O ex-governador do Rio de Janeiro Antony Garotinho voltou a fazer denúncias públicas sobre a gestão do RioPrevidência e possíveis irregularidades envolvendo aplicações financeiras, empresários, dirigentes políticos e escritórios de advocacia. Em entrevista ao programa TVGGN 20H, ele afirmou que os problemas no fundo previdenciário do estado são antigos e se agravaram após mudanças na direção indicadas por lideranças partidárias.
Segundo Garotinho, a atual diretoria do RioPrevidência, nomeada em 2023, teria sido indicada por Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. De acordo com o ex-governador, essa gestão realizou investimentos considerados de alto risco, incluindo aportes no Banco Master. Ele afirma que cerca de R$ 2,5 bilhões foram aplicados na instituição, sendo aproximadamente R$ 900 milhões sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), valor que, segundo ele, estaria perdido.
O ex-governador diz que a situação preocupa especialmente os cerca de 235 mil aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro que dependem do fundo. Ele ressaltou que, apesar das perdas apontadas, o RioPrevidência ainda dispõe de recursos suficientes para manter os pagamentos no curto prazo.
Garotinho também afirmou que o presidente do fundo foi exonerado após uma operação policial recente, e criticou a demora das autoridades em aprofundar as investigações, apesar do que classificou como indícios claros de irregularidades. O tema vem sendo tratado por ele em publicações nas redes sociais e em seu podcast.
Relação com a política estadual
Na entrevista, Garotinho relacionou o caso do RioPrevidência ao cenário político fluminense após o afastamento do ex-governador Wilson Witzel. Segundo ele, a ascensão de Rodrigo Bacellar, hoje presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), teria concentrado poder político no estado durante o governo Cláudio Castro.
Garotinho afirmou que alertou, à época, sobre a influência de Bacellar na comissão de impeachment de Witzel e disse que, após a cassação do ex-governador, houve um desequilíbrio de forças no Executivo estadual. Para o ex-governador, o atual cenário político criou condições para problemas como os que, segundo ele, ocorreram no RioPrevidência.
Denúncias sobre venda de terras e empresas
Além do caso do fundo previdenciário, Garotinho relatou ter sido procurado por representantes do sindicato de ex-trabalhadores da antiga Companhia Nacional de Álcalis. Segundo ele, uma área pertencente aos trabalhadores, avaliada em cerca de R$ 40 milhões, teria sido vendida por R$ 13 milhões, com aval do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho, sem consulta direta aos beneficiários.
De acordo com o ex-governador, a compradora seria a empresa Gigante Empreendimentos Imobiliários. Ele afirmou que, ao investigar a empresa, encontrou indícios de que ela teria adquirido outros imóveis de alto valor, além de helicópteros e empresas de extração de areia, movimentando dezenas de milhões de reais.
Garotinho afirmou ainda que a empresa estaria formalmente registrada em nome de uma mulher de baixa renda, que negou ser a real proprietária. Segundo ele, a advogada Juliana Bonassa teria atuado na estruturação jurídica do grupo empresarial, o que a própria advogada confirmou ao reconhecer que prestou serviços profissionais, negando irregularidades.
Outras acusações e investigações
O ex-governador relatou ainda que tomou conhecimento da existência de registros policiais e investigações envolvendo a advogada citada, incluindo um inquérito relacionado a um inventário milionário e um processo em tramitação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo Garotinho, essas informações reforçariam a necessidade de apuração por parte das autoridades competentes.
Ele também mencionou supostos esquemas envolvendo a abertura de empresas em nome de terceiros, contratos com prefeituras e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada de alguns envolvidos. As acusações, segundo ele, teriam ligação com contratos públicos e recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Garotinho afirmou que seu objetivo é tornar públicas as informações e cobrar investigações aprofundadas. “Meu interesse é jornalístico”, disse, ao afirmar que continuará divulgando os dados que, segundo ele, apontam para esquemas de corrupção e uso indevido de recursos públicos no estado do Rio de Janeiro.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário