21 de maio de 2026

Reta final: campanha de Lula se reúne com Moraes para pedir segurança contra violência política

Grupo pediu criação de canal de denúncias para registro de atentados, especialmente na última semana
Alexandre de Moraes, presidente atual do Tribunal Superior Eleitoral - José Cruz/Agência Brasil

do Brasil de Fato

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Reta final: campanha de Lula se reúne com Moraes para pedir segurança contra violência política

Cristiane Sampaio

Representantes da Coligação Brasil da Esperança, composta pelos partidos que têm como candidato à Presidência da República o ex-presidente Lula (PT), reuniram-se nesta quinta-feira (22), em Brasília (DF), com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, para pedir uma garantia de segurança para os eleitores que irão às urnas no dia 2 de outubro. 

O grupo, que reúne as siglas PT, PV, PCdoB, PSOL, Rede, PSB, Solidariedade, Avante, Agir e Pros, manifestou preocupação com o avanço dos casos de violência política, que têm vitimado diferentes pessoas no país. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que coordena a campanha de Lula na região Norte, a preocupação do grupo está centrada especialmente na próxima semana, a última antes de os brasileiros irem às urnas.

“Externamos a necessidade de o TSE garantir a todos os cidadãos o sagrado direito de comparecerem em paz às urnas do próximo domingo, dia 2 de outubro, e com as condições de segurança necessária para, durante a semana e no dia de eleição, exercerem o sagrado direito ao voto”, disse o senador, que chamou a atenção para características singulares do pleito atual. 

“Nós temos estado atentos aos acontecimentos desta eleição. Não é uma eleição como outra qualquer. É uma eleição totalmente atípica. Todos vocês sabem disso, têm acompanhado de perto. Tem um lado, sobretudo o que está no Palácio do Planalto, que propaga o ódio, que propaga o terror”, emendou, ao dizer que a comitiva que foi nesta quinta ao encontro do ministro espera das autoridades a “segurança necessária para [os eleitores] se manifestarem como quiserem. 

Randolfe também disse que o grupo pediu a Alexandre de Moraes “a garantia necessária pra [os eleitores] comparecerem às urnas no dia 2 de outubro e, livremente, com a manifestação que quiserem, exercerem o democrático direito ao voto”. “Saímos deste encontro com o ministro tranquilos em relação aos próximos passos que o Tribunal Superior Eleitoral deverá exercer”, entoou o parlamentar, que atua como líder da oposição no Senado.

De acordo com Randolfe, a coligação apresentou uma petição administrativa sugerindo que seja criado um canal de denúncia sobre atentados que venham a ocorrer especialmente na próxima semana. “Nós saímos com a tranquilidade de que deverá ser tomada essa medida”, disse, sem afirmar se Moraes confirmou que o TSE dará cabo à proposta. 

“O ministro nos antecipou que está tomando todas as medidas necessárias com as forças policiais militares dos estados, com as polícias civis dos estados e com as forças armadas. [Ele] está em contato direto pra garantir o exercício democrático das manifestações no curso desta semana e, em segundo lugar, para garantir o exercício livre e democrático da manifestação do voto no dia 2 de outubro.” 

Randolfe afirmou ainda que Alexandre de Moraes antecipou que fará, na véspera da eleição, um pronunciamento à nação “mobilizando os brasileiros pra que compareçam com a tranquilidade necessária às urnas”. 

Cenário

O contexto de violência política vem fermentando no país especialmente no bojo dos ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) aos opositores. Como resultado, o país tem visto os casos se multiplacarem pelas diferentes regiões. Foi o que ocorreu, por exemplo, em Foz do Iguaçu (PR), quando o tesoureiro do PT local, Marcelo Arruda, foi assassinado a tiros durante a própria festa de aniversário por um bolsonarista fanático. O caso ocorreu no início de julho e chocou o país. 

Levantamento feito pela UniRio e divulgado em julho deste ano aponta que os casos de violência política subiram 335% nos últimos três anos, considerando um intervalo que começa no primeiro semestre de 2019. Naquele período, houve 47 registros, enquanto foram notificadas 214 ocorrências no primeiro semestre de 2022. 

Paralelamente à escalada dos casos, o país assiste também à ascensão do clima de medo. Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha este mês mostra que atualmente mais de 67% dos brasileiros têm medo de violência política. Pouco mais de 3% do contingente ouvido pelo instituto contaram já terem sido alvo de ameaças por conta de suas posições políticas nos dias 30 que antecederam a pesquisa. O estudo foi feito entre os dias 3 e 13 de agosto deste ano.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br.

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