15 de junho de 2026

Fraude no INSS: Governo reage e cria grupo para recuperar danos aos aposentados

Desde 2019, a quase totalidade dos aposentados e pensionistas não autorizaram descontos que vêm sendo aplicados em suas aposentadorias
O ministro Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) durante coletiva para explicar a operação: cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU cumprem 211 mandados de busca e apreensão. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Revelações de fraudes bilionárias no INSS provocaram uma grave crise no governo, levando à demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e ao afastamento de outros membros do alto escalão da Previdência Social, pelo presidente Lula. Paralelamente, o governo solicitou à Advocacia-Geral da União (AGU) um plano prático para o ressarcimento dos aposentados.

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O esquema de fraudes veio à tona com uma audiência da Controladoria-Geral da União (CGU), em uma Operação conjunta com a Polícia Federal, que revelou que desde 2019 a quase totalidade dos aposentados e pensionistas não autorizaram descontos que vêm sendo aplicados em suas aposentadorias, mensalmente, na folha de pagamento.

A constatação foi obtida com uma simples consulta popular, junto a mais de 1.200 beneficiários do INSS. Quase todos afirmaram que desconheciam a autorização de descontos e que sequer participavam de qualquer associação que justificasse o abatimento de seus vencimentos. As cobranças eram feitas de forma indevida, sem justificativa, revelaram os investigadores.

O que se configurou na Operação Sem Desconto gerou uma crise interna no governo. Imediatamente após a divulgação do esquema, o presidente Lula demitiu o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

Além disso, Lula convocou uma reunião de emergência, nas primeiras horas desta quarta-feira (23), com seu ministério e os investigadores, ouvindo Ricardo Lewandowski (Justiça), o chefe da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, o chefe da PF, Andrei Rodrigues, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, e o ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira. Sidônio recomendou um forte discurso do governo, transparente e coeso.

É importante que todas as pessoas saibam exatamente por que estão sendo descontadas e que elas, obviamente, tenham declarado e manifestado plenamente a vontade de contribuir com esses descontos para as associações”, afirmou o ministro da CGU.

“Trata-se de uma operação de proteção aos aposentados, porque foi uma fraude contra pessoas que estão em uma fase mais adiantada da vida e, por isso, foram vítimas fáceis de criminosos que se apropriaram das pensões e das aposentadorias”, manifestou Lewandowski.

Como uma das respostas, o governo criou um grupo junto à Advocacia-Geral da União (AGU) para buscar a reparação dos danos dos aposentados. A equipe será responsável por recuperar os valores ilegalmente descontados.

“A AGU vai trabalhar firmemente para manter íntegra a capacidade do INSS de promover a proteção social dos cidadãos e de garantir a renda dos trabalhadores em situação de vulnerabilidade”, disse o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A Polícia Federal investiga 11 entidades que teriam enviado supostos associados para descontar, mensalmente, os benefícios, que giravam em torno de R$ 30 a R$ 50 de cada aposentado por mês.

Estão na lista das investigadas a AMBEC (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), SINDINAPI (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical), AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil), CONAFER (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil), CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), e outras associações e sindicatos ligados a aposentados e pensionistas.

O Estado brasileiro, os aposentados e pensionistas foram lesados por esse esquema. Por isso, também vamos buscar a responsabilização das entidades que promoveram os descontos ilegais e recuperar cada centavo desviado”, manifestou o chefe da AGU.

O sindicalista José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão mais velho do presidente Lula, é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. Ele defendeu uma ampla investigação de “toda a sacanagem” do episódio. “Nosso sindicato já foi investigado, já foi feita auditoria e essas coisas. Estamos tranquilos”, afirmou.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. Lênin and The Ulianovs

    25 de abril de 2025 10:15 am

    E tem mais de onde veio.

    Se esse governo tiver vergonha na cara, manda apurar a farra de fraudes de empréstimos consignados e milhões de golpes aplicados todos os dias.

    As delegacias de polícia civil estão entupidas de registros de ocorrências neste sentido.

    Tipo de golpe que, também, só acontece com autorização (senhas) de servidores em conluio com financeiras e golpistas.

    Será que tem alguém no ministério da injustiça que análise os dados de crimes no país?

    O INFOSEG deve ter essa ferramenta, não?

    A SENASP?

    A PF?

    Como é que o ministro da injustiça quer fazer PEC para dar conta de crimes nos estados, se embaixo dos narizes da PF deram um golpe de 6 bi, continuado?

    1. Valdeci Aparecido Lunguinho

      29 de abril de 2025 12:31 pm

      Sim, vai investigar. Meu medo e onde vai chegar, já que a farra começou em 2019, primeiro ano de Bolsonaro. Raspadinha, orçamento secreto e agora escândalo do INSS. Certamente vai dar camburão.

  2. Lênin and The Ulianovs

    25 de abril de 2025 10:16 am

    Se esse país tivesse um governo e um presidente, ministro para baixo, todo mundo demitido.

    Na previdência e na justiça.

  3. Valdeci Aparecido Lunguinho

    29 de abril de 2025 12:29 pm

    Cobranças iniciaram em 2019? Coincidência ou é o primeiro ano de Bolsonaro? A associação a qual o irmão do presidente Lula está envolvida já foi auditada e nada consta. Acredito que a PF deve ir fundo nessa investigação, pois em minha opiniõa, a familia de Bolsonaro vai estar envolvida.

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