O vazamento do áudio em que Flávio Bolsonaro (PL) pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai dominou as conversas da elite empresarial brasileira reunida em Nova York para a Brasil Week. A percepção predominante entre os participantes é que a situação se tornou insustentável para a pré-candidatura do senador à Presidência da República.
Durante a festa da Forbes na quarta-feira (13), o áudio foi o tema central tanto no evento quanto nas reuniões ao longo do dia, com empresários alternando entre lamentos e a caracterização do episódio como uma “bomba”.
Impacto eleitoral
A leitura do mercado é que o estrago vai além da base bolsonarista. Entre os eleitores mais fiéis ao campo, o áudio pode não ter grande efeito. O problema, segundo os empresários, está no eleitor indeciso e de centro, exatamente o público que Flávio precisaria conquistar para viabilizar uma candidatura competitiva. Perder esse segmento, avalia esse grupo, é fatal para qualquer projeto presidencial.
A contaminação vem também da figura de Vorcaro. O banqueiro é visto como extremamente radioativo no momento em que os escândalos do Banco Master dominam a opinião pública. O áudio expôs não apenas uma relação de negócios, mas uma intimidade. Flávio se refere a Vorcaro como “meu amigo”, o que tornou ainda mais difícil a tentativa de distanciamento.
Alternativas
Com a percepção de que a candidatura de Flávio perdeu fôlego, o mercado começou a discutir nomes alternativos à direita. No campo bolsonarista, Michelle Bolsonaro foi mencionada, mas sem entusiasmo. Fora dele, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) surgiram como os favoritos, com parte dos empresários destacando que o ex-governador de Minas Gerais teria mais força eleitoral.
Zema participou de eventos na quarta-feira e foi recebido com entusiasmo pela plateia. Um empresário relatou que havia uma euforia nova em torno do pré-candidato justamente após o episódio com Flávio, como se o espaço político aberto pelo áudio tivesse se traduzido, quase imediatamente, em energia para outras candidaturas.
Joesley Day
Não faltaram referências históricas para contextualizar o momento. Alguns empresários lembraram que o prêmio Person of the Year tem uma data marcada no calendário político brasileiro: foi em 17 de maio de 2017, numa edição anterior do evento, que veio a público a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. O conteúdo implicava o então presidente Michel Temer em um esquema de propinas, provocou pânico nos mercados e derrubou a bolsa.
A coincidência não passou despercebida. Empresários compararam o vazamento do áudio de Flávio ao chamado “Joesley Day”, e alguns já brincavam, nesta quarta, que o episódio poderia ficar marcado como o “Áudio Day”.
*Com informações da CNN.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário