No caso Master, o tema central é regulatório: como montar uma regulação que acaba de vez com o modelo atual, de pirâmide financeira.
Há um conjunto de temas a ser tratado. Você, que acompanhou toda a cobertura do Jornal GGN, já sabe quais são as principais vulnerabilidades do modelo.
O antídoto é lógico:
1. Supervisão consolidada de grupos econômicos
O problema hoje é que o Banco Central enxerga banco, a Comissão de Valores Mobiliários enxerga fundo. E ninguém vê o grupo inteiro.
Há urgência para um ajuste que consolide bancos, FIDCs (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios), FIPs (Fundos de Investimento em Participações), holdings, SPEs (Sociedade de Propósito Específico), exigindo um balanço único do grupo, acabando com a pantomima de “empresas independentes”.
2. Limite real de exposição cruzada.
Hoje, banco pode financiar fundo, fundo compra ativo do banco, banco empresta para o controlador, em uma esbórnia ampla.
A reforma teria que fixar tetos para operações com partes relacionadas e transparência obrigatória.
3. Due diligence (investigação profunda) obrigatória em FIDCs
Criar regras para auditoria forense, validação independente dos recebíveis e testes de estresses de inadimplência. Ou seja, qual o percentual de inadimplência que o fundo suportaria.
Hoje em dia o gestor diz “vale tanto” e a CVM aceita.
4. Proibir recebíveis “sob medida” sem histórico
Regra simples: só entra em fundo crédito existente, com histórico mínimo e contrato real. Hoje em dia, há uma fabricação de fundos sem nenhum valor. A medida permitirá cortar o crédito imaginário.
5. Capital mínimo para quem opera como banco
Hoje em dia, há Sociedades de Crédito direto (SCD) e Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP) que operam com pouco capital e risco pesado. A nova regra tem que exigir colchão de capital, provisão obrigatória e teste de stress. Como acontece com os bancos.
6. OPA (Oferta Pública de Ações) obrigatória via FIPs.
O sujeito articula vários FIPs, que votam de forma sincronizada e assumem o controle de empresas. Mas, com essa malandragem contábil, se veem desobrigados de Oferta Pública de Ações para os minoritários.
7. Registro público de controle oculto
Criar um cadastro nacional de beneficiário final, fundos coligados e gestores ligados a grupos.
8. Gatilhos automáticos de intervenção
Hoje em dia, resolvem-se problemas graves com TACs (Termos de Ajustamento de Conduta), conversa e cafezinho. Há a necessidade de criar gatilhos objetivos para combater alavancagens excessivas, funding concentrado e crédito circular.
9. Punição pessoal a dirigentes
Hoje em dia, o banco quebra e ninguém responde. No novo modelo, tem que haver inabilitação, multa pessoal, responsabilidade civil. Sem isso, vai se perpetuar o risco moral.
10. Coordenação BC + CVM + TCU
Criação de força tarefa permanente, com dados compartilhados e relatórios públicos.
Resultados:
- mataria o shadow banking (o banco sombra)
- impediria bolhas artificiais
- protegeria FGC (Fundo Garantidor de Crédito)
- evitaria socialização do prejuízo
- acabaria com “engenharia invisível”
Até hoje essas medidas prudenciais não avançaram devido a pressões do mercado, lobby político, o receio dos reguladores de provocar uma “crise” e a praga da porta giratória (o regulador que cede ao mercado para encontrar um bom emprego mais à frente).
Leia também:
Jotaputomarcelo
20 de janeiro de 2026 9:16 amNassif desde 2015 tá rudo dominado,os bandidos só querem meter a mão no dinheiro a qq custo e para isto orecisam DESREGULAMENTAR TU DO,tirar os controles ou ASSUMIR DE VEZ O CONTROLE DAS INSTITUIÇÕES como fizeram com o bc,veja q praticamente o congresso inteiro defende as bandidagem da quadrilha militar civil antibrasil bolsonarista e com a covardia e omissão do judiciário,olha o stf é q tem mais poder no brasil .não consegue fazer quase nada e toma bordoada toda hora,é muito bandido e muita zona juntos,Lula está a três anos tentando limpar a sujeira e não consegue fazer quase nada,a mídia encoberta tudo,só vet o q aconteceu e acontece no RGs,Porto Alegre e S.P,na capital paulista e estado os bolsonaristas dominam tudo,só tem um jeito.colocar todo o sistema político abaixo,o caos mesmo,no exterior Lula baila mas no Btasil só apanha politicamente falando AFF !!!OBS.PRECISA JOGAR TODA MERDA NO VENTILADOR MESMO,já q ctz vai aoanhar da mídia bilionária televisiva e digital ao qual vai fazer a cabeça dos 99 por cento contra si mesmos e o pt AFF !!!
AARONviveSCHWARTZ
20 de janeiro de 2026 10:00 amQuando se vê grande banqueiro no.exteiror em.evento.bancado por bilionários brasileiro.afirmar “O pais tem grande OPORTUNIDADE de atrair investimento bilionários em data centers”.já se vê em suas palavras TENDENCIOSAS a má intenção de OMITIR MÉRITOS do governo federal e país na boca.deles só sai.quando lhes interessa,endeusaram os investidores e o mercado vimos.quais são eles no caso Master,mas os investidores do exterior não são muito diferentes,nem ao menos se sabe quem são os reais donos e pq se esconder?Palavras só são ditas quando lhes interessam como REDE SOCIAIS mas em Portugal no segundo turno tem um “esquerdista”(termo rotulador perjorativo)e não um socialista ou social democrata sei lá!!!
+almeida
20 de janeiro de 2026 11:07 amCaramba! Pelo que se apresenta, para um mercado tão estratégico, sensível e possuidor de efeitos devastadores para o sistema econômico e financeiro do país, parece bem clara a total ausência de controle, de fiscalização e de monitoramento. Torre de Babel, Casa da Mãe Joana e o escambau. Fica até parecendo ser proposital o fechar dos olhos, das supostas autoridades reguladoras e controladoras da segurança e da credibilidade, que são ultra imprescindíveis, para um segmento
que pode quebrar um país sem dó e sem piedade. Será que já está tudo dominado, para que os maus continuem nadando e se lambuzando, nos mares de contentamentos.gov?
Marcus
20 de janeiro de 2026 11:45 amA mídia corporativa e os blogs a soldo, iriam cair de pau em cima de qualquer proposta que coloque freios na entrada de dinheiro, seja qual for a origem. O BACEN foi tornado independente, justamente para trazer estes recursos para dentro do sistema. Aí está o resultado.
Jose
21 de janeiro de 2026 5:59 pmEm vez disso, estamos discutindo a transformação do BC em empresa. E se bobear, passível de privatização.
WRamos
20 de janeiro de 2026 2:23 pmAcho que o TCU não deve participar de fiscalização de empresas privadas. Pode ter técnicos competentes, mas os ministros em geral são políticos e tentam sempre pressionar por interesses próprios.
Também acho que o BC e a CVM tem que apertar as regras dos auditores. Não podem dar parecer só olhando um papelzinho.