7 de outubro de 2026

Flávio fala em “redemocratizar” e gera temor de golpe

Após vitória no primeiro turno, candidato do PL promete usar força ampliada no Congresso para mudar Constituição
Flávio Bolsonaro em foto de Bruno Peres - Agência Brasil

Flávio Bolsonaro promete “redemocratizar” o Brasil se eleito, gerando críticas por uso controverso do termo histórico.
PL tem maioria no Senado e Câmara, podendo facilitar mudanças institucionais e influenciar processos contra STF.
Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe; analistas temem continuidade de projeto autoritário familiar.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência, Flávio Bolsonaro, provocou reação de historiadores, políticos e cientistas políticos ao afirmar que pretende “redemocratizar” o Brasil caso seja eleito no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A declaração foi feita na terça-feira (6), durante um ato de campanha em Goiânia (GO), dois dias depois de Flávio superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições.

O candidato de extrema direita afirmou que pretende aproveitar o fortalecimento de seu campo político no Congresso para promover mudanças na Constituição. “A única coisa que impede o Brasil de virar uma barbárie se chama Flávio Bolsonaro presidente”, declarou.

O candidato não explicou o que entende por “redemocratizar” o país. A expressão, porém, provocou reação imediata porque o Brasil passou pelo processo de redemocratização na década de 1980, após 21 anos de ditadura militar, encerrada com a Constituição de 1988.

A declaração também ocorre um ano depois da condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado após a derrota para Lula nas eleições de 2022. O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão, segundo o Guardian.

“Anúncio de um golpe”

Fontes ouvidas pelo jornal britânico The Guardian destacam que a fala de Flávio foi interpretada por opositores como uma ameaça às instituições democráticas: a deputada Talíria Petrone classificou a declaração como “o anúncio de um golpe”. Marcelo Freixo, recém-eleito deputado pelo PT, lembrou que a redemocratização brasileira ocorreu em 1988 e afirmou que Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi condenado por tentar revertê-la.

O historiador Danilo Araújo Marques, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), chamou atenção para o uso político da palavra “democracia” na história brasileira. Segundo ele, os militares e políticos que participaram do golpe de 1964 também apresentavam a ruptura institucional como uma intervenção destinada a “democratizar” o país. “Democracia tem um significado diferente na boca de um golpista”, afirmou ao jornal britânico.

Para Marques, a ideia de futuro apresentada por Flávio durante a campanha pode representar, na prática, um retorno ao período anterior à Constituição de 1988.

Bolsonaro terá Congresso mais favorável

O temor manifestado pelos analistas está relacionado não apenas às declarações do candidato, mas também à nova correlação de forças produzida pelas eleições legislativas.

O PL conquistou 28 das 81 cadeiras do Senado, formando a maior bancada da Casa. O crescimento da direita também ampliou sua presença na Câmara dos Deputados – e a nova composição do Congresso abriria espaço para mudanças institucionais profundas, inclusive processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal considerados adversários do bolsonarismo.

Desta forma, uma eventual vitória de Flávio também poderia levar à libertação de Jair Bolsonaro e de outros condenados no processo da tentativa de golpe, com o ex-presidente podendo ocupar uma posição de influência em um eventual governo do filho, por conta da possibilidade de que mudanças institucionais sejam realizadas utilizando os próprios mecanismos previstos pelo sistema político, em vez de uma ruptura militar ou insurrecional.

O fantasma do projeto de Jair Bolsonaro

A preocupação dos analistas também está ligada ao histórico político de Jair Bolsonaro, que foi capitão do Exército durante a ditadura militar e frequentemente elogiou o regime de 1964–1985 e líderes autoritários, incluindo o ditador chileno Augusto Pinochet.

Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro por tentar convencer comandantes militares a aderirem a uma ruptura institucional para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. O episódio culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Questionado nesta quarta-feira (7) sobre a interpretação de que estaria tentando concluir o projeto autoritário iniciado pelo pai, Flávio rejeitou a acusação. “Vamos parar de mentir. Vamos colocar os pés no mundo real”, afirmou a jornalistas.

O candidato, entretanto, não apresentou uma definição mais precisa do que pretende dizer com “redemocratizar” o país, nem detalhou quais mudanças constitucionais pretende propor caso seja eleito.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Recomendados para você

Recomendados