8 de junho de 2026

Ministro da Defesa consegue saída honrosa junto ao TSE, por Luis Nassif

Alexandre de Moraes deu a saída. Aceitou uma reunião geral e acatou uma das reivindicações das FFAAs.

Há tempos defendo a hipótese que o esperneio do Ministro da Defesa, general Paulo Sérgio, em relação às urnas eletrônicas, era apenas a ansiedade por uma saída honrosa para o imbróglio em que se meteu, avalizando as loucuras de Bolsonaro.

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O então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ministro Luis Roberto Barroso, cometeu a imprudência de incluir as Forças Armadas na comissão de avaliação das urnas.

Provavelmente, os técnicos do Exército pretenderam uma exibição de conhecimento, quando montaram a lista com 40 observações. Aí entrou o elemento político. Bolsonaro utilizou a lista para desacreditar a urna, os técnicos do TSE responderam desacreditando a lista e criou-se o impasse.

Jejuno em política, o general Paulo Sérgio assumiu a defesa dos seus, endossou as teorias conspiratórias de Bolsonaro, e acabou alvo não apenas de críticas, mas de chacotas.

Jejuno em política, o general – que até então tinha fama de sujeito ponderado -, tentou desesperadamente uma saída honrosa com o Ministro Luiz Edson Fachin, uma reunião, uma mera reunião que fosse, na qual o TSE acatasse qualquer sugestão das Forças Armadas. Seria a saída honrosa.

Acontece que Fachin e seus colegas carregavam na biografia o recuo ultrajante, de se dobrar ao tuiter do general Villas Boas. Bateu o pé e não aceitou sequer receber o general. E o general se deu conta de que o jogo político é um pouco mais complexo do que uma ordem unida.

Agora, Alexandre de Moraes deu a saída. Aceitou uma reunião geral e acatou uma das reivindicações das FFAAs. E o general Paulo Sérgio pode, enfim, gozar do alívio explícito de sair desse atoleiro em que se meteu.

Sorte dele é que Stanislaw Ponte Preta já morreu.

Mas o gesto de Paulo Sérgio afasta definitivamente o risco de um golpe com as Forças Armadas.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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10 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    2 de setembro de 2022 4:28 pm

    “E o general se deu conta de que o jogo político é um pouco mais complexo do que uma ordem unida.”
    Não dá pra misturar as duas coisas. Misturar é desastre líquido e certo. Para depois, na melhor das hipóteses ter de render-se à constatação de Mourão (o primeiro) de ter bancado a “vaca fardada”.

  2. Bruno Cabral

    2 de setembro de 2022 7:33 pm

    Aceitaram o que?

  3. ed.

    2 de setembro de 2022 8:08 pm

    E aquele “dono” das FFAA, cuméquifica?
    Vai ter desfile de bozonaves, digo, belonaves na Princesinha do Mar?
    …o barquinho vai … a tardinha cai …
    PS: vale a pena saber da estória do “dia de luz, festa do sol” pelo “pescador” Roberto Menescal (+Boscoli).
    https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/09/21/interna_diversao_arte,270718/menescal-e-wanda-sa-comemoram-50-anos-de-criacao-da-musica-o-barquinho.shtml

  4. AMBAR

    2 de setembro de 2022 8:10 pm

    Assim esperamos.

  5. Francisco Santos

    3 de setembro de 2022 12:37 am

    Uma questão séria é que os militares já não contam com o apoio da imprensa, como contava o judiciário no golpe contra Dilma Roussef
    A imprensa cria uma ferida e depois espreme o pus e o paisciente sente as consequências
    Na argentina quase se mata uma pessoa, um ser humano uma pessoa pública por ódio e não há consequências?
    Seremos coniventes com os donos da informação?

  6. SidneyFernandes

    3 de setembro de 2022 8:06 am

    Desculpe a minha ignorância, mas qual foi a medida acatada ?
    Obrigado

  7. Paulo Dantas

    3 de setembro de 2022 11:34 am

    Faltou respeito com as FA os caras manjam de cibersegurança , merecem serem ouvidos.
    Mas a mídia ainda tem ódio dos militares.
    Minha preocupação não é mais urna mas sim os Servidores (máquinas) dos TREs e TSE.
    O ataque será pesado.
    Seria bom um consórcio de Imprensa apurando os somatórios dos boletins , daria trabalho mas dá para fazer.

  8. zezeca brasil

    3 de setembro de 2022 10:31 pm

    O objetivo dos militares foi alcançado, colocar mais uma cunha no sentido de deslegitimar o resultados das urnas. Os técnicos do TSE alertaram o quão inviável é a proposta do Ministério da Defesa. Não o fizeram por despreparo, não precisam de saída honrosa alguma. O que fazem é dissimulação. Eles querem muita confusão nas seções eleitorais. Vão assistir de camarote, apenas esperando o momento de intervir.São de DNA golpista, nunca vão mudar.

  9. Óbvio Ululante

    8 de setembro de 2022 9:05 am

    – E se o objetivo dos militares nuca ter sido desacreditar o resultado das urnas, mas de fato, garantir que não haja reclamação ao resultado que sair delas?
    – E se as urnas eletronicas forem, de fato, fraudáveis (por eles)?
    – E se o complexo militar-jurídico que tomou de assalto o pais em 2016 e está aí até hoje detém a capacidade de fraudas as urnas? (“Com STF, com tudo” lembram? Esqueceram o que Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e cia limitada fizeram no verão passado?)
    – E se o que bolsonazi e seu governo militar fazem não é denúncia, mas uma operação muito bem pensada de bandeira falsa, de ao atacar diuturnamente o sistema eleitoral, forçar que os adversários passem a defendê-lo sem objeções?
    – Não acham que está tudo calmo e fácil demais?
    – Se esqueceram todos do que aconteceu em 2018, quando as pesquisas de véspera apontavam eleição de Dilma, Suplicy, Lindberg e outros, mas ao abrirem as urnas, o resultado foi assutadoramente diferente? Será mesmo que as pesquisas estavam erradas? Será mesmo que Dilma não foi eleita pelos mineiros para o Senado?
    – Pense sobre tudo isso e me responda: E se quando abrirem as urnas (e apesar das pesquisas) o resultado for 51%, 52%, 55% ou 60% para o Bolsonaro? O que vai acontecer? Vamos reclamar de fraude? Mas as urnas são confiáveis! Bolsonaro tinha razão? Quem fala pela boca de Bolsonaro? Além de não poder reclamar do resultado teremos que ouvir calados eles tripudiarem ao dizer que se não tivesse fraude, teriam ganho por mais? Que os institutos de pesquisa mentem? Fomos enganados? Fomos enganados! Por quem?

  10. Rubinho da Divinéia

    11 de setembro de 2022 5:08 pm

    Não existe terceira margem no Rio da História e esta, Europa das décadas de 20/Itália e 30/Alemanha, não pode se repetir como farsa no Brasil.
    @LulaOficial Presidente e ampla maioria de esquerda no congresso para reconstruir o Brasil é a resposta do Povo trabalhador em Outubro!

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