este de Israel, enquanto as políticas progressistas têm seus ganhos relegados às páginas do meio, quiçá nota de rodapé.
A coisa é tão esdrúxula que as outrora praticamente diárias pesquisas eleitorais sob intenção de votos bo Brasil, quando Lula estava na baixa encurralado pelo Congresso, praticamente sumiram com a, mais uma, reinvenção de popularidade alcançada por Lula.
Mas, canalha é sempre canalha, publicaram outra pesquisa onde destacaram que a rejeição de Janja atingiu 61%, o maior nível.
A extrema-direita tem dinheiro, tem poder bélico, usa CEOs religiosos, mormente de seitas evangélicas, tem as big techs a seu favor, etc. Enfim, não é muito difícil entender a ascensão dela em nichos de pobreza.
Mas toda este suporte americano, como na Argentina, exigirá uma compensação dolorosa pois eua hoje é governado por débeis mentais, com o chefe executivo querendo, como disse Lula, ser imperador do mundo, tanto que já pretende ter sua cara estampada na moeda dos eua.