24 de junho de 2026

Governo Bolsonaro espionou investigadores da rachadinha de Flávio e tentou anular investigação

Os auditores da Receita Federal espionados investigavam a "rachadinha" de Flávio Bolsonaro e houve tentativa de anular a investigação
Foto: Agência Senado

A investigação da “Abin paralela”, deflagrada em Operação da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (11), expõe que os auditores da Receita Federal espionados investigavam a “rachadinha” do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e que houve uma tentativa de anular a investigação.

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Conforme mostramos aqui, os alvos do monitoramento ilegal pela Agência Brasileira de Inteligência, durante o governo de Jair Bolsonaro, incluiram os auditores da Receita Federal Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto.

Na representação da PF enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a execução dos mandados desta quinta-feira, os investigadores citam expressamente o “caso da rachadinha” de Flávio Bolsonaro.

“Igualmente, em relação às investigações relacionadas ao Senador FLÁVIO BOLSONARO, a autoridade policial trouxe informações a respeito do uso da estrutura da ABIN para monitoramento dos auditores da Receita Federal do Brasil, responsáveis pelo RIF – relatório de inteligência fiscal – que deu origem à investigação que apurava o desvio de parte dos salários dos funcionários da ALERJ (‘caso da rachadinha’), com o objetivo, inclusive, de ‘encontrar podres’ sobre os mencionados auditores.”

Além disso, a representação da PF também revela que o general Augusto Heleno, então chefe do GSI, Gabinete de Segurança Institucional, no qual a Abin é subordinada, conversou com o então chefe da Abin, Alexandre Ramagem, o então presidente Jair Bolsonaro e “possivelmente a advogada do senador Flavio Bolsonaro” sobre “as supostas irregularidades cometidas pelos auditores da Receita Federal”.

Essa conversa teria ocorrido no dia 25 de agosto de 2020 e gravado , segundo a PF, no “áudio é possível identificar a atuação do Del. ALEXANDRE RAMAGEM indicando, em suma, que seria necessário a instauração de procedimento administrativo contra os auditores da receita com o objetivo de anular a investigação, bem como retirar alguns auditores de seus respectivos cargos”.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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  1. +almeida

    11 de julho de 2024 8:33 pm

    Pergunta: se tudo o que a PF descobriu sobre a espionagem ilegal da ABIN fosse em governo de Lula ou PT, o que aconteceria?
    1) Já estariam todos banidos permanentemente da política e presos?
    2) Já estariam inelegíveis por 8 anos e presos?
    3) Já estariam cumprindo penas maiores que 100 anos?
    4) Teriam todas as regalias, toda morosidade, todo respeito constitucionais e todo temor que as autoridades envolvidas conferem aos acusados do governo antecessor ao atual?
    Lembrando que a lógica para opções das respostas se baseia na velocidade estratosférica que a justiça adota, quando a vítima/ré em questão ou é Lula, ou qualquer do PT ou o próprio PT, como ocorreu com mensalão e a lava jato e está amplamente registrado na história, para quem quiser relembrar.

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