O governo federal oficializou, nesta quarta-feira (12), a exoneração do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, ex-deputado Neri Geller, de acordo com publicação no Diário Oficial da União (DOU). A saída ocorre em meio a anulação do leilão do arroz.
Ontem (11), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que Geller havia colocado o cargo à disposição. Contudo, o ex-deputado negou ter pedido demissão, em declaração dada à Carta Capital. O documento publicado hoje, assinado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, fala somente em “exoneração”, sem o termo “a pedido”, que geralmente é apresentado quando o funcionário pede demissão.
Geller deixa o cargo sob uma suspeita de conflito de interesses no leilão público para a importação de arroz. Segundo caso revelado pelo portal Agrolink, empresas de um ex-assessor do secretário intermediaram a compra de 263 mil quilos do alimento, em um leilão promovido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Além disso, o ex-assessor foi sócio do filho de Geller.
Em coletiva, Fávaro disse que foi procurado pelo próprio Geller. “Ele fez uma ponderação que quando o filho dele estabeleceu sociedade com esta corretora de Mato Grosso, ele não era secretário de política agrícola e, portanto, não tinha conflito ali”, afirmou.
“Essa empresa não está operando, não participou do leilão, não há fato que desabone ou gere qualquer tipo de suspeita, mas gerou transtorno e ele colocou o cargo à disposição. E eu aceitei. Ele pediu demissão e eu aceitei”, explicou o ministro.
O fato é que além da demissão de Geller, o governo federal decidiu anular o leilão pelas suspeitas de irregularidades. Além do conflito de interesses, o leilão teve lotes arrematados por empresas sem experiência no mercado de arroz.
“No decorrer desse leilão, que é muito complexo, as empresas são representadas por Bolsas de Mercadorias. E somente depois que o leilão é concluído, na hora da assinatura, é que a gente fica sabendo quem são as empresas vencedoras. A partir da revelação de quem são essas empresas, começaram os questionamentos se verdadeiramente essas empresas teriam capacidade técnica e financeira para honrar os compromissos de um volume expressivo de dinheiro público”, explicou o presidente da Conab, Edegar Pretto, conforme noticiado pelo GGN.
“Nós vamos realizar outro, quem sabe em outros modelos, para garantir que nós vamos contratar empresas com capacidade. Não tinha como a gente depositar esse dinheiro público sem ter as reais garantias que esses contratos posteriores serão honrados”, acrescentou Prettro, destacando que ainda não há uma nova data para um novo leilão.
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