21 de maio de 2026

Genoíno critica chacina no Rio e cobra novo modelo de segurança pública: “O sistema faliu”

Ex-presidente do PT defende criação de ministério e acusa o governo do Rio de usar a tragédia com fins eleitorais
Crédito: Reprodução/ TVGGN

O ex-deputado federal José Genoíno (PT) afirmou que a recente operação policial no Complexo da Penha e no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro — que deixou mais de 130 mortos, segundo balanços não oficiais — representa “um fracasso total” e a falência do atual modelo de segurança pública no país. Em entrevista ao GGN [assista abaixo], Genoíno classificou a ação como “um espetáculo punitivista de uma política fascista”, voltada a transformar a morte de pessoas pobres e negras em “bandeira eleitoral”.

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“Isso não é proteção da sociedade, isso não é proteção das pessoas, isso é espetáculo punitivista de uma política de segurança fascista, que trata a população pobre, a população jovem, a população negra, a população que tem uma vida sem uma proteção do Estado colocada na contra-parede”, afirmou. Para ele, o governador Cláudio Castro (PL) “usa a crise da segurança para proveito político”, num movimento que se repete em outros estados comandados pela direita.

Crítica à militarização

Genoino defende que a segurança pública deve ser tratada como política de Estado, com base em inteligência, prevenção e integração entre União, estados e municípios. Ele voltou a propor a criação de um Ministério da Segurança Pública de caráter civil, e a implementação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), nos moldes do SUS.

“Segurança pública não é militarização como se fosse uma guerra. Segurança pública é investigação. Segurança pública é prevenção. Segurança pública é ocupar territórios. Segurança pública é combinar a presença da repressão com políticas de outras áreas do Estado”, disse.

Segundo o petista, as chamadas operações “de guerra” — como as do Carandiru, de Vigário Geral e do Alemão — não resolvem o problema da violência, mas criam “falsas sensações de controle” e perpetuam o ciclo de extermínio nas periferias.

PEC da Segurança

Genoino elogiou a PEC da Segurança Pública, proposta em discussão no Congresso sob coordenação do Ministério da Justiça, considerando-a “um passo importante” para o compartilhamento de informações entre as esferas de governo.
“Você pode ter polícia comunitária você pode ter polícia preventiva então é um sistema que você tem o braço federal, o braço estadual o braço municipal e um comando compartilhado essa ideia dos governadores não quererem fazer esse compartilhamento é uma visão retrógrada”, afirmou.

Ele também criticou os governadores que se opõem à proposta — entre eles Cláudio Castro (RJ), Tarcísio de Freitas (SP) e Ronaldo Caiado (GO) — por defenderem uma “autonomia corporativa” das polícias.

Desmilitarização e reforma prisional

Questionado sobre a desmilitarização das polícias, Genoino explicou que a proposta “não significa extinguir as PMs”, mas mudar a concepção das operações:

“A desmilitarização significa tirar da segurança pública o conceito militar de guerra e de violência é isso, você pode ter a repressão bem dirigida você pode ter a ocupação das áreas dominadas pelo Comando Vermelho e pelo PCC você pode ter inteligência orientando para os financiadores para os que se aproveitam como aconteceu na Operação Carbono você pode ter polícia comunitária você pode ter polícia preventiva.”

Ele também apontou a crise no sistema prisional como parte do problema. Segundo Genoíno, as penitenciárias brasileiras se tornaram “universidades do crime”, onde as facções recrutam mão de obra e comandam ações externas.

Letramento racial

O ex-deputado defendeu ainda mudanças na formação policial, com a inclusão de temas como letramento racial e educação cidadã nas academias.

Genoíno também criticou o discurso da extrema direita, que, segundo ele, tenta associar o tráfico e o crime organizado ao terrorismo, para justificar ações autoritárias e repressivas.

Para o petista, o governo Lula deve “agir com urgência” para aprovar a PEC da Segurança Pública, fortalecer a inteligência, criar o ministério e retomar políticas sociais em áreas vulneráveis.

“A chacina no Rio de Janeiro está mostrando que o sistema faliu, não serve, não presta tem que ser mudado profundamente”, concluiu.

Assista a entrevista completa abaixo:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    3 de novembro de 2025 9:33 am

    Li num jornal:

    “Evidentemente, nascer e crescer em meio à violência e a privações não é condição sine qua non para se tornar criminoso”.

    Estão me dizendo que o homem não é produto do meio. Entretanto, em regra, quem tem probabilidade maior de ser recrutado pelo mundo do crime: quem nasce na classe média ou que nasce na favela?

  2. Rui Ribeiro

    3 de novembro de 2025 10:26 am

    Olha um argumento poderosíssimo, com o qual se poderia matar, justificadamente, até a Madre Teresa de Calcutá, nada obstante ela não tenha nenhum histórico criminal:

    “O Papa não tinha histórico criminal porque passava despercebido da atuação da polícia. Ele foi abatido mas não era inocente”.

    É o argumento do $ecretário de $egurança do RJ.

  3. Rui Ribeiro

    3 de novembro de 2025 12:57 pm

    Entrevistaram um rato. Vejam só o que o Rato respondeu aoentrevistador:

    “Na sua opinião, a megaoperação do Rio nos complexos do Alemão e da Penha foi bem-sucedida?

    Sim. A triste ressalva refere-se a perda da vida de 4 policiais e de outras dezenas de agentes das forças de segurança feridos nesta guerra contra narcoterroristas. Sem dúvidas, enfraqueceu a capacidade bélica e logística do crime. Agora é garantir perícia rápida, cadeia de custódia e continuidade para impedir recomposição. A opinião pública respaldou: segundo o Datafolha, 57% dos moradores do Rio e da região metropolitana consideraram a operação um sucesso”.

    A opinião pública também respaldou Hitler, bem como a crucifixão de Jesus Cristo e a libertação de Barrabás.

    “O Consórcio da Paz é gestão e coordenação entre estados que estão entregando resultado. Quem politizou o tema foi o governo federal quando empurrou a conta para os estados”.

    O governo do Rio entregou resultado: 121 mortos.

  4. Rui Ribeiro

    3 de novembro de 2025 2:42 pm

    O que dizem os Porta-Vozes do Povo acerca do massacre realizado na favela pelas forças de $egurança do Estado do RJ:

    Luiz Bacci, apresentador do Alô, você!, no SBT, foi um dos que usou as redes sociais para criticar duramente o colega. Em vídeo nas redes, Bacci afirmou que o comentário de Luciano teria “romantizado …

    Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/a-reacao-ao-discurso-humanista-de-luciano-huck-sobre-operacao-no-rio/

    O povo não aguenta mais é a hipocrisia desses Waacks, dessas Sherazades e desses Casoys.

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