13 de junho de 2026

Em tom crítico a Trump, Boric e Lula assinam acordos bilaterais

Segundo o presidente chileno, a história ensina que, em tempos de incerteza no cenário internacional, é importante estar próximo de países aliados, como o Brasil
Crédito: Ricardo Stuckert/ PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, nesta terça-feira (22), a visita oficial do presidente do Chile, Gabriel Boric, e sua comitiva em Brasília, ocasião em que diversos acordos bilaterais foram assinados. 

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Um deles é o Memorando de Entendimento entre o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o Sercotec (Serviço de Cooperação Técnica do Chile), a fim de facilitar a internacionalização de pequenos negócios, para promover práticas sustentáveis e maior inclusão produtiva. 

As autoridades assinaram ainda acordos a fim de formalizar a Comissão Bilateral de Cooperação em Assuntos Consulares e Migratórios, uma Cooperação de Segurança Pública, com foco na prevenção e combate ao crime organizado transnacional, e troca de informações sobre assistência jurídica. 

A cultura também entrou em pauta. Foi assinado um acordo de coprodução audiovisual entre os países, para impulsionar as indústrias cinematográficas de ambos os países, além de fomentar o intercâmbio cultural. 

Memorandos de cooperação de inteligência artificial, agricultura familiar e defesa também foram formalizados nesta terça-feira por ministros chilenos e brasileiros. 

Presidente do Chile, Gabriel Boric iniciou seu discurso chamando a atenção para a visita da comitiva brasileira ao país no ano passado, ocasião em que ficaram claros os laços de amizade e de relação entre os países desde o início do terceiro mandato de Lula. 

Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi indiretamente criticado pelos chefes de Estado, graças à política tarifária que impôs aos parceiros comerciais. 

“Ninguém pode se salvar sozinho em mundo com grandes desafios de crise migratória, com grandes desafios em matéria de crise climática, com desafios imprevisíveis como foi a pandemia da Covid e talvez outras venham no futuro, não sabemos. Temos o dever de trabalhar juntos e hoje, em um cenário de incerteza mundial, principalmente em matéria econômica, mas não se limita somente a isso, é mais relevante que nunca reafirmar o nosso vínculo e dizer aqui na América do Sul que somos países amigos vamos seguir trabalhando juntos”, comentou o presidente chileno.

“E vamos seguir trabalhando juntos na defesa de princípios que nos importam para o Chile e para o mundo: democracia, o valor do multilateralismo e a importância da liberdade de comércio em benefício dos nossos povos para o benefício dos nossos povos. O Chile está contra uma guerra comercial, está contra a politização arbitrária com do comércio e defendemos, com muita força, a nossa autonomia estratégica no mundo tendo relações com diferentes países, diferentes regiões, sem ter que escolher entre um e outro”, criticou Boric.

O chefe de Estado chileno afirmou ainda que a história ensinou que, em tempos de incerteza no cenário internacional, “é importante estar sempre próximo de países aliados e de países amigos como o Brasil e vinculando também aos setores públicos o setor privado”.

Já Lula iniciou o discurso com um resgate histórico, em que, durante quase 400 anos, os países latino-americanos se viam como inimigos, visando parcerias apenas com a Europa e Estados Unidos. 

“Acho que nós, presidentes de países da América Sul, deveríamos compreender que isolados somos muito fracos. Nós não nascemos para viver mais 500 anos como países pobres, nós não nascemos para viver mais 500 anos vendo os nossos países serem governados para 35% ou 45% da população, como se o restante da sociedade fosse tratado como invisíveis”, afirmou o chefe do Executivo.

“Nós precisamos descobrir que, na hora que você tem um presidente da República de um país importante como os Estados Unidos, que resolve estabelecer a discussão sabe favorável a uma política protecionista contrário a tudo que foi falado para nós desde os anos 1980, a globalização, o livre comércio ou seja todo mundo só falava em livro comércio e globalização. De repente, nada disso vale a pena e o que vale a pena é o seguinte é o protecionismo”, continuou Lula. 

