Como Serra armou o caso Lunus

Da Folha – 07/02/2002

Para senador, tucano recorreu a arapongas

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O senador José Sarney (PMDB-AP) afirmou ontem à Folha que, há dois meses, procurou o presidente Fernando Henrique Cardoso com uma informação explosiva: o deputado tucano Márcio Fortes, do Rio, teria contratado pessoas ligadas à comunidade de informações para investigar a vida e a administração da governadora Roseana Sarney.

Fortes é secretário-geral do PSDB e pertence ao núcleo da pré-campanha de José Serra à Presidência. O deputado nega envolvimento com a confecção e distribuição de “dossiês” contra a pré-candidata do PFL.

“Eu disse ao presidente da República que tinha informações seguras de que o Márcio Fortes tinha contratado essas pessoas para investigar a Roseana”, diz Sarney. Ele afirmou que acionou também o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, para que ele alertasse FHC da gravidade do episódio.

“Eu avisei, o Bornhausen avisou. O presidente disse: “Vou ver'”. Sarney diz que afirmou a FHC: “Você não pode deixar seu governo ser conspurcado”.

O ex-presidente conta que ficou sabendo da suposta operação de investigação contra Roseana por amigos que tem na área de informação ligados à Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

No começo desta semana, Sarney foi procurado pelo governador do Rio, Anthony Garotinho. Pré-candidato à Presidência pelo PSB,

Garotinho contou a Sarney que o deputado Márcio Fortes tentou entregar a ele, Garotinho, por meio de um parlamentar de sua base de apoio no Rio, um dossiê contra a governadora.

Anteontem, ao falar sobre o dossiê com a imprensa, Garotinho disse que fora procurado por um político ligado ao governo federal. Questionado se esse político era Márcio Fortes, Garotinho afirmou aos jornalistas: “Perguntem a ele”. Fortes respondeu anteontem: “Não vou perder meu tempo com baboseiras”.

“Se agora aparece essa história do dossiê que tentaram entregar ao Garotinho, as coisas começam a se juntar”, diz Sarney. Ontem, Fortes voltou a negar envolvimento. “Fico perplexo com esse tipo de ilação. Não é o meu estilo. Eu sou amigo do presidente Sarney. Não consigo entender.” O deputado pede que Sarney revele o nome de suas fontes. 

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