21 de maio de 2026

O bolsonarismo como fenômeno de opinião pública

Feres Jr. propõe uma nova metodologia de análise do comportamento político e oferece uma visão mais precisa do eleitorado de Bolsonaro.
Agência Brasil via Uerj

Resumo por IA — “O bolsonarismo como fenômeno de opinião pública” (João Feres Jr., Opinião Pública, 2025)

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1. Objetivo do estudo

O artigo de João Feres Jr. investiga o bolsonarismo como fenômeno de opinião pública, buscando compreender quem são os eleitores de Jair Bolsonaro com base em dados empíricos. O autor pretende superar tanto as análises puramente discursivas (focadas nos discursos do ex-presidente) quanto as interpretações sociológicas impressionistas, oferecendo uma leitura quantitativa e sistemática dos padrões de comportamento político e valores dos bolsonaristas nas eleições de 2022.

2. Revisão da literatura e crítica teórica

Feres Jr. mapeia três abordagens principais nos estudos sobre o bolsonarismo:

  1. Bolsonarismo como discurso: vê o fenômeno como uma construção linguística ou ideológica (ex: populismo, fascismo, retórica moralista). Autores como Rodrigo Nunes, Esther Solano e Cyril Lynch tratam o bolsonarismo como uma ideologia coerente.

     → Crítica: reduz o fenômeno à “emissão” do discurso, sem explicar a “recepção” — ou seja, por que milhões aderem a Bolsonaro.
  2. Bolsonarismo como fenômeno sociológico: aborda o movimento por identidades sociais (classe, gênero, religião). Autoras como Isabela Kalil e Solano identificam múltiplos tipos de apoiadores, mas não distinguem os grupos majoritários.
  3. Bolsonarismo como fenômeno de opinião pública: utiliza surveys e regressões para explicar o voto. Feres Jr. se insere nesta vertente, mas com uma inovação: usa análise de clusters para identificar tipos de bolsonaristas com base em valores e políticas.

3. Metodologia

  • Base de dados: Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB 2022), com 2.001 entrevistas.
  • Variáveis: posições sobre temas morais e econômicos (casamento gay, pena de morte, privatizações, Bolsa Família, militarização, golpe militar, etc.).
  • Técnica: Partitioning Around Medoids (PAM) com distância de Gower.
  • Critério de amostra: eleitores que votaram em Bolsonaro no primeiro turno de 2022.
  • Resultado: três clusters principais, numericamente equilibrados.

4. Resultados — os três perfis de bolsonaristas

ClusterCaracterísticas principaisInterpretação
1. Liberal antipetistaProgressista nos costumes e nas políticas sociais; baixo apoio a militarismo; pouco religioso (15% evangélicos).Eleitores que não compartilham valores conservadores, mas rejeitam o PT — antipetismo puro.
2. Militarista/punitivistaConservador em segurança e moral, favorável à pena de morte e golpe militar, mas progressista em políticas sociais.“Lei e ordem” pragmático, mais próximo do discurso de segurança bolsonarista.
3. Evangélico ultraconservadorMuito conservador em temas morais (casamento e adoção gay, aborto), favorável a militarização e autoritarismo, mas apoia políticas sociais (Bolsa Família).Base ideológica do bolsonarismo, fortemente evangélica e moralista.

→ Todos os grupos apoiam programas sociais como Bolsa Família e Auxílio Brasil, desmentindo a tese de um bolsonarismo essencialmente neoliberal.

5. Conclusões

  • O bolsonarismo não é um bloco ideológico homogêneo, mas uma coalizão de perfis distintos.
  • Há antipetistas liberais, autoritários militaristas e moralistas religiosos, unidos mais por rejeição à esquerda do que por um projeto comum.
  • A pesquisa refuta a ideia de que o bolsonarismo possa ser reduzido a “discurso populista” ou “ideologia reacionária coerente”.
  • O voto bolsonarista combina valores conservadores e políticas sociais, revelando a complexa intersecção entre religião, segurança e antipetismo na formação da direita brasileira contemporânea.

6. Contribuição

Feres Jr. propõe uma nova metodologia de análise do comportamento político — baseada em clusters — e oferece uma visão mais precisa do eleitorado de Bolsonaro. Mostra que o bolsonarismo, enquanto fenômeno de opinião pública, é plural, fragmentado e multifacetado, mais movido por afetos e identidades do que por coerência ideológica.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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