O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (11), em cerimônia no Palácio do Planalto, a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data será celebrada todo dia 12 de março, quando foi registrada a primeira morte pela doença no Brasil, em homenagem às mais de 716 mil pessoas que perderam a vida durante a pandemia, segundo dados do Ministério da Saúde até agosto de 2025.
O projeto foi aprovado pelo Senado em abril e é de autoria do deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), líder do partido na Câmara, com relatoria do senador Humberto Costa (PT-PE).
“Dar nome aos responsáveis”
No evento, Lula foi além da celebração da sanção e usou o momento para cobrar que os responsáveis pelos erros cometidos durante a gestão da pandemia sejam identificados e não caiam no esquecimento. Sem poupar críticas ao governo Bolsonaro, o presidente afirmou que nunca acusou pessoalmente o ex-presidente de má-fé deliberada, mas que isso não o isentaria de responsabilidade.
“Eu partia do pressuposto que ele poderia não entender nada, porque muitas vezes a fala dele na televisão era demonstração de uma ignorância absoluta sobre o assunto. Mas os presidentes não são obrigados a saber tudo, eles têm que pelo menos ouvir quem sabe”, disse Lula.
O presidente relembrou que, na época, se reivindicava a criação de um comitê de especialistas e cientistas para orientar as políticas públicas de saúde. Em vez disso, o governo Bolsonaro trocou três ministros da Saúde durante a crise, sendo o último um general que, nas palavras de Lula, “fazia questão de ser desinformado”.
Cloroquina
Lula também relembrou declarações do período que considera emblemáticas do negacionismo oficial. Em dezembro de 2020, quando o país registrava mais de mil mortes por dia e acumulava 186 mil vítimas, Bolsonaro afirmava que “a pandemia está chegando ao fim” e questionava a necessidade e a segurança das vacinas.
“Após essa fala dele, mais de 500 mil brasileiros ainda morreram vítimas da Covid-19”, afirmou o presidente, defendendo que pelo menos 400 mil dessas mortes poderiam ter sido evitadas se o governo federal tivesse adotado medidas mínimas de proteção e ouvido os especialistas.
Lula criticou ainda médicos que receitavam cloroquina sem eficácia comprovada e líderes religiosos que propagavam desinformação sobre as vacinas, alegando que elas transformariam crianças em “jacarés” ou causariam outros males. Para o presidente, esses atores precisam ser nomeados publicamente para que a sociedade não repita os mesmos erros.
“Se a gente não der o nome, as pessoas não são conhecidas. Se a gente ficar na passividade, numa próxima pandemia eles vão usar a gente do mesmo modo”, alertou.
Memória
Para Lula, a criação do Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 tem um significado que vai além do luto. Ele defendeu que datas comemorativas só fazem sentido quando servem para registrar quem foi responsável pelo que aconteceu, e que o esquecimento é exatamente o que os envolvidos na propagação da desinformação desejam.
“O que nós precisamos fazer é que as pessoas saibam quem foram os responsáveis que fortaleceram a ignorância no trato de uma epidemia como essa. Um dia nós mudaremos esse mundo e a ignorância não vai prevalecer em lugar nenhum. E a justiça será feita”, encerrou o presidente.
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