21 de maio de 2026

A Sobrevivência do Bolsonarismo, por Luis Filipe Chateaubriand

Fiel ao bolsonarismo mais raiz, o governador do Rio ofereceu um espetáculo dantesco, lamentável, populista, para a sociedade brasileira.
Foto de Lucas Martins - @lucasport01

▸Bolsonaro intensificou o fascismo no Brasil, incitando violência e rebeliões, inclusive com tentativa de golpe de Estado vergonhosa.

▸Governador Cláudio Castro promoveu carnificina no Rio de Janeiro, matando mais de 120 pessoas em nome da segurança pública.

▸Bolsonarismo persiste mesmo sem Bolsonaro, com seguidores conservadores brutais que perpetuam ideias intolerantes e anti-humanistas.

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A Sobrevivência do Bolsonarismo

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por Luis Filipe Chateaubriand

Lamentavelmente, o bolsonarismo é um fenômeno pungente, triste e persistente, do tipo que continua ao longo do tempo. Debruçar-se sobre o fenômeno é necessário, com o intuito de evitar que se repita, por um lado, e para mitigá-lo, por outro.

Quando Jair Messias Bolsonaro surgiu na sociedade, já incitava as pessoas a terem pensamentos violentos. É fato que não inventou o fascismo, mas o intensificou, em terras tupiniquins, como seus antecessores tais quais Enéas Carneiro e Plínio Salgado. Seja no gestual, seja de forma prática.

Em termos gestuais, procedia, por exemplo, reuniões regadas a leite, o que soa como afronta à sociedade. Explica-se: reuniões regadas a leite era como Hitler confraternizava com os nazistas, pois, por ser branco, o leite representava a pureza ariana.

Em termos factuais, incitou rebeliões violentas ao longo do tempo.

Como oficial do Exército, quis explodir a adutora do Rio Guandu, que abastece de água a cidade do Rio de Janeiro. Por isso, na versão de alguns, foi expulso da corporação e, na versão de outros, houve um comum acordo para que se retirasse dela.

Depois, e já na política, disse absurdos aterrorizantes. Falou, por exemplo, que era preciso uma guerra civil, para matar, por baixo, uns 30 mil.

Insanidade.

Disse, também, no golpe proclamado na Presidente Dilma Rousseff, em 2016, que o voto dele pela cassação da mandatária era uma homenagem a Carlos Alberto Brilhante Ustra. Trata-se do maior torturador que este país já teve – só comparável a Filinto Muller.

Prosseguiu sendo violento, nas ações e nos gestos e, depois de vários fatos lamentáveis – como não ter combatido a COVID-19 a contento e ter isolado o Brasil internacionalmente – teve a ação definitiva, uma tentativa de golpe de Estado vergonhosa, atroz, covarde.

Até os assassinatos do Presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, de seu Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, e do Presidente do Tribunal Superior de Justiça, Alexandre de Moraes, foram planejados.

Quer mais violência?

Quer mais brutalidade?

Bolsonaro, atualmente, é quase um cadáver político.

Infelizmente, o bolsonarismo não.

O governador Fluminense Cláudio Castro, discípulo das hordas fascistas, promoveu verdadeira carnificina na capital, chamando isso de política de segurança pública. Matou mais de 120 pessoas, sobre o pretexto já conhecido de que “bandido bom é bandido morto”.

Mais insanidade.

Matar pessoas em profusão – sejam bandidos, não sejam – não é e nunca será política de segurança pública. Trata-se, simplesmente, de uma estratégia miserável de atrair o eleitorado com um perfil mais intolerante, bolsonarista, para sua candidatura em 2026, possivelmente ao Senado Federal.

Fiel ao bolsonarismo mais raiz, o governador do Rio de Janeiro ofereceu um espetáculo dantesco, lamentável, populista, para a sociedade brasileira.

Ainda há quem defenda…

O mau exemplo pode ser copiado, indubitavelmente, por gente como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Jorginho Melo – os diversos governadores de extrema-direita.

Se acontecer, será carnificina em cima de carnificina.

Fica claro que todos os extremistas utilizarão o benchmarking do governador fluminense, para promover suas próprias atrocidades.

Tudo bolsonarismo.

Bolsonarismo sem Bolsonaro.

Mas o que, possivelmente, seja mais decepcionante, não seja o bolsonarismo em si, mas os bolsonaristas. Conservadores, ricos ou pobres de direita, sempre brutais, sempre protervos, sempre rústicos. Eles fazem o bolsonarismo sobreviver, mais do que políticos oportunistas.

Arthur Schopenhauer, filósofo prussiano, dizia que pessoas comuns não compreendem as pessoas iluminadas intelectualmente. Em uma derivação disso, subtende-se que um bando de incapacitados intelectuais não assimilam ideias simples, associadas ao Humanismo, aos direitos fundamentais das pessoas, ao respeito ao Estado de Direito.

E o bom-senso vai sendo chacinado neste país ao longo do tempo, de forma contínua, cínica e vilipendiosa.

Luis Filipe Chateaubriand. É professor de Administração Estratégica e autor do livro “Futebol Brasileiro: Um Novo Projeto de Calendário”.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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