Sargento Luís Marcos dos Reis, ex-assessor de Jair Bolsonaro, em depoimento à CPMI dos atos golpistas. | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, ex-integrante da equipe da Ajudância de Ordens de Jair Bolsonaro (PL), confirmou ter feito o pagamento de ao menos um boleto para a família do ex-presidente. A declaração foi dada em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas, nesta quinta-feira (24).
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O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou uma movimentação atípica de recursos financeiros de R$ 3,3 milhões entre fevereiro do ano passado e maio deste ano, na conta bancária do sargento, que recebia em média R$ 13 mil por mês.
Suspeito de sacar dinheiro vivo em caixas eletrônicos para pagar despesas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Reis recebeu R$ 1,5 milhão em 105 transações via Pix e realizou ao menos 11 transferências que somadas atingem o valor de R$ 1,4 milhão, em um ano.
Inicialmente, o sargento negou qualquer pagamento feito para Bolsonaro e a ex-primeira-dama. Depois, diante dos questionamentos do deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), o Reis confirmou um pagamento e silenciou em seguida.
“Da senhora Michelle Bolsonaro, o senhor fez algum pagamento? (…) Pequenos pagamentos?“, questionou o deputado.
“Já fiz (…) Fiz um pagamento de boleto da filha do presidente, do colégio que ela estudava“, admitiu o militar, que em seguida optou pelo silêncio.
A suspeita é que Reis tenha algum envolvimento com a organização dos atos golpistas, que culminaram na invasão dos Poderes, no dia 8 de janeiro, em Brasília. A Polícia Federal (PF) já encontrou no celular dele fotos e vídeos feitos durante a invasão.
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Transações com Cid
O Coaf também apontou uma movimentação atípica de pelo menos R$ 83 mil entre Reis e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
O sargento disse à CPMI que transferiu R$ 70 mil para o tenente-coronel dois dias antes do 8 de janeiro por ter vendido um carro do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Segundo Reis, ele atendeu a um pedido de Cid e anunciou na internet um carro do tenente-coronel, no valor de R$ 72 mil. E que, após ter vendido o veículo, transferiu R$ 70 mil para Cid.
“Ele [Mauro Cid] me falou: ‘Passa R$ 70 mil, fica para você o restante pelo seu trabalho“, declarou.
Arrependimento
Reis está preso desde maio, por envolvimento na falsificação do cartão de vacinação de Bolsonaro. Após analisar seu celular, a PF afirmou que ele chegou a subir na cúpula do Congresso durante os atos golpistas.
Hoje, o sargento disse à CPMI que se arrependeu da participação nos atos, que não praticou vandalismo, que foi ao Congresso, tirou fotos e depois voltou para a casa.
“Eu estive aqui [no Congresso] no 8 de janeiro. [Primeiro] acompanhei pela minha casa. Assistimos, acompanhando pela televisão. Minha esposa chamou para ir, eu disse: ‘Vamos lá, vamos por curiosidade‘”, afirmou Reis.
“Eu vejo o meu erro (…) Estava eu de bermuda, saí da minha casa, cheguei por volta de 17h na Esplanada, subi a rampa, tirei foto, cruzei pela [via] N1 o Eixo Monumental e subi em direção à minha casa andando. Este foi um ato impensado. Tirei foto. Subi (…) Realmente, foi um momento impensado. Se a senhora me perguntar se eu me arrependi, eu me arrependi. Mas não tinha ninguém ali embaixo falando ‘não pode subir’“, declarou.
Rui Ribeiro
25 de agosto de 2023 12:42 pmAs vezes o silêncio fala mais alto do que gritos. Quem cala, consente.