O presidente afirmou que não quer uma guerra fria, em que tenha de escolher fazer acordos comerciais somente com os Estados Unidos ou com a China. Esta decisão, segundo Lula, deve partir da preferência do setor privado entre os países. 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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9 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    22 de abril de 2025 11:14 pm

    Enquanto isso, o Porto Seguro dos investidores está sendo atingido por uma sequência de 7 ondas, sendo a posterior sempre mais atordoante do que a anterior. O tiro do Trump tá saindo pela culatra, inclusive dos seus eleitores

  2. Lênin and The Ulianovs

    23 de abril de 2025 7:18 am

    Uauuuu.
    Agora sim…

    Acordo Sebrae, cultura e…o quê mesmo?
    Cooperação contra o crime organizado internacional? Chile?

    De sério mesmo, nada.

    Só um assanhamento para o Chile retomar seus acordos bilaterais com os EUA.

    Os dois são a prova viva, em tempo e circunstâncias diferentes, que as esquerdas morrem quando ganham eleições presidenciais.

    1. AMBAR

      23 de abril de 2025 3:32 pm

      Ora, toda oposição quando ganha vira situação.

      1. Lenin & The Ullianovs

        24 de abril de 2025 3:06 pm

        E ser situação, como posso concluir, é a morte política da oposição, certo?

        Pois é, qual o sentido de disputar um governo que não poderá, sequer de forma tímida, concretizar qualquer mudança proposta pelo vencedor?

        A resposta é: sentido algum, ou pior, só lustrar egos mesmo!

    2. Rui Ribeiro

      24 de abril de 2025 9:54 am

      “A pior coisa que pode acontecer ao líder de um partido extremo é ser forçado a assumir o governo num momento em que o movimento não amadureceu o suficiente para que a classe que ele representa possa assumir o comando e para que as medidas necessárias sejam aplicadas à dominação desta classe”. – F. Engels A Guerra dos Camponeses na Alemanha, p. 112, disponível em: https://omegalfa.es/downloadfile.php?file=libros/la-guerra-de-los-campesinos-en-alemania.pdf.

      1. Lenin & The Ullianovs

        24 de abril de 2025 3:12 pm

        Rui, Rui, caro Rui, novamente, discordo de você:

        1- O PT, nem a coalizão que elegeu a fraude chilena eram partidos extremos, na acepção dada por Engels.

        2- Nenhum dos dois foi “forçado” pelas circunstâncias a assumir o governo, não são essas as circunstâncias que elegeram essas duas fraudes aí as quais Engels se referia, também.

        Ao contrário, a trajetória de Lula e do Boric foram na contramão de qualquer acirramento de classes, quando eles escolheram (e não foram “obrigados”) concorrer às presidências de seus países.

        Lula morreu com a Carta aos Brasileiros, seu atestado de óbito político.

        Boric ainda tentou se debater um pouco mais, porém, se entregou com gosto aos salamaleques da direita chilena.

        1. Rui Ribeiro

          25 de abril de 2025 8:48 am

          Eu me referia ao PT dos anos 80 e início dos anos noventa, ou seja, eu me referia ao PT antes da Carta do Lula para acalmar os mercados em 2002. Ou seja, eu me referia não ao PT Nutella, mas ao PT raiz. Mas a radicalidade foi pro brejo. Agora o PT se propõe a administrar a crise burguesa de acumulação.

          https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u33908.shtml

    3. Rui Ribeiro

      24 de abril de 2025 9:55 am

      “A pior coisa que pode acontecer ao líder de um partido extremo é ser forçado a assumir o governo num momento em que o movimento não amadureceu o suficiente para que a classe que ele representa possa assumir o comando e para que as medidas necessárias sejam aplicadas à dominação desta classe”. – F. Engels, A Guerra dos Camponeses na Alemanha, p. 112, disponível em: https://omegalfa.es/downloadfile.php?file=libros/la-guerra-de-los-campesinos-en-alemania.pdf.

    4. Rui Ribeiro

      24 de abril de 2025 9:56 am

      “A pior coisa que pode acontecer ao líder de um partido extremo é ser forçado a assumir o governo num momento em que o movimento não amadureceu o suficiente para que a classe que ele representa possa assumir o comando e para que as medidas necessárias sejam aplicadas à dominação desta classe”, F. Engels A Guerra dos Camponeses na Alemanha, p. 112, disponível em: https://omegalfa.es/downloadfile.php?file=libros/la-guerra-de-los-campesinos-en-alemania.pdf.

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