A produção brasileira de grãos deve alcançar um novo recorde em 2026, segundo as duas principais instituições que acompanham a agricultura nacional.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima uma colheita de 353 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 360,8 milhões de toneladas para a safra 2025/26.
A diferença de 7,8 milhões de toneladas entre as estimativas pode chamar a atenção, mas não significa necessariamente que uma das instituições esteja errada. Os levantamentos acompanham a produção agrícola com metodologias, períodos de referência e objetivos diferentes.
O IBGE divulgou sua estimativa referente a julho de 2026. O volume de 353 milhões de toneladas representa crescimento de 2% em relação à produção de 2025, que foi de 346,1 milhões de toneladas.
Na comparação com a previsão de junho, houve aumento de 1,6%, equivalente a 5,6 milhões de toneladas. A área a ser colhida está estimada em 83,1 milhões de hectares, 1,8% acima da área efetivamente colhida em 2025.
A Conab, por sua vez, divulgou o 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26. Sua projeção de 360,8 milhões de toneladas representa crescimento de 2,4%, ou 8,5 milhões de toneladas, sobre o ciclo anterior. A área cultivada é estimada em 83,5 milhões de hectares, com aumento de 2,1%.
Soja e milho puxam novo recorde
Apesar da diferença entre os números gerais, os dois levantamentos apontam para uma característica comum: soja e milho continuam concentrando a maior parte da produção brasileira de grãos.
No levantamento do IBGE, a soja deve alcançar 174,9 milhões de toneladas, alta de 5,3% sobre 2025. O milho aparece com previsão de 141,8 milhões de toneladas, somando 29,9 milhões na primeira safra e 111,9 milhões na segunda. O arroz, por sua vez, tem produção estimada em 11,2 milhões de toneladas.
Os números da Conab para as duas culturas são um pouco superiores: a companhia estima 180,5 milhões de toneladas de soja e 143 milhões de toneladas de milho. No caso do milho, a previsão inclui 29,5 milhões de toneladas na primeira safra, cerca de 111 milhões na segunda e 2,4 milhões na terceira.
As diferenças também aparecem em culturas importantes para o abastecimento interno. Para o trigo, por exemplo, o IBGE estima 6,4 milhões de toneladas, queda de 18,6% em relação a 2025. A Conab trabalha com uma projeção ainda menor, de 5,8 milhões de toneladas, redução de 26,2% em relação à safra anterior. Segundo a companhia, a queda está associada principalmente à redução de 20,4% na área plantada.
Diferença de metodologia
A diferença entre IBGE e Conab está ligada, entre outros fatores, à forma como cada instituição acompanha a produção e ao momento do ciclo agrícola considerado.
O levantamento do IBGE é uma estimativa mensal da produção agrícola, elaborada a partir de informações obtidas junto a órgãos públicos e agentes ligados ao setor, com o objetivo de acompanhar a evolução das principais culturas do país. Já a Conab trabalha especificamente com o acompanhamento das safras de grãos, realizando levantamentos ao longo do ciclo para atualizar suas projeções de produção, área e produtividade.
Também é importante observar que os períodos de referência não são idênticos. O IBGE fala em produção agrícola estimada para o ano de 2026, enquanto a Conab acompanha a safra 2025/26, que reúne culturas plantadas e colhidas dentro desse ciclo agrícola. Por isso, os números não devem ser simplesmente somados ou tratados como duas medições do mesmo universo no mesmo momento.
O ponto de convergência, entretanto, é significativo: as duas instituições apontam para uma produção historicamente elevada. A expansão da área cultivada e, principalmente, os ganhos de produtividade em culturas como soja e milho ajudam a sustentar a perspectiva de uma nova safra recorde.
